A inteligência artificial está finalmente começando a nos surpreender

A inteligência artificial está finalmente começando a nos surpreender

Por Colaborador externo | 26 de Janeiro de 2021 às 14h15

Por Gabriel Cantarin*

O assunto Inteligência Artificial (IA) — depois de sair dos circuitos acadêmicos e profissionais, de ter transitado pelo mundo da ficção científica, e de ser muito bem apropriado por um conjunto ainda não tão amplo de empresas, finalmente chega ao grande público. Fala-se abertamente sobre como a inteligência artificial vai mudar nossas vidas em todos os aspectos, há notícias de avanços rumo à cura de doenças, passando por novos modelos de negócios, bem como novos modelos educacionais e de entretenimento.

De maneira geral, as pessoas, mesmo sem se darem conta, já utilizam produtos e serviços em seu cotidiano que já possuem algoritmos de IA, como o catálogo do Netflix, as buscas do Google, as recomendações de compra da Amazon e as rotas do Waze, entre tantos outros.

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Todavia, mesmo para os profissionais de Tecnologia mais experientes ainda é difícil criar um modelo de inteligência artificial para utilizar em aplicações próprias. Um modelo de IA precisa ser "treinado" com milhares de observações sobre o mesmo objeto, seja imagem, texto ou qualquer dado não-estruturado que se queira utilizar. Na prática, muitas vezes nem estes profissionais têm acesso a bases de dados robustas para poder treinar esses modelos. Como exemplo, para criar uma inteligência artificial capaz de classificar cachorros e gatos são necessárias milhares de fotos de cachorros e gatos, além de milhares de fotos de objetos ou seres que se parecem com cachorros e gatos, mas não o são, para que o modelo seja treinado e adquira uma probabilidade de acerto adequada.

Existem vários datasets públicos de imagens e textos na internet e até mesmo alguns modelos de AI prontos, mas a maior parte deles é específica para uma determinada aplicação, o que torna muito difícil adaptar esse modelo para o desenvolvimento de uma solução mais robusta e de caráter genérico, que possa ser usada em diferentes tipos de aplicações.

Porém, isso está começando a mudar. A OpenAI, uma fundação sem fins lucrativos e que tem entre seus mantenedores Elon Musk, vem trabalhando em modelos cada vez mais poderosos de Inteligência Artificial. Em março de 2020 a OpenAI anunciou o lançamento de um modelo chamado GPT-3. Ele é baseado em NLP (Processamento de Linguagem Natural) e foi treinado utilizando aproximadamente 170 bilhões de parâmetros. Antes do GPT-3 ser lançado, a Microsoft era detentora do modelo de linguagem mais poderoso e que havia sido treinado utilizando 17 bilhões de parâmetros, ou seja, apenas 10% do total utilizado pela GPT-3.

Exemplos

Mas, afinal de contas, o que o GPT-3 é capaz de fazer? De uma forma resumida, tudo que seja relacionado com uma linguagem estruturada. Desde aplicações como chatbots, aplicações mais complexas como escrever livros, compor músicas e até mesmo escrever códigos de programação.

Abaixo você poderá conferir alguns exemplos de o que essa tecnologia consegue realizar.

Programar sites e Apps

Como você vê no vídeo acima, a pessoa está literalmente passando instruções em inglês, explicando como ela gostaria que o aplicativo fosse gerado e ao clique de um botão, a inteligência artificial é capaz de interpretar o que foi escrito e gerar todo o código-fonte do aplicativo.

Prototipar e criar Layouts

Já neste vídeo, a pessoa está utilizando uma ferramenta de prototipação muito popular chamada Figma e utilizando um plugin que conecta essa ferramenta à GPT-3. Desta forma, é possível passar instruções utilizando linguagem natural sobre o que ela deseja e, ao clicar em um botão, o protótipo é criado.

Criação de Memes

Já nesse outro vídeo, o criador utilizou-se da GPT-3 para gerar memes automaticamente. Ele não precisou escrever uma única linha para dizer do que gostaria, e a inteligência artificial foi capaz de entender o contexto do meme e conseguiu gerar um novo.

No início de 2021 a OpenAI também anunciou mais uma funcionalidade: a capacidade de gerar imagens com base em inputs de texto e os resultados são surpreendentes. No exemplo abaixo, o autor descreve o que ele gostaria de gerar: “Uma esfera feita de porco-espinho. Uma esfera com a textura de um porco-espinho.” A inteligência então entende o contexto e cria imagens (reparem que utilizei a palavra "cria" e não o termo "procura na internet").

(Gif: Reprodução / TechCrunch)

Hands On

A funcionalidade mais fantástica do GPT-3 é que ela é tão simples que qualquer pessoa, mesmo que com conhecimento técnico mínimo, pode ser capaz de criar e treinar seus próprios modelos de inteligência artificial. No site da OpenAI há até mesmo um “Parquinho" (Playground) que roda no navegador, onde você pode entender como tudo funciona e partir para a prática.

(Imagem: Captura de tela)

Tratando-se de uma tecnologia tão nova e poderosa, o GPT-3 ainda não está disponível para o público em geral, apenas para uma lista de pessoas e empresas selecionadas. Porém, você pode entrar na fila de espera para ser um dos primeiros a ter acesso a essa ferramenta, assim que ela for lançada, clicando aqui.

Fonte: TechCrunch, Open AI

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