Tóquio 2020 tem piscinas hi-tech que podem ajudar atletas a quebrarem recordes

Tóquio 2020 tem piscinas hi-tech que podem ajudar atletas a quebrarem recordes

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 03 de Agosto de 2021 às 18h06
EpicStockMedia/Envato

Você provavelmente já ouviu dizer que ficará cada vez mais difícil bater um recorde olímpico ou mundial devido aos limites do corpo humano. Como melhorar o desempenho de um atleta é algo que leva tempo e nem sempre traz o resultado que se espera, engenheiros da Universidade Georgia Tech, nos EUA, resolveram mergulhar no projeto de piscinas mais rápidas.

A ideia é usar tecnologia e princípios básicos de física para reduzir o atrito, construindo tanques mais fundos para que os nadadores não sejam afetados por ondas de compressão que ricocheteiam e retornam à superfície logo após o mergulho. Em vez de 2 metros de profundidade, as piscinas mais velozes devem ter 3 metros.

“Se a piscina for muito rasa, a energia das ondas pode ricochetear no fundo e chegar aos competidores, afetando negativamente a velocidade deles. Três metros é profundo o suficiente para que a onda refletida não alcance a superfície”, explica o engenheiro de ciência dos materiais Jud Ready, autor principal do estudo.

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Raias externas

Competidores de alto rendimento costumam torcer o nariz quando precisam disputar uma prova nas raias externas da piscina. O principal motivo é que quando os nadadores mergulham, eles criam ondas que ricocheteiam nas bordas da piscina, atingindo quem está mais próximo da extremidade e colocando esses atletas em desvantagem.

A ideia dos pesquisadores é eliminar esse problema com calhas maiores ao redor das piscinas. Esses dispositivos são projetados para capturar as ondas antes que elas se propaguem, deixando a superfície da água mais uniforme e impedindo a criação de pontos de resistência entre os nadadores.

Calhas maiores reduzem o surgimento de ondas (Imagem: Reprodução/Georgia Tech)

“Quando todos os nadadores atingem a superfície ao mesmo tempo, a piscina transborda, como ao jogar vários cubos de gelo em um copo cheio d'água. Se o sistema de calhas for muito raso, ele enche e joga a água de volta no tanque, tornando a superfície extremamente instável para os competidores”, acrescenta Ready.

Jatos de retorno

Outra característica das piscinas velozes é que, em vez de possuir jatos de retorno d`água nas laterais como nas piscinas comuns, esses dispositivos são embutidos no fundo do tanque. O recurso garante que não haja recirculação involuntária de milhares de litros de água, criando correntes indesejáveis durante as provas de natação.

“Esses detalhes parecem bobagens para quem usa piscinas de forma recreativa durante um fim de semana, mas quando você está falando sobre 0,01 centésimo de segundo para decidir entre uma medalha de ouro em vez de uma prata nas Olimpíadas, todo e qualquer atrito extra importa muito”, completa Jud Ready.

Fora d'água

No Estádio Olímpico de Tóquio, uma pista de atletismo projetada pela empresa Mondo vai muito além do cimento ou da terra batida. A camada superior da superfície possui grânulos de borracha tridimensionais e um composto vulcanizado que aumenta a eficiência e a durabilidade da área emborrachada.

Abaixo dessa superfície vulcanizada, camadas de ar absorvem o impacto das pisadas, armazenando energia e liberando uma resposta cinética em tempo real. Todo o sistema foi pensado para maximizar o desempenho sem prejudicar o condicionamento físico dos atletas ou potencializar o surgimento de lesões.

Quer seja no uso de maiôs que eliminam o atrito, de piscinas sem ondulações ou de pistas que “empurram” os atletas, a utilização da tecnologia no esporte de alto rendimento sempre gera debates controversos sobre ética e os limites do corpo. É trapaça? Ganha quem tem mais dinheiro? Comente.

Fonte: Georgia Tech

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