Hacker de Moro envia mensagens em grupo do CNMP: "é apenas uma amostra"

Por Rafael Rodrigues da Silva | 12 de Junho de 2019 às 17h20
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A noite de terça-feira (11) trouxe mais um capítulo para a novela “Sérgio Moro hackeado”, e esse parece ser daqueles: membros do grupo do Telegram do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) acharam estranho o tom das mensagens enviadas pelo conselheiro Marcelo Weitzel Rabello de Souza e, ao questioná-lo sobre se era mesmo Marcelo que estava enviando a eles essas mensagens, receberam como resposta “aqui é o hacker” — indicando que eles estavam falando com o hacker responsável por roubar as conversas pessoais do ministro Sérgio Moro que foram divulgadas neste fim de semana.

No último domingo (9) o site The Intercept Brasil publicou uma série de reportagens assinadas pelo jornalista Glenn Greenwald que revelaram que, durante o processo de julgamento que culminou na prisão do ex-presidente Lula, Moro manteve contato com o procurador do processo, Deltan Dallagnol. Nas conversas de Telegram divulgadas pela reportagem é possível ver que o então juiz colabora diretamente com a investigação, dando conselhos sobre como proceder nas audiências, sugerindo a mudança da ordem das fases da Lava Jato, e até adiantando o resultado da sentença que seria proferida por Moro no julgamento. A divulgação dessas mensagens mostrou que o juiz não era uma parte neutra do processo, revelando ainda que o processo correu em ritmo de urgência para impedir que Lula pudesse disputar as eleições para presidente em 2018.

Ao receber a mensagem do hacker, os conselheiros rapidamente ligaram para Marcelo, perguntando se era algum tipo de brincadeira que ele estava fazendo. Segundo reportagem do Estadão, Marcelo negou a possibilidade da mensagem ter sido algum tipo de “pegadinha”, e garantiu que não estava nem perto do celular no momento que as mensagens foram enviadas.

Além de se revelar para o grupo, o hacker avisou que os vazamentos feitos pelo site The Intercept são “apenas uma amostra do que vocês vão ver na semana que vem”, deixando claro que possui muitos mais segredos sobre o sistema de justiça brasileiro que deverão ser revelados nos próximos dias. Essa não é a primeira vez que o mesmo hacker usa de suas habilidades para assustar os poderosos do Ministério Público, e logo depois das reportagens do Intercept ele chegou a ligar para o ministro Sérgio Moro de um número de telefone que era o mesmo do celular do ministro, para provar que ele havia mesmo clonado o aparelho.

No momento, a Polícia Federal está investigando quem é a pessoa (ou o grupo de pessoas) que hackeou os celulares de diversas figuras do Ministério Público, entre eles o do ministro Sérgio Moro. Por enquanto, nenhuma das vítimas do hacker veio a público negar a veracidade das conversas divulgadas, o que pode indicar que o conteúdo divulgado pelas reportagens de Greenwald é verdadeiro.

Fonte: Estadão

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