Película transforma óculos convencionais em aparelhos de visão noturna

Película transforma óculos convencionais em aparelhos de visão noturna

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 17 de Junho de 2021 às 17h15
duallogic/Envato

Pesquisadores da Australian National University (ANU) criaram uma tecnologia inovadora que permite que as pessoas enxerguem no escuro. A película ultrafina, que pode ser aplicada em óculos de vidro comuns, consegue converter a luz infravermelha em imagens que podem ser vistas pelo olho humano.

O material feito com nanocristais possui minúsculas partículas centenas de vezes mais finas que um fio de cabelo. Essas partículas funcionam como filtros capazes de transformar os fótons da radiação infravermelha em fótons de energia que podem ser captados pelos receptores oculares.

"Tornamos o invisível visível", crava o professor de física da ANU, Dragomir Neshev, coordenador do estudo. "Esta é a primeira vez no mundo que alguém consegue transformar luz infravermelha em imagens visíveis, mesmo à distância e durante a noite, utilizando uma tela ultrafina com sucesso”, comemora.

Esquema de conversão da luz infravermelha em imagens visíveis (Imagem: Reprodução/ANU)

Visão noturna

A película não precisa de uma fonte de energia para funcionar, já que o sistema utiliza um pequeno laser para combinar os nanocristais com a luz infravermelha, permitindo que o usuário tenha uma visão noturna semelhante àquela encontrada em óculos militares usados em situações de extrema escuridão.

Cristais fotônicos, feitos com o material semicondutor arseneto de gálio, criam nanoantenas que captam a radiação infravermelha invisível e uma fonte secundária de luminosidade fornece a energia necessária para produzir um fenômeno chamado conversão ascendente, capaz de manipular vários comprimentos de onda de luz ao mesmo tempo.

O trabalho de pesquisa da equipe começou em 2016 com aplicação dos nanocristais em placas de vidro pela primeira vez. Depois de entender como os fótons de luz infravermelha poderiam ser convertidos em imagens visíveis com filmes de nanocristais, os cientistas criaram um protótipo leve, barato e que pode ser produzido em grande escala.

Filme com nanocristais aplicado em placas de vidro (Imagem: Reprodução/ANU)

“Atualmente, a tecnologia de imagem infravermelha de ponta requer o congelamento criogênico para funcionar e sua produção é muito cara. Esta nova tecnologia além de ser muito mais simples, funciona em temperatura ambiente”, afirma a PhD em física Rocio Camacho Morales, autora principal do estudo.

Além do campo de batalha

Óculos de visão noturna são itens cobiçados por jogadores de games de guerra como COD ou Battlefield. Primeiro por serem extremamente úteis durante as batalhas e, também, por darem uma vantagem enorme sobre o oponente que não consegue enxergar nada quando a noite cai.

No mundo real, esse tipo de equipamento também tem um papel estratégico importante para os soldados que precisam fazer incursões noturnas, em locais pouco conhecidos e com inimigos à espreita. Mas esses dispositivos são grandes, pesados, consomem muita energia e têm baixa autonomia.

Película de visão noturna aplicada em óculos comuns (Imagem: Reprodução/ANU)

Sem apresentar esses problemas, a película criada pelos pesquisadores da ANU pode se tornar uma alternativa viável para ser usada não só em missões militares. Aplicada em óculos comuns, ela poderia auxiliar motoristas que precisam dirigir à noite ou aumentar a capacidade de visão de seguranças noturnos.

“Embora este seja o primeiro experimento de prova para este conceito, estamos trabalhando ativamente para avançar ainda mais na tecnologia. É um desenvolvimento realmente empolgante e sabemos que mudará a paisagem da visão noturna para sempre”, celebra o professor de física, Mohsen Rahmani, responsável pelo desenvolvimento dos filmes de nanocristais.

Fonte: ANU

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