Review Pokémon Pokopia | A jóia da coroa de toda uma franquia
Por Diego Corumba • Editado por Jones Oliveira |

Em 2020, a Nintendo lançou Animal Crossing: New Horizons e colocou sob os holofotes a maestria de um bom jogo cozy game. Agora, em 2026, ela traz Pokémon Pokopia para elevar esse patamar com a força dos monstros de bolso.
O lançamento não poderia ser mais oportuno. A franquia passou por vários altos e baixos na geração Switch, com evidentes espaços para melhorias. Com muita controvérsia e temores pelo seu futuro, os fãs mantinham expectativas baixas em relação à Game Freak.
Recebido com descrença e ceticismo ainda nos primeiros anúncios, Pokémon Pokopia contudo surpreenderá o público. Como uma manada de Tauros, ele atropela toda e qualquer dúvida com muita qualidade, um trabalho primoroso e atencioso, que evidencia o carinho dos devs pela saga.
Prós
- É o cozy game definitivo do Switch 2
- Desempenho ímpar
- Transmite todo o carisma dos monstrinhos com sucesso
- Narrativa muito bem integrada à franquia
Contras
- Carece de ferramentas melhores para construção
- Alguns glitches se tornam bastante incômodos
O mundo de Pokémon Pokopia
Um dos grandes diferenciais da obra é que você não joga como um humano ou tem múltiplos monstrinhos como opções de protagonista. Você interpretará o papel de um Ditto, que deseja reencontrar seu treinador.
Ao lado do Professor Tangrowth, eles buscam compreender o que aconteceu com os seres humanos e por qual razão não se fazem mais presentes como no passado. Para isso, eles decidem reconstruir as cidades para atraí-los.
E é aí que começa a sua jornada. Crie habitats para chamar Pokémon para te ajudar nesta tarefa, remonte Centros Pokémon, ligue a energia, crie estradas, cultive frutas e vegetais e monte toda uma comunidade nos mapas.
Com diversos deles disponíveis, também há uma grande variedade de monstros de bolso em Pokémon Pokopia. Entre cidades nas nuvens, regiões cavernosas, praias e outras, você tem de encontrar aliados para atingir o seu objetivo principal.
Além de contar com os aliados e suas habilidades (cortar madeira, fazer crescer plantações mais velozmente, forjar itens etc.), você como Ditto pode copiar algumas delas para te auxiliar. De jogar água, mover rochas pesadas até nadar e planar, elas ajudam a desbloquear ainda mais conteúdo.
“A possibilidade de explorar céus e mares expande muito mais a aventura dentro das regiões e permite conhecer novos monstrinhos” - Diego Corumba
Dito isso, sua tarefa é encontrar mais criaturas para te ajudar e desenvolver um lugar para atrair humanos — com construção de diversas estruturas. Assim, você desbloqueará novas áreas para prosseguir em sua busca. Todavia, você será obrigado a fazer tudo isso? Não.
A parte boa é que Pokémon Pokopia, como cozy game, permite fazer isso no ritmo que bem desejar. Dá para “rushar” e fazer tudo o quanto antes? Claro que sim. Porém, se quiser passar 20 horas só para organizar a primeira área, criar habitats e conviver com as criaturas, também dá.
Óbvio que, conforme avança, você terá um arsenal maior de ferramentas e itens para aprimorar este trabalho. No entanto, literalmente nada te impede de ficar um sábado ou domingo inteiro de pernas para o ar, na boa convivência com seus colegas de área.
Cada região exige que você atinja ao menos até o nível 5 de qualidade e monte o Centro Pokémon. Ainda assim, é possível perder horas ou até dias para montar casas para os aliados, atender aos seus desejos (que são vários), decorar as casas e coletar recursos.
Uma performance invejável
Se a Game Freak se atrapalhou toda em Pokémon Scarlet & Violet em 2022, em Pokémon Pokopia eles mostram que fizeram a lição de casa e trouxeram uma verdadeira obra-prima do desempenho no Switch 2.
Você só vê telas de carregamento ao iniciar a experiência ou na hora de trocar de área. Assim que entra em uma, é possível enxergar tudo, entrar onde quiser e destruir e construir o que bem desejar de forma instantânea.
De longe, consegue enxergar os monstros de bolso levantarem um prédio, cuidarem de alguma tarefa que os atribuiu e ter uma visão geral — mesmo de cima, quando conquista a habilidade de planar, por exemplo.
“Em mais de 80 horas de jogo, não senti lentidão ou qualquer engasgo, o que me deixou muito surpreso” - Diego Corumba
Infelizmente, Pokémon Pokopia não está livre de bugs e alguns glitches. Não é incomum ver as criaturas atravessarem alguma parede, estarem com a cabeça pela metade por ter algum objeto em determinada escala e coisas do gênero.
Isso pode atrapalhar em alguns momentos, como no instante que interage com algumas delas ou até recruta os seus aliados. Neste último, principalmente, se torna muito irritante.
Para alguns, dos mais de 300, ver isso em 9 ou 10 pode não ser um grande problema, mas todas as vezes que isso ocorre te deixará um “sabor amargo” pela situação. Não é recorrente, mas quando ocorre, vai te tirar do sério.
A trilha sonora é excelente e devo parabenizar a Game Freak pela incrível ideia de espalhar CDs com músicas clássicas de vários dos seus jogos pelo mapa — que podem ser tocados quando desbloqueia o Rotom na forma “caixa de som”.
O roteiro dele também é belo e vai bater forte em quem acompanha a franquia desde os seus primórdios. Quando você começa a compreender onde está, o que aconteceu e ler os documentos escondidos em todas as áreas, notará o quão rica foi toda a experiência.
Além disso, há inúmeras referências a toda a franquia escondidas por diversas regiões. Revistas com entrevistas aos antigos líderes de