Pais criam óculos inteligentes para ajudar filho a enxergar

Pais criam óculos inteligentes para ajudar filho a enxergar

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 05 de Julho de 2021 às 18h05
Reprodução/BielGlasses

Um casal espanhol desenvolveu um dispositivo digital para ajudar o filho a enxergar. Os óculos foram criados para melhorar a percepção espacial de pessoas com baixa visão, dando mais autonomia para que elas possam se locomover com segurança sem tropeçar, cair e se machucar.

A ideia surgiu quando o pequeno Biel, de apenas dois anos, começou a ter dificuldades para subir escadas e andar pela casa sem esbarrar nos obstáculos. Ele foi diagnosticado com um problema no nervo óptico que não poderia ser corrigido com cirurgias ou com o uso de óculos normais.

"Existem bengalas e cães-guia. Nada mais. Entramos nisso porque vimos que era necessário. Pensamos que poderíamos usar essas tecnologias para aproveitar a pouca visão que ele tem para ser mais independente”, explica o engenheiro eletricista e pai de Biel, Jaume Puig, que desenvolveu o dispositivo em parceria com a médica e esposa Constanza Lucero.

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Óculos inteligentes

O dispositivo é uma mistura de tecnologias que ajudam a criar uma imagem 3D na qual textos, gráficos e vídeos em alta resolução podem ser sobrepostos em cenas do mundo real. Os óculos utilizam inteligência artificial (IA) para detectar e sinalizar objetos dentro do campo de visão do usuário.

Quando a pessoa se aproxima de algum obstáculo que bloqueia o seu caminho, um grande círculo vermelho aparece na tela para avisar que existe algo por perto que precisa ser evitado. O equipamento também permite ampliar uma placa ou qualquer outro objeto para aumentar a capacidade visual.

“A possibilidade de identificar obstáculos não só reduz os riscos de lesões e acidentes, mas também devolve a liberdade ao paciente. Poder andar, viajar sozinho, reconhecer sinais ou pontos de referência e ler são competências que potencializam a autoconfiança e, consequentemente, a autonomia pessoal”, diz Puig.

Aprovado

O desenvolvimento dos óculos custou cerca de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões na conversão direta). Parte desse dinheiro veio das economias do próprio casal e o restante foi conseguido por meio de instituições públicas da Espanha e campanhas de financiamento coletivo na internet.

Biel Puig, hoje com 8 anos, usando os óculos inteligentes (Imagem: Reprodução/Biel Glasses)

O dispositivo, que pode ser adaptado de acordo com a deficiência de cada usuário, já foi aprovado na União Europeia e deve ser colocado à venda na Espanha e na Dinamarca ainda este ano por 4.900 euros (aproximadamente R$ 30 mil). Uma equipe multidisciplinar também trabalha no desenvolvimento de uma nova versão com ativação por voz e um sistema de navegação integrado ao Google Maps.

“Nossa solução foi projetada para melhorar a qualidade de vida dos pacientes com baixa visão. Otimizamos nosso desenvolvimento ao máximo para que os usuários possam enfrentar dificuldades como conseguir um emprego, se deslocar sem riscos e manter relacionamentos dentro e fora de seu círculo familiar”, celebra Constanza Lucero.

Fonte: Biel Glasses

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