Tier: como é feita a classificação e quais as diferenças entre Data Centers?

Por Rafael Romer | 12.08.2013 às 07:05 - atualizado em 03.07.2015 às 15:47

Assim como grande parte dos serviços oferecidos no mercado, Data Centers também possuem uma classificação própria que indica o quão preparados eles estão para lidar com problemas e quão sólidas são suas infra-estruturas. Chamado de "Tier" (literalmente, "camada" em inglês), o padrão mundial de classificação foi criado especialmente para Data Centers pelo consórcio Uptime Institute e validado pelo Owner Advisory Committee. O padrão hoje é aceito em mais de 40 países.

Para entender melhor esse conceito, conversamos com o gerente de Data Center da Locaweb, Ivan Tancler. Ele nos explicou que o padrão serve para diferenciar os Data Centers conforme sua infraestrutura, baseado em classes crescentes de redundância, que variam de Tier I a Tier IV (sendo I o menos e IV o mais complexo). "De maneira geral podemos dizer que os Tiers são importantes não somente para o mundo corporativo, mas também para serviços de cloud, outsourcing, serviços que envolvem processos críticos, complexos e que devem manter uma alta disponibilidade", afirma.

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Equivalente à infraestrutura básica, o Tier I é o primeiro nível possível para um Data Center. Nele não há preocupações especiais com os serviços processados e o desligamento de todo o site é necessário para trabalhos de manutenção. Além disso, falhas de distribuição e capacidade irão afetar os sites hopedados no serviço.

Além das funções do primeiro nível, os Data Centers de Tier II já começam a ver algumas preocupações com elementos redundantes, como explica Tancler. "Porém, ainda é necessário o desligamento de todo o sistema para a manutenção, já que falhas de capacidade podem afetar o site, assim como falhas de distribuição", diz.

O Tier III é o primeiro que permite remover componentes de maneira planejada para a chamada Manutenção Concorrente, ou seja, que não afeta as operações totais do site hospedado. Ainda assim, o site ainda está exposto a falhas de equipamento ou a erros do operador.

Além de atender todas as exigências do Tier anterior, Data Centers de Tier IV são os únicos capazes de tolerar falhas de equipamento individual ou a interrupção no caminho de distribuição, sem afetar as operações do site. "Estes Data Centers não são comuns, devido aos altos custos de construção e operação, e geralmente se justificam apenas quando falamos de processamentos que exigem alto sigilo e disponibilidade tendendo a 100%", explica o gerente.

Apesar de ter sua classificação de nível definida pelo Uptime no projeto construtivo, conforme os requisitos descritos, um Data Center poder ter um "upgrade" na sua categoria através de uma melhora de sua infraestrutura. "Quanto mais redundância, modularidade, compartimentação, tecnologias de monitoramento e supervisão, automatização dos elementos da infraestrutura, maiores são seus “pontos positivos” para obter Tiers maiores", explica.

Mas o que é importante levar em conta na hora de contratar algum serviço de hosting?

Para Tancler, pequenas empresas que "apenas querem manter seu site no ar" não constumam levar em consideração esse tipo de classificação, já que qualquer Tier costuma entregar o serviço necessário.

Mas quando o cliente possui uma grande empresa de varejo ou qualquer outro serviço que pode ser muito prejudicado pela falta de disponibilidade, é preciso tomar mais cuidado na hora de escolher seu Data Center. Apesar de mais caros, funções Continuous Cooling (refrigeração contínua), compartimentalização e automatização de sistemas, presentes em Data Centers de Tier 4, têm a vantagem de serem muito mais tolerantes a falha, o que pode ser a diferença entre continuar a operação suavemente ou perder lucros com indisponibilidade do sistema.