Vale a pena comprar um Xbox Series S?

Vale a pena comprar um Xbox Series S?

Por Felipe Ribeiro | 16 de Dezembro de 2020 às 11h45

Quando anunciado, o Xbox Series S foi muito comemorado por analistas e jogadores. A promessa da Microsoft era de entregar um console capaz de trazer todos os benefícios e melhorias da nova geração, mas com um preço mais acessível, de modo a proporcionar com que mais pessoas pudessem estar atualizadas com o que há de mais moderno no segmento de videogames de mesa. Aqui no Brasil, seu preço sugerido é de R$ 2.799, um pouco a mais do que custava o Xbox One S há até pouco tempo.

Suas diferenças para o irmão maior, o Xbox Series X, não são tantas, mas são importantes. Como já mostramos em uma análise completa aqui no Canaltech, o Series S tem menos poder de fogo, é verdade, mas é sim capaz de trazer melhorias gráficas e proporcionar uma jogatina de nova geração, com tempos de carregamento ínfimos, maior fluidez nos jogos, taxas de quadros a 120 FPS e, em alguns casos, até o Ray Tracing, recurso dos mais pedidos pelos jogadores de console e que antes estava restrito aos jogos no PC.

Com a chegada de ambos os consoles no mercado, a alta demanda e os estoques limitados fizeram com que o Xbox Series X se esgotasse muito rapidamente, ao contrário do Series S, que é encontrado com relativa facilidade nas varejistas brasileiras. Mas será que, na experiência de uso, essa diferença nas vendas se justifica?

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(Imagem: Felipe Ribeiro/Canaltech)

É claro que a experiência de uso varia de pessoa para pessoa. No meu caso, por exemplo, estou com um Xbox Series S desde seu lançamento e o relacionamento com o aparelho é dos melhores. Mas, pensemos que existem pessoas que não estão dentro da bolha dos jornalistas, influenciadores e early adopters e querem um videogame que lhe coloque na nova geração, rode os principais games lançados e que seja acessível, mesmo custando muito caro aqui no Brasil. Será que um Series S já não o atenderia?

Depois de um mês com o console a resposta é: sim. E a explicação passa por alguns requisitos desse aparelho, que merece todo o nosso respeito.

Mesma tecnologia e arquitetura...

Por mais que a justificativa para a compra de um Xbox Series S seja a experiência de uso, vamos dar uma breve introdução de sua parte técnica.

O Xbox Series S tem dentro de si as mesmas tecnologias apresentadas pelo seu irmão maior, o Xbox Series X, mas com algumas diferenças técnicas e físicas. A começar pelo tamanho bem menor e a ausência de um leitor de discos, o que ajudou na redução de custos.

O processador é exatamente o mesmo: um AMD Zen 2 personalizado de oito núcleos, mas com clock máximo reduzido para 3,6 GHz em prol da eficiência energética e térmica. A GPU, por sua vez, traz consigo a mesma arquitetura do Series X, a novíssima RDNA 2, da AMD, mas tem menos poder de fogo: apenas 20 unidades computacionais rodando a 1.565 MHz e poder de fogo de 4 TFLOPS.

O Xbox Series S tem um design compacto e que se adapta em vários ambientes (Imagem: Felipe Ribeiro/Canaltech)

A memória GDDR6 de 16 GB foi para 10 GB em interface de 128-bit, que serão segmentados em 8 GB para jogos (224 GB/s de largura de banda) e 2 GB para sistema e outras atividades (56 GB/s). O armazenamento também é menor e, ao invés dos 1TB, o console tem à disposição 512 GB, mas com a mesma tecnologia NVMe.

Mesmo após inúmeras explicações da Microsoft e de desenvolvedores, que garantiram que o console não vai atrasar a geração por conta desses números, ainda existem pessoas céticas com relação ao que o Series S pode entregar, e isso passa, e muito, pelas produtoras. Uma nova arquitetura e a necessidade de ainda fazer jogos para o Xbox One certamente são empecilhos para um aproveitamento melhor desse hardware, tanto do Series X quanto do S.

Mas como isso nos afeta na prática? Simples: tudo é muito rápido dentro de um Xbox Series S.

Desde a configuração para o primeiro uso até o momento em que estamos jogando, tudo acontece de um modo muito mais rápido e fluido do que no Xbox One X, por exemplo. Mas, o sinal de que estamos mesmo em uma nova geração vem nos primeiros momentos do funcionamento de um jogo: o tempo de carregamento.

Muito embora ainda existam poucos jogos realmente otimizados para o Xbox Series S, fizemos alguns testes com games por meio da retrocompatibilidade. Jogos que antes chegavam a irritar, hoje se tornam muito mais atrativos por conta dessa velocidade toda, que é proporcionada não apenas pelo armazenamento SSD, mas também pela Xbox Velocity Architecture, que ajuda nesse funcionamento ultraeficiente.

