NVIDIA lança RTX Spark com GPU Blackwell e até 128 GB de RAM
Por Bruno Bertonzin |
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A NVIDIA anunciou nesta quinta-feira (15) o RTX Spark, seu novo superchip para notebooks e desktops compactos com Windows. A plataforma reúne GPU Blackwell com até 6.144 CUDA Cores, CPU ARM de até 20 núcleos e até 128 GB de memória RAM unificada.
O Canaltech acompanhou a apresentação durante o NVIDIA RTX Spark Editor's Day, realizado em 8 de outubro, em São Francisco (EUA). Desenvolvido em parceria com a MediaTek, o chipset aposta em alto desempenho para jogos, criação de conteúdo e inteligência artificial em computadores mais finos e leves.
Diferentemente de uma placa de vídeo dedicada, os chips RTX Spark integram CPU, GPU e controlador de memória em uma única plataforma, com foco em desempenho e eficiência energética.
Os primeiros notebooks equipados com a novidade chegam ao mercado nesta sexta-feira (16), com preços a partir de US$ 2.599. Desktops compactos estão previstos para novembro.
RTX Spark combina GPU Blackwell e CPU ARM de até 20 núcleos
O RTX Spark utiliza dois blocos principais, chamados tiles, conectados pela tecnologia NVLink C2C. Um abriga a GPU Blackwell, enquanto o outro reúne a CPU ARM, o controlador de memória e os componentes de entrada e saída.
Na configuração mais avançada, a GPU oferece 6.144 CUDA Cores, Tensor Cores de quinta geração para inteligência artificial e RT Cores de quarta geração para ray tracing.
Segundo a NVIDIA, os novos RT Cores dobram a taxa de interseção entre raios e triângulos em relação à geração anterior. O chipset também entrega até 1 petaflop de desempenho em operações de IA com precisão NVFP4.
A arquitetura inclui ainda um motor de vídeo com aceleração para codificação e decodificação 4:2:2, recurso voltado principalmente à produção audiovisual.
A CPU ARM, desenvolvida com a MediaTek, possui até 20 núcleos, divididos igualmente entre dez de desempenho e dez de eficiência. A proposta é distribuir tarefas exigentes e operações menos complexas entre os dois grupos, equilibrando capacidade de processamento e consumo energético.
Memória unificada chega a 128 GB
Um dos principais diferenciais do RTX Spark é a memória LPDDR5x unificada, que permite à CPU e à GPU acessar o mesmo conjunto de RAM.
Em notebooks convencionais com GPU dedicada, o processador utiliza a memória do sistema, enquanto a placa de vídeo possui sua própria memória, chamada VRAM. No RTX Spark, essa divisão física não existe, permitindo compartilhar grandes quantidades de memória entre aplicações gráficas e tarefas de inteligência artificial.
A arquitetura é especialmente interessante para modelos generativos, que podem exigir dezenas de gigabytes de memória para funcionar localmente.
A plataforma oferece interface de memória de 256 bits, organizada em 16 canais, com largura de banda de até 300 GB/s.
Já o NVLink C2C, responsável pela comunicação entre CPU e GPU, alcança 600 GB/s. Segundo a NVIDIA, a tecnologia oferece coerência bidirecional de cache, facilitando o compartilhamento de dados entre os processadores, e pode ser até 25 vezes mais eficiente energeticamente que uma conexão equivalente por PCIe.
Durante o painel de perguntas e respostas, executivos também confirmaram que o usuário poderá configurar a distribuição de memória entre CPU e GPU, além do gerenciamento automático realizado pelo sistema.
NVIDIA promete até cinco vezes mais desempenho
Segundo Justin Walker, executivo da NVIDIA, o RTX Spark pode oferecer desempenho de três a cinco vezes superior ao de outros SoCs Windows utilizados como referência pela empresa, dependendo da aplicação.
Em outra comparação, a fabricante utilizou como referência um notebook premium de aproximadamente três anos atrás, equipado com uma GeForce RTX 4070 para notebooks.
Nesse cenário, o RTX Spark promete até três vezes mais desempenho em IA e capacidade para executar modelos até 12 vezes maiores, graças também à memória unificada de até 128 GB.
Os números foram apresentados pela NVIDIA durante o evento e não representam resultados de testes independentes do Canaltech.
Alto desempenho mesmo na bateria
A eficiência energética também foi um dos destaques da apresentação.
Segundo Walker, determinados notebooks com RTX Spark podem manter desempenho próximo ao obtido na tomada mesmo quando funcionam apenas com a bateria. Nos cenários apresentados, a diferença foi de aproximadamente 1%.
A fabricante também afirma que a arquitetura pode dobrar a eficiência energética de uma configuração convencional com CPU e GPU dedicadas, especialmente em faixas de menor consumo.
