Empresa lança plataforma que permite compra de energia pela internet

Por Rui Maciel | 10 de Setembro de 2020 às 18h40

A Omega Energia, companhia especializada na geração de energia elétrica renovável, anunciou na última quarta-feira (9), uma plataforma que permite a compra e gestão de energia no mercado livre de forma 100% online.

Com a plataforma digital da Omega, qualquer empresa habilitada a atuar no mercado livre de energia terá a chamada "experiência de ponta a ponta", onde será possível comprar energia a qualquer momento, sem os processos complexos que marcam o setor e, segundo a idealizadora do projeto, por um preço justo. Além de empresas que já operam no mercado livre, consumidores comerciais que quiserem testar a solução também poderão solicitar migração pela plataforma e fazer o processo de forma facilitada, o que pode gerar economia de custos.

Segundo Antonio de Bastos Filho, fundador da Omega Energia, as cotações poderão ser feitas em poucos segundos, sem a necessidade de mandar e-mail ou fazer ligações. Após a cotação, o usuário passará por uma análise de crédito podendo, em seguida, solicitar propostas. Segundo os idealizadores do site, tudo funciona em apenas três cliques. A assinatura do contrato, inclusive, também pode ser feita de forma 100% eletrônica. Além disso, as compradoras poderão gerenciar suas contratações e faturas, e ainda acompanhar seu consumo em tempo real.

Plataforma da Omega: compra de energia 100% online e em poucos cliques (Foto: divulgação)

"Quem atua hoje no mercado de energia livre sabe o quão complexo é o processo de contratação, a ponto de tornar-se um fator impeditivo para que novas empresas ingressem nesta modalidade de consumo", explica Fernando Senna, Diretor de Energia Digital da Omega. "Normalmente, a cotação é feita analogicamente, assim como todo o processo de fechamento do negócio e gestão de contratos, que pode durar dias e tomar incontáveis horas de trabalho das equipes. Isso distancia o cliente do que mais importa, que é a gestão de seu negócio. Nosso desafio era não só trazer um fluxo simplificado, mas eficiente, que transformasse radicalmente a experiência de compra e gestão de energia para empresas de todos os portes".

A nova plataforma garante também a compra direta de quem gera a energia. Hoje, a Omega afirma contar com um portfólio de geração de aproximadamente 1,8 GW (gigawatts) de energia 100% renovável. No passo a passo da aquisição, há o processo de validação das informações. Feito isso, os compradores fecham uma proposta, escolhendo o período de contratação, a carga, o sub-mercado e a fonte. Tudo negociado diretamente com a Omega. Segundo essa última, isso representa garantia de entrega ao cliente do que foi contratado, sem riscos de penalidades ou falta de energia.

Smart Flex

Outra novidade presente na plataforma é a tarifa Smart Flex. Segundo a Omega, ela garate às compradoras de energia a eliminação do risco associado à oscilação de preços de mercado e volumes de consumo. Com isso, eles pagarão apenas o que for efetivamente consumido. os levando a pagar mensalmente pelo efetivo consumo.

"Tudo foi desenhado para ser simples e transparente. Nosso produto é completamente digital, o contrato é enxuto, com 80% menos páginas do que em acordos usuais do mercado, e não é preciso fazer readequação em caso de um consumo diferente do que o previamente contratado", continua Senna. "Os clientes têm flexibilidade para pagar apenas pelo que consumirem, sem se preocuparem se vai sobrar ou faltar energia e, quando necessário, teremos opções bem interessantes para o parcelamento das faturas".


O que é o mercado livre de energia?

Trata-se de uma categoria onde as empresas têm a liberdade de escolher o seu fornecedor de energia, pagando apenas os custos de transporte da energia à distribuidora local. No entanto, para se encaixarem nessa modalidade, elas precisam ser atendidas em alta ou média tensão e ter ao menos 0,5 MW de demanda contratada.

Aqueles com demanda acima de 2,5 MW são classificados como Consumidores Livres e podem comprar energia oriunda de qualquer fonte, enquanto aqueles com demanda entre 0,5 e 2,5 MW são classificados como Consumidores Especiais e só podem adquirir energia de fontes incentivadas (resumidamente PCHs, biomassa,
eólicas e solares).

Para trazer mais clareza a essas definições: um consumidor especial deve ter, em média, uma conta de luz da ordem mínima de R$40 mil/ mês. Mas, atualmente, o consumo médio vem girando em torno de R$ 150 mil. Já para um consumidor livre esse valor é de cerca de R$700 mil/mês. Em outras palavras, trata-se de um mercado restrito a consumidores eletrointensivos e de grande porte.

No entanto, no ano passado, o governo federal sinalizou que a abertura total do mercado livre poderia acontecer em 2024 - e isso incluirá até mesmo pessoas físicas. Caso isso ocorra, o volume anual de energia comercializada superaria os R$ 100 bilhões. Segundo o artigo 16 do projeto de lei 232, já aprovado pelo Senado, a abertura será total a partir de 42 meses de sua entrada em vigor e, no caso de aprovação ainda esse ano, confirmar-se-ia 2024 como ano de abertura integral.

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