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Dassault lança IA que cria projetos 3D por texto e companheiros virtuais

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Divulgação/Dassault Systémes
Divulgação/Dassault Systémes

A Dassault Systèmes apresentou sua nova estratégia de inteligência artificial aplicada à engenharia e manufatura durante a 3DEXPERIENCE World 2026, evento realizado nesta primeira semana de fevereiro em Houston, nos Estados Unidos. Em vez de focar apenas em chatbots generalistas, a empresa revelou um ecossistema de "Companheiros Virtuais" e recursos de IA generativa capazes de criar geometria 3D complexa, montagens mecânicas e simulações físicas a partir de comandos de texto simples.

O evento reúne anualmente a comunidade global de usuários do software SOLIDWORKS e da plataforma 3DEXPERIENCE, conectando designers, engenheiros e estudantes. A mensagem central da edição deste ano busca posicionar a IA não como uma substituta da mão de obra humana, mas como um "multiplicador de força" para profissionais técnicos.

O Canaltech viajou a Houston a convite da Dassault Systèmes.

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O "ChatGPT" da engenharia

Durante as demonstrações técnicas no palco principal, Manish Kumar, CEO da marca SOLIDWORKS, exibiu recursos que permitem transformar linguagem natural em projetos mecânicos funcionais, um conceito chamado de "Text-to-CAD".

Em um dos exemplos práticos, o executivo solicitou ao sistema via chat: "Crie um trem de engrenagens linear com 18 dentes alternados e 30 dentes aqui". O software não apenas gerou as peças individuais, mas também realizou a montagem e aplicou a movimentação mecânica correta automaticamente.

A demonstração avançou para cenários mais complexos de infraestrutura. Kumar mostrou como a IA projetou, em cerca de cinco minutos, uma estrutura completa de aço para suportar um tanque de água de 500 mil litros — um processo de cálculo estrutural e modelagem que, segundo ele, levaria dias ou semanas se feito manualmente.

"A IA é apenas um motor. Você é o motorista", afirmou Kumar, comparando o impacto atual da inteligência artificial na indústria com momentos históricos como a descoberta do fogo ou a invenção da máquina a vapor.

Três 'Companheiros Virtuais' especializados

Para organizar as diferentes funções da IA dentro do fluxo de trabalho, a Dassault formalizou o lançamento de três agentes especializados, chamados de "Companheiros Virtuais". A ideia é que, assim como em uma equipe humana, diferentes "especialistas" cuidem de diferentes etapas do projeto:

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  • Aura (A Estratégista): Focada na fase de ideação e inovação. A Aura conecta conhecimentos internos da empresa e dados externos para sugerir conceitos iniciais, além de gerenciar conformidade e relações com fornecedores.
  • Leo (O Engenheiro): Inspirado em Leonardo da Vinci, é focado na construção. Ele transforma ideias em projetos manufaturáveis, verifica a integridade estrutural, corrige erros de modelagem e sugere otimizações de performance em grandes montagens.
  • Marie (A Cientista): Inspirada em Marie Curie, é focada na validação científica. Ela lida com propriedades de materiais, química, física e regulamentações técnicas complexas, sendo crucial para indústrias como a de dispositivos médicos.

Segundo Kumar, essa divisão é necessária para garantir a confiabilidade. "Imagine um gênio da matemática que sabe fazer tudo. Você confiaria nele para certificar o motor de um avião que você vai voar? Provavelmente não. Você quer alguém que tenha experiência na indústria", explicou.

Alucinação vs. Física Real

Um ponto central das apresentações foi a distinção entre a IA generativa de consumo (como geradores de texto e imagem) e a "IA Industrial". Pascal Daloz, CEO da Dassault Systèmes, enfatizou que, na engenharia, a "alucinação" da IA — quando o sistema inventa dados estatisticamente prováveis, mas incorretos — é inaceitável, pois envolve segurança física e riscos reais.

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A empresa aposta no conceito de "Industry World Models" (Modelos de Mundo Industrial). Diferente dos modelos de linguagem que aprendem apenas padrões de texto, estes são fundamentados em leis da física e propriedades reais de materiais.

"O mundo real não é feito de texto e imagens. É feito de física, materiais, energia e restrições", explicou Daloz.

Da mesa de casa à virtualização do conhecimento

Para ilustrar como a tecnologia pretende capturar o "know-how" (saber como fazer) e não apenas o conhecimento teórico, Morgan Zimmermann, CEO da marca 3DEXPERIENCE, utilizou um exemplo cotidiano em conversa com Manish Kumar.

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Kumar relatou sua experiência frustrada ao tentar construir uma mesa de escritório em casa durante a pandemia: o primeiro projeto ficou pesado demais e instável porque ele desconhecia as propriedades da madeira e técnicas de marcenaria. O segundo projeto, uma estante, foi bem-sucedido porque ele já havia adquirido o conhecimento prático.

A proposta da plataforma é "virtualizar" esse aprendizado prático que geralmente fica preso na cabeça dos engenheiros experientes, permitindo que a IA sugira não apenas o formato de uma peça, mas o melhor método de fabricação baseado em erros e acertos anteriores da empresa.

Acessibilidade e fim das atualizações longas

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Além dos recursos avançados de design, a conferência abordou a simplificação do acesso às ferramentas profissionais, visando estudantes e startups. Zimmermann destacou atualizações que permitem o uso de softwares pesados de engenharia diretamente no navegador, eliminando barreiras de hardware.

Outro ponto de atrito resolvido foi o processo de atualização de software, historicamente demorado em ambientes corporativos. A nova arquitetura baseada em nuvem promete atualizações que levam apenas 90 segundos para reconectar à plataforma, garantindo que todos os usuários tenham acesso às ferramentas mais recentes sem paradas operacionais longas.

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