Os fabricantes poderão configurar a potência da GPU integrada entre 45 W e 80 W, conforme o projeto térmico de cada equipamento. Essa faixa não representa necessariamente o consumo total do chipset.
Assim, desempenho, temperatura e autonomia poderão variar conforme o notebook.
RTX Spark aposta em jogos, criação de conteúdo e IA
A NVIDIA desenvolveu a RTX Spark para atender três frentes: jogos, aplicações profissionais e inteligência artificial local.
Jogos com DLSS 5 e ray tracing
A GPU Blackwell oferece suporte às tecnologias RTX, incluindo ray tracing, DLSS 5 e Reflex.
Segundo a NVIDIA, a plataforma pode executar determinados jogos populares acima de 100 quadros por segundo em 1440p, dependendo do título e das configurações utilizadas. Pelas especificações apresentadas, a versão mais avançada da RTX Spark pode entregar um desempenho gráfico próximo ao de uma GeForce RTX 5070 dedicada, embora ainda sejam necessários testes práticos para confirmar essa equivalência.
Como a CPU utiliza arquitetura ARM, a compatibilidade com jogos desenvolvidos para x64 será um dos principais desafios. Para isso, a NVIDIA trabalha com a Microsoft em otimizações para o Windows ARM e para a camada de emulação Prism.
As empresas também buscam ampliar a compatibilidade com sistemas antitrapaça de jogos competitivos, que podem exigir adaptações específicas.
Criação de conteúdo
A RTX Spark também é voltada para edição de vídeo, tratamento de imagens e renderização 3D, com aceleração para aplicativos como Photoshop, Premiere Pro, Blender e NVIDIA Broadcast.
A arquitetura Blackwell inclui recursos de codificação e decodificação de vídeo 4:2:2 e suporte a ferramentas de geração de imagens e vídeos por IA, como o ComfyUI.
Durante o evento, a NVIDIA apresentou fluxos de trabalho com modelos generativos e afirmou que determinadas tarefas permitem produzir vídeos em 4K a 60 fps em poucos minutos, conforme o modelo e as configurações utilizadas.
Inteligência artificial local
A combinação de Tensor Cores e memória unificada permite executar modelos de linguagem de grande porte diretamente no computador, reduzindo a dependência de servidores externos.
A NVIDIA demonstrou agentes capazes de analisar documentos, organizar arquivos, pesquisar informações e automatizar tarefas em aplicativos.
Entre as ferramentas apresentadas estão Hermes e NVIDIA PAir, voltadas à execução de agentes e à distribuição de processamento entre dispositivos.
A Microsoft também trabalha em recursos para facilitar a instalação desses agentes no Windows e ampliar os controles de segurança e acesso a dados.
O processamento local pode trazer vantagens de privacidade e reduzir custos com serviços de IA, embora determinadas funcionalidades ainda dependam de conexão com a internet ou de modelos na nuvem.
RTX Spark terá duas configurações
A NVIDIA apresentou duas versões do RTX Spark N1X, diferenciadas pela quantidade de núcleos de CPU e GPU.
A configuração de entrada possui 18 núcleos de CPU, sendo nove de desempenho e nove de eficiência, além de uma GPU Blackwell com 5.120 CUDA Cores. Ela será utilizada principalmente em notebooks com 24 GB ou 32 GB de memória RAM unificada.
A versão avançada oferece 20 núcleos de CPU, 6.144 CUDA Cores e opções que chegam a 128 GB de RAM.
Segundo a fabricante, as especificações dos computadores permitirão identificar qual configuração está presente em cada modelo. A oferta de memória dependerá do equipamento.
Desktops compactos chegam em novembro
Além dos notebooks, a NVIDIA confirmou desktops compactos com a configuração avançada do chipset: CPU de 20 núcleos, GPU de 6.144 CUDA Cores e 64 GB ou 128 GB de memória unificada.
A proposta é oferecer computadores pequenos e eficientes, inclusive para executar agentes de inteligência artificial continuamente.
Preço e disponibilidade
Os primeiros notebooks com NVIDIA RTX Spark chegam ao mercado em 16 de outubro de 2026, com preços a partir de US$ 2.599.
Os equipamentos serão posicionados inicialmente no segmento premium, com foco em desempenho e portabilidade.
Já os desktops compactos estão previstos para novembro, com versões de 64 GB e 128 GB de memória unificada.
Até o momento, não há confirmação de preços ou disponibilidade no Brasil. A fabricante também não apresentou, nos materiais fornecidos ao Canaltech, uma relação completa dos modelos comerciais.
Além do lançamento do Spark, rumores também sugerem que a NVIDIA tem planos de lançar a nova RTX 5080 com 24 GB de memória, para aposentar modelo com 16 GB.