Objetos impressos em 3D mudam de aparência conforme o ponto de vista
Por Gustavo Minari • Editado por Douglas Ciriaco |

Uma equipe de cientistas do MIT, nos EUA, desenvolveu um sistema capaz de criar objetos em 3D que mudam de aparência conforme o ponto de vista. Eles também criaram uma ferramenta de edição — disponível online — que permite que qualquer pessoa projete e construa dispositivos utilizando essa técnica.
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Atualmente, esse efeito de mudança de aparência — como cartões de aniversário piscantes ou flores que se “movem” conforme o ângulo de visão do observador — estava limitado a impressão em superfícies planas, com objetos que não podem ser manuseados em três dimensões.
“Esta pesquisa muda radicalmente como será o futuro do design de produtos. Agora, é possível imaginar como objetos físicos do dia a dia poderiam ter milhares de aparências diferentes, com cores, formas e padrões dependendo exclusivamente do ponto de vista do usuário”, explica a professora de engenharia mecânica Stefanie Mueller, autora principal do projeto.
Como funciona
A mudança de imagens em objetos 3D ocorre graças a utilização de muitas lentes minúsculas. As seis lentes impressas pela equipe do MIT cabem na superfície de uma moeda de dez centavos. Esses dispositivos lenticulares, cobrem os padrões de pequenas manchas coloridas na imagem.
O objeto 3D a ser renderizado é carregado na ferramenta que, em seguida, calcula o posicionamento das lentes e o padrão de cores na superfície do objeto para que ele atinja o efeito desejado. Antes de enviar as instruções para impressora 3D, é possível visualizar o produto previamente em diversos ângulos diferentes.
"Por causa do efeito de ampliação da lente, ela exibe a cor de apenas um dos pontos coloridos da imagem, sendo somente uma pequena parte de toda a área observada. O pixel ampliado que o observador vê depende do seu ponto de vista e dos diferentes ângulos de incidência da luz que atingem a lente", acrescenta Mueller.
Aplicações variadas
Segundo os pesquisadores, essa técnica permite a criação de objetos com diferentes geometrias, complexidade de imagens e variações morfológicas. Os itens usados nos experimentos foram impressos com milhares de lentes, garantindo uma fidelidade maior para os dispositivos fabricados em 3D.
Um peso de academia, por exemplo, foi impresso com lentes que indicam se o usuário está segurando o objeto corretamente. Conforme a pessoa move o peso, a luz refletida indica se ele está ou não na posição adequada. Outro produto, dessa vez um abajur de cabeceira, exibe mensagens de bom dia ou boa noite, dependendo se o observador está sentado ou deitado na cama.
“Quanto menor a lente, melhor a resolução. Mas lentes menores também têm mais defeitos, então a qualidade de fabricação será pior. Depois de vários testes, descobrimos que uma lente com três milímetros de diâmetro atende à maioria das necessidades, abrindo uma enorme possibilidade para produção em grande escala”, encerra a professora Stefanie Mueller.
Fonte: MIT