Google começou a usar celulares antigos para criar data centers do Gemini
Por Raphael Giannotti • Editado por Jones Oliveira |

Data centers entregam poder computacional muitas vezes superior ao melhor PC que se pode ter em casa. Além disso, esses super computadores demandam muito mais energia. O Google, um dos maiores players nesse segmento, teve uma ideia um tanto inusitada que resolve o tamanho necessário de servidores, consumo de energia, mas mantendo alto desempenho: clusters com milhares de smartphones para processamento de IA em nuvem.
Em um documento intitulado "Uma plataforma de computação de baixo carbono feita a partir dos seus celulares sem uso", o Google explica que o projeto está sendo feito em parceria com a Universidade da Califórnia, com o objetivo de entregar computação em nuvem para estudantes e pesquisadores, com 2.000 smartphones Pixels "reduzindo a necessidade de hardware recém-fabricado e as emissões associadas a ele".
Smartphones têm desempenho single-thread de um servidor
A Big Tech menciona um levantamento dizendo que as pessoas trocam de celular, em média, a cada quatro anos. Os celulares descartados ainda têm o hardware em perfeito estado e ele pode ser usado para essa finalidade. Além disso, o Google afirma ainda que o desempenho de um núcleo dos smartphones modernos tem desempenho similar ou até melhor do que as CPUs de dezenas ou centenas de núcleos para servidores, como os AMD EPYC e Intel Xeon.
"O desempenho em single-thread dos núcleos de processador dos smartphones modernos está no mesmo nível ou é superior ao dos servidores multi-core modernos. A diferença mais significativa entre um smartphone e um servidor é o tamanho: os servidores contêm dezenas de núcleos de processador multi-thread poderosos e uma enorme capacidade de memória, enquanto um smartphone possui alguns núcleos de processador heterogêneos e de 8 a 12 GB de memória. Um dos principais desafios, portanto, é desenvolver aplicativos que se encaixem, ou que possam ser adaptados para se encaixar, na capacidade de um smartphone", explica o artigo.
Para que uma estrutura de data center com smartphones seja feita, é necessário se desfazer de tudo o que não seria útil, como câmera, carcaça, tela e bateria, já que esse "contem materiais não apropriados para um ambiente de data center". Os clusters estão sendo equipados com uma quantidade de 25 a 50 Pixels Fold de 2023. Segundo o Google, essa quantidade entrega desempenho similar a um "servidor tradicional" no benchmark SPEC e dá conta da demanda de uma sala de aula com mais de 75 alunos.
Enquanto isso, o Google também está transformando seu celular Pixel em um PC desktop com uma nova funcionalidade através do uso de um cabo USB-C.
Fonte: Google