Estradas especiais prometem abastecer carros elétricos em movimento

Estradas especiais prometem abastecer carros elétricos em movimento

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 13 de Maio de 2021 às 17h30
Michael Marais/Unsplash

Quem já jogou Asphalt 9 sabe o quanto é legal dar uma turbinada no motor com o carro em movimento: basta mudar de pista para encher o tanque de nitrogênio sem ter que perder um tempo precioso parando o veículo. No mundo real, pesquisadores da Universidade Cornell, nos EUA, querem fazer algo parecido, mas utilizando carros elétricos.

Uma estrada especial seria capaz de carregar os veículos que trafegam sobre ela em tempo real, sem a necessidade de cabos ou conectores. “As rodovias teriam uma pista de carregamento, uma espécie de faixa com alta ocupação de veículos”, diz o professor Khurram Afridi.

A ideia é livrar os motoristas das estações individuais de carregamento, onde o tempo médio de abastecimento varia de três a quatro horas, dependendo da quantidade de energia absorvida. “Se a bateria estivesse acabando, você passaria para a pista de carregamento, seu carro seria identificado e depois você receberia a conta”, explica o professor Afridi.

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Escassez de postos

Uma das maiores preocupações de quem dirige um carro elétrico é ficar sem energia no meio da estrada. Nos EUA, onde essa tecnologia está mais avançada, existem apenas 100 mil postos de abastecimento para atender a uma frota de quase dois milhões de veículos movidos à eletricidade.

Aqui no Brasil existem cerca de 40 mil carros elétricos divididos entre caminhões, ônibus e veículos de passeio, segundo o anuário brasileiro de mobilidade elétrica. Para manter esta frota funcionando, o país conta com pouco mais de mil pontos de abastecimento.

“A única maneira de as pessoas comprarem carros elétricos é se eles forem tão fáceis de reabastecer quanto os motores de combustão. Se tivéssemos essa tecnologia de carregamento sem fio, os veículos elétricos teriam ainda menos limitações do que os tradicionais”, acrescenta o professor Afridi.

Brasil tem pouco mais de mil pontos de abastecimento para carros elétricos (Imagem: Reprodução/Envato)

Como vai funcionar

A estrada inteligente funciona com placas especiais de metal conectadas a uma linha de energia e a um inversor de alta frequência, instalados debaixo da superfície. Essas placas criam campos elétricos alternados que atraem e repelem outras placas fixadas na parte inferior do veículo.

A capacidade de carregar a bateria dos carros enquanto eles passam sobre a rodovia sem utilizar fios não é novidade, e há mais de 100 anos, o inventor Nikola Tesla usou campos elétricos alternados para acender luzes sem conectá-las na tomada. Agora, com a tecnologia mais avançada, quanto mais tempo o veículo permanece sobre a faixa com as placas eletrificadas, mais carga a bateria do carrro recebe.

Essa transferência de energia sem fio usada para energizar essas rodovias é baseada no mesmo princípio utilizado para enviar mensagens por meio de ondas de rádio para espaçonaves a milhares de quilômetros da Terra. “A diferença é que agora podemos enviar muito mais energia em distâncias muito mais curtas para abastecer os veículos em movimento”, completa o professor Afridi.

Placas de metal abastecem carros em movimento (Imagem: Reprodução/University Cornell)

Outras tentativas

Em Israel, a cidade de Tel Aviv começou a testar sua primeira estrada capaz de recarregar veículos elétricos por indução. No trecho de 600 metros que conecta um campus universitário ao terminal rodoviário, ônibus da rede pública serão abastecidos enquanto transportam os passageiros.

Na Coreia do Sul, uma rede composta por 24 quilômetros de estrada na cidade de Gumi, consegue distribuir energia para os veículos através de cabos instalados debaixo do asfalto. A parte debaixo dos carros é equipada com uma bobina sintonizada na mesma frequência dos cabos e a energia é produzida por meio de ressonância magnética.

Sistema de carregamento usado na Coreia do Sul (Imagem: Reprodução/Extreme Tech)

Aos poucos, essa tecnologia vai se estabelecendo ao menos como uma possível alternativa a horas parado em um posto de reabastecimento de energia.

Fonte: Insider

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