Professor trabalha em luva que permitirá "tocar" alguém à distância

Professor trabalha em luva que permitirá "tocar" alguém à distância

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 05 de Julho de 2021 às 16h55
Reprodução/University of Sydney

Já imaginou poder “sentir” o toque de uma pessoa a quilômetros de distância enquanto participa de uma videochamada? Um pesquisador do Centro de Internet das Coisas (IoT) da Universidade de Sydney, na Austrália, quer tornar essa experiência possível com um novo método de comunicação de baixa latência.

O sistema seria capaz de reduzir os atrasos no contato tátil entre duas pessoas, fazendo com que famílias geograficamente separadas, por exemplo, pudessem experimentar a sensação do toque por meio de uma conexão de internet. Esse contato é proporcionado por dispositivos eletrônicos usados por ambas as partes.

"A Internet tátil também pode ter aplicações mais promissoras, como ajudar os consumidores a sentir um tecido ao fazer compras online, realizar reparos de emergência na automação de uma fábrica, diagnosticar uma condição médica em um paciente remoto e até mesmo consertar equipamentos no espaço", afirma o professor de engenharia elétrica Zhanwei Hou, responsável pelo projeto.

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Nas pontas dos dedos

Para “tocar” em algo ou alguém remotamente, o usuário deve usar luvas, canetas ou dispositivos táteis altamente sensíveis, capazes de reproduzir a sensação de toque. Na outra ponta, um avatar robótico imita o movimento do operador humano e transfere o feedback tátil utilizando sensores especiais.

Para que esse processo se assemelhe ao que ocorre naturalmente quando duas pessoas se tocam, os pesquisadores trabalham na criação de um algoritmo para zerar o atraso na comunicação entre a ação de um usuário e o tempo que leva para que esse sinal seja sentido ou transmitido a quilômetros de distância.

Dispositivo tátil sensível ao toque (Imagem: Reprodução/University of Sydney)

"A comunicação tátil e os aplicativos de toque estarão no centro da tecnologia 6G e da indústria 5.0, que são baseadas em tecnologias de última geração destinadas a melhorar as interações e a colaboração entre humanos e máquinas. Nossa tecnologia usa aprendizado profundo para reduzir essa latência em comunicações otimizadas ", afirma o professor Branka Vucetic, especialista em IoT na Universidade de Sydney.

Velocidade da luz

Mesmo que a tecnologia 5G já tenha uma baixa latência na transmissão de dados por longas distâncias, para a internet tátil, o maior gargalo é justamente a velocidade da luz, que faz com que nada possa viajar de um ponto a outro mais rápido do que ela. Esse limite físico interfere diretamente na experiência do usuário.

"Os sinais de luz ou radiofrequência podem viajar 200 quilômetros na fibra ou 300 quilômetros no ar a cada 1 milissegundo. Isso significa que se a distância de comunicação for maior que 300 quilômetros, o atraso na propagação da luz dos sinais de radiofrequência é muito maior do que 1 milissegundo ", explica o professor Hou.

Professor Zhanwei Hou e sua luva de baixa latência (Imagem: Reprodução/University of Sydney)

De acordo com os pesquisadores, para que esse sistema funcione adequadamente é preciso reduzir a latência a valores próximos de zero e aumentar a precisão do conjunto para que não haja atraso perceptível, assim como ocorre quando a mão toca em algo e a transmissão desse sinal chega até o cérebro de forma instantânea.

“No futuro, esperamos que nossa pesquisa, que está apenas no começo, possa contribuir para a criação de uma internet tátil viável e acessível, que permita que famílias inteiras se abracem e colegas se cumprimentem ao redor do planeta enquanto permanecem geograficamente separados", celebra o professor Zhanwei Hou.

Fonte: University of Sydney

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