Nada de passar mal: sensor de LED avisa se a comida na geladeira está estragada

Nada de passar mal: sensor de LED avisa se a comida na geladeira está estragada

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 16 de Agosto de 2021 às 16h31
Simonapilolla/Envato

Pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, e da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, desenvolveram novo dispositivo de LED capaz de detectar se a comida está estragada. O emissor de luz infravermelha também pode ser sintonizado em diferentes comprimentos de onda para identificar gases letais no ambiente.

Espectrômetros de infravermelho são equipamentos que utilizam uma amplitude de ondas invisíveis ao olho humano para identificar diferentes categorias de materiais por meio de assinaturas infravermelhas. O problema é que essas máquinas são muito volumosas, caras e dificilmente podem ser usadas longe do ambiente controlado dos laboratórios.

“Nossa nova tecnologia une uma fina camada de cristais de fósforo preto a um substrato flexível semelhante ao plástico, permitindo que ele seja dobrado e fazendo com que o fósforo emita luz com diferentes comprimentos de onda. Esse dispositivo pode ser miniaturizado para caber em smartphones ou sensores de bolso”, explica o professor de engenharia eletrônica Kenneth Crozier, autor principal do estudo.

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Na geladeira

Alguns alimentos que permanecem por um bom tempo na geladeira podem ser contaminados por fungos e bactérias invisíveis ao olho humano. Mesmo conservados em temperaturas abaixo dos 5 °C, o crescimento de microrganismos nocivos à saúde limita o prazo de validade de carnes, frutas, verduras e legumes.

Bactérias encontradas na carne, por exemplo, liberam gases enquanto se multiplicam, indicando que o produto está em processo de degradação e impróprio para o consumo. Ao ingerir alimentos com essas características, uma pessoa poderia desenvolver quadros de infecções intestinais como gastroenterite, com dor abdominal, vômito e diarreia.

Esquema de funcionamento do LED feito com fósforo preto (Imagem: Reprodução/Melbourne University)

“O dispositivo de LED colocado dentro de uma geladeira poderia enviar uma notificação de que a carne está estragando ao detectar a presença de gases prejudiciais. Além disso, quando apontado para uma bolsa, ele poderia revelar se o produto é feito de couro real ou com um substituto sintético mais barato”, acrescenta o professor Crozier.

Menos camadas

Equipamentos fotodetectores infravermelhos e dispositivos de LED para detecção de gases são difíceis de fabricar porque precisam ser construídos com várias camadas de cristais perfeitamente alinhados. Com essa nova tecnologia, os pesquisadores utilizaram o fósforo preto que necessita de apenas uma camada para funcionar, permitindo o desenvolvimento de sensores menores e flexíveis.

“A mudança no comprimento de onda na emissão do fósforo preto dobrável é sensivelmente maior, permitindo que o LED seja sintonizado em vários espectros de infravermelho. Isso reduz a quantidade de camadas utilizadas e garante a fabricação de dispositivos compactos e mais eficientes”, afirma o professor de engenharia elétrica da Universidade da Califórnia Ali Javey, coautor do estudo.

Fósforo preto dobrável pode sintonizar diferentes comprimentos de onda (Imagem: Reprodução/Melbourne University)

A ideia dos cientistas é criar um equipamento que também possa ser usado para auxiliar bombeiros, mineiros e militares no trabalho de identificação de gases potencialmente letais, a uma distância mais segura. Os dispositivos ultrafinos seriam colocados em drones para sobrevoar áreas contaminadas, alertando sobre possíveis perigos.

“Nossos detectores infravermelhos podem ser integrados a uma câmera para podermos olhar para a tela do telefone e ver vazamentos de gases ou emissões nocivas. Com esse dispositivo, também seria possível determinar qual o tipo de gás está presente no ambiente sem que uma pessoa tenha que entrar lá para isso”, encerra o professor Kenneth Crozier.

Fonte: University of Melbourne

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