Um game como Dragon Ball FighterZ, que levava perto de 30 segundos no Xbox One X para iniciar uma única luta devido à tela de carregamento, no Series S dificilmente ultrapassa os dois segundos. É uma diferença brutal, mesmo sem qualquer patch de atualização para a nova plataforma.

Para o caso dos jogos otimizados, a diferença é ainda maior. Em FIFA 21, por exemplo, não há mais tempo de carregamento: você simplesmente escolhe os times, faz seus ajustes e vai para o jogo de imediato, sem a necessidade de ficar na arena batendo bola. Isso sem falar na óbvia melhoria visual, que tornou o jogo ainda mais bonito (ver mais abaixo).

Há, também, mais títulos que rodaram de maneira bem melhor do que suas versões padrão no Xbox One e S, Xbox 360 e Xbox original, seja no desempenho, seja no visual, como Minecraft Dungeons, Assassin's Creed: Odyssey, Ultra Street Fighter IV, Black e Ori and the Blind Forest, para citar alguns.

...fazem os jogos rodarem melhor

A promessa da Microsoft com o Xbox Series S era de entregar jogos de nova geração tendo como meta a resolução 1440p e até 120 FPS. Os únicos jogos a conseguir isso, por enquanto, foram Gears 5, que foi completamente otimizado para o console e consegue entregar tal desempenho, e Ori and the Will of the Wisps, que embora não atinja os 120 FPS, tem resolução 4K nativa em boa parte do tempo.

Com o adiamento de Halo Infinite para 2021, os novos Xbox Series X e S ficaram sem um grande lançamento com o selo Xbox Game Studios. No entanto, empresas como a EA, SEGA e Ubisoft já lançaram games otimizados para os novos consoles da Microsoft. Por aqui, já testamos três: Yakuza: Like a Dragon, Mortal Kombat 11 Ultimate e FIFA 21.

No caso do RPG japonês, as melhorias estão mais na parte técnica do que propriamente nos gráficos, muito embora ele esteja lindo no Xbox Series S. Entretanto, por aqui, a grande vantagem é poder jogar no modo de alta resolução, que deixa Yakuza com 1440p de resolução, mas gameplay travado em 30FPS, ou no modo normal, que eleva as taxas de quadros por segundo para 60FPS, mas limita a resolução a 900p.

Yakuza: Like a Dragon está lindo no Xbox Series S (Captura de Tela: Felipe Ribeiro)

Já no jogo de futebol da EA, a melhora foi significativa. Além do que já mencionamos com relação aos tempos de carregamento, houve sim uma evolução visual considerável. Para elucidar, colocamos abaixo dois momentos de gameplay, um com a versão de Xbox One X e outra no Series S para você comparar.

Xbox One X

Xbox Series S

Xbox Game Pass

Além das situações referentes à experiência de uso, lembremos que ainda estamos no início da nova geração de consoles. Ou seja, não apenas o Xbox Series S, mas o Series X e o PlayStation 5 ainda terão muitas melhorias e novos jogos à disposição. No caso dos videogames da Microsoft, os títulos prometidos para o início da geração devem chegar ao longo de 2021, mas enquanto isso não acontece, outros jogos chegaram na mesma época em que os novos videogames, como Assassin's Creed Valhalla, Watch Dogs: Legion, Cyberpunk 2077 e os já citados Yakuza: Like a Dragon e FIFA 21.

Mas, outro requisito que é, de fato, um atrativo a mais para dar uma chance ao Series S é o Xbox Game Pass, o serviço de jogos por assinatura da Microsoft. Ao adquirir esse produto, o usuário terá à disposição mais de 150 jogos de Xbox, Xbox 360 e Xbox One por meio da retrocompatibilidade, além dos jogos first party feitos sob o guarda-chuva do Xbox Game Studios que chegarão logo no primeiro dia ao serviço. Portanto, games como The Medium, Halo Infinite, Forza Motorsport, Fable e o recém-anunciado Perfect Dark poderão ser jogados pelos assinantes em seus respectivos lançamentos.

As assinaturas do Xbox Game Pass Ultimate, que também engloba a Xbox Live Gold, o serviço online do Xbox, partem de R$ 44,90 (plano mensal).

Melhor custo-benefício

Levando em conta todas as valências técnicas e sua experiência de uso, vale muito a pena comprar um Xbox Series S, independentemente se você for um jogador mais casual ou hardcore. Dotado de todas as tecnologias presentes em seu irmão maior, o Xbox Series X, o Series S pode, sim, entregar uma vivência de nova geração.

Além disso, seu preço mais convidativo é outro diferencial e deve ser levado em conta sobretudo se você usa o console apenas para jogar games como FIFA, GTA e outros blockbusters.

O Xbox Series S pode ser encontrado no varejo nacional pelo preço sugerido de R$ 2.799.

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