De volta a 1950: IA força aumento de produção de fita magnética para armazenamento
Por Raphael Giannotti |
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Sabe quando falam "não há situação ruim que não possa piorar"? Esse é o caso da indústria de hardware e da crise pela qual passa no momento, forçando saídas inusitadas. A Fujifilm, por exemplo, está aumentando a produção de fita magnética em 5x para dar conta da demanda por meios de armazenamento por parte de data centers de IA.
A gigante japonesa anunciou um investimento de 10 bilhões de ienes (cerca de US$ 64 milhões) na sua fábrica de Kanagawa, localizada na cidade de Odawara, marcando seu maior aporte financeiro na tecnologia em duas décadas.
O plano da empresa abrange o período fiscal de 2026 a 2028 e responde diretamente ao volume sem precedentes de dados gerados no treinamento e inferência de modelos de inteligência artificial. Com os valores de unidades SSD e HDDs empresariais atingindo patamares proibitivos devido ao desabastecimento global, os servidores de nuvem e grandes data centers voltaram seus olhos para as fitas magnéticas como uma alternativa viável para o armazenamento de "dados frios", informações indispensáveis que precisam de preservação segura a longo prazo, mas raramente necessitam de acesso imediato.
O retorno do meio magnético frente aos custos de SSDs e HDDs
Embora pareça uma tecnologia do passado, o armazenamento em fita apresenta vantagens econômicas e ambientais expressivas para infraestruturas de grande porte. O custo de retenção de dados por terabyte em fitas magnéticas chega a ser um quarto do valor cobrado por discos rígidos tradicionais, sendo muito menor quando comparado ao custo de SSDs corporativos de alto desempenho. Além da economia financeira direta, a tecnologia consome consideravelmente menos energia em repouso.
O aporte financeiro da Fujifilm será focado na expansão e fabricação das fitas baseadas no novo padrão LTO-10. Os cartuchos da nova geração contam com capacidade nativa de 40 TB, podendo alcançar até 100 TB por unidade por meio de compressão de dados. O ecossistema LTO já prevê evoluções para a norma LTO-11 em 2029 (com 70 TB nativos) e projeções que atingem até 365 TB brutos por fita nas gerações futuras.
O crescimento da Fujifilm não está acontecendo só nesse setor, já que a gigante japonesa se estabeleceu como a terceira maior fabricante de câmeras do mundo, deixando a rival Nikon para trás.
