Celular de Janot foi o primeiro a ser invadido por hacker, afirma PF

Por Rafael Arbulu | 14 de Junho de 2019 às 10h09

A Polícia Federal concluiu investigação preliminar que indica que o smartphone do ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, foi o primeiro a ser invadido pelo suposto hacker que teve acesso às conversas do ministro Sérgio Moro e seus diálogos com o atual procurador, Deltan Dallagnol. Segundo a autoridade, foi por meio do celular de Janot que o invasor teve acesso aos grupos de Telegram onde se encontravam arquivadas as conversas entre as duas partes, vazadas pelo site The Intercept Brasil nesta semana.

Segundo matéria do G1, que apontou as conclusões da PF, após a invasão ao aparelho de Janot, o tal hacker também invadiu smartphones de procuradores da Operação Lava Jato no Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, cerca de 10 autoridades relataram tentativas de invasão de seus aparelhos. Entretanto, não se sabe em quais casos as conversas foram copiadas.

A Polícia Federal afirmou que, durante a investigação conduzida em nome de quatro inquéritos abertos para apurar o caso, muitos dos smartphones não estavam com o recurso de verificação de login em dois passos. Nós já falamos deste sistema aqui no Canaltech: trata-se de uma camada extra de segurança, além do login, em que um código de ativação é enviado ao número da linha que pede a conexão. A PF determinou que a não ativação dessa função é o que permitiu as supostas invasões.

Sérgio Moro, hoje Ministro da Justiça do governo Bolsonaro, era juiz federal incumbido de julgar o caso do ex-presidente Lula: mensagens do Telegram vazadas implicam o magistrado em irregularidades de procedimento na Operação Lava-Jato

Os investigadores asseguram que o invasor é alguém com pleno conhecimento das figuras responsáveis pela operação que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão e trabalham com a ideia de que esta pessoa é brasileira, atuando dentro do país ou prestando auxílio a algum elemento estrangeiro.

"Precisamos saber do que se trata, não temos visão segura de que é hackeamento”, disse o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, a jornalistas pouco antes de entrar em sessão pela Casa.

“Esse é o grande problema hoje, no mundo todo. Estamos vivendo essa realidade. Por qualquer descuido nossas mensagens ficam à disposição. Temos hoje no tribunal o plenário virtual, veja o tumulto que pode ocasionar uma invasão. Preparamos votos no sistema, muitas vezes deixamos votos em elaboração, podemos mudar esse voto. Imagine o hackeamento, a violação no meio da preparação de um voto, isso tem resultados trágicos, passa a ter valor de mercado. Isso é muito grave. Evidentemente que todos nós devemos nos preocupar com essa questão da segurança, é preciso tomar providências em relação a isso, é tema extremamente sério".

No último domingo (9), o The Intercept divulgou conversas travadas entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, nas quais o primeiro ofereceu ao segundo orientações e opiniões de procedimentos no caso do ex-presidente Lula. Na época das conversas, Moro era juiz federal responsável pelo julgamento do caso, enquanto Dallagnol era o procurador responsável por chefiar a investigação. Pela norma legislativa, um juiz escalado para um determinado caso não pode orientar as forças de investigação (ou de defesa) deste mesmo caso, constituindo, assim, uma ilegalidade.

Moro e Dallagnol negam qualquer irregularidade.

Fonte: G1

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