Brasileira é premiada por método que substitui testes de cosméticos em animais

Por Redação | 17 de Janeiro de 2018 às 10h35
photo_camera Carolina Motter Catarino/LinkedIn

Uma cientista brasileira recebeu o prêmio internacional The 2017 Lush Prize, organizado pela empresa de cosméticos Lush. Carolina Motter Catarino conduziu uma pesquisa de doutorado no Instituto Politécnico Rensselae, nos Estados Unidos, e descobriu a possibilidade de fazer testes de cosméticos sem precisar usar animais.

A pesquisadora fez a reconstrução de um modelo de pele humana in vitro para testes de toxicidade, e o estudo inicial aconteceu com orientação da professora Silvya Stuchi, na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP. Os testes de cosméticos realizados em animais já não são mais permitidos em alguns países. No Brasil, um projeto de lei sobre a proibição segue em trâmite.

Carolina explica que, apesar da eficácia, podem ocorrer problemas com o método. "Primeiramente, os animais são fisiologicamente muito diferentes dos seres humanos, como por exemplo, a composição e estrutura das camadas da pele e concentração de folículos capilares. Essas e outras diferenças podem gerar resultados que não são reproduzidos em humanos posteriormente ou até mesmo não antecipar possíveis efeitos adversos", conta a pesquisadora.

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Foram usados modelos de pele semelhantes à pele humana, sendo validados com parâmetros de efeitos específicos, como irritação ou corrosão. Carolina comenta, ainda, que a maioria destes modelos conta com um ou, no máximo, dois tipos de células entre os mais de 15 tipos existentes na pele dos seres humanos e que eles não apresentam vasculatura e apêndice, como folículos capilares, glândulas sudoríparas e sebáceas.

Metodologia

Para fazer a impressão, Carolina usou células humanas originadas de amostras de pele removidas em cirurgias plásticas ou postectomia, quando é feita a remoção do prepúcio. A cientista conta que, em geral, as amostras usadas são de prepúcios de recém-nascidos, pois as células apresentam um melhor potencial de expansão e diferenciação em relação a células isoladas de amostras de peles de adultos. "Após isolar as células, elas são expandidas in vitro, de modo a gerar quantidade suficiente de células para reconstruir a pele", conta.

O passo seguinte é preparar diversas tintas biológicas, chamadas de "bio-inks". As tinturas são compostas por uma mistura de proteínas existentes em nossa pele, como o colágeno I, além de células isoladas previamente, como os fibrolastos, queratinócitos e melancócitos.

Com as tintas separadas, elas são inseridas em cartuchos para serem colocados na impressora. Carolina conta que, depois de impressas, as amostras de pele permanecem em uma incubadora de 12 a 21 dias para que seja feita a diferenciação de camadas de pele. "Após esse período, a pele apresenta estrutura semelhante à pele humana e que pode ser usada, por exemplo, para avaliar potencial irritante ou corrosivo, entre outros, de substâncias aplicadas topicamente", descreve a pesquisadora.

Carolina iniciou os seus estudos de pele in vitro enquanto ainda cursava Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia na UFPR (Universidade Federal do Paraná). A pesquisadora chegou a participar de um programa de intercâmbio, estudando na Université de Technologie de Compiègne, na França, e estagiando na empresa de cosméticos L'Óreal, em Paris.

Fonte: USP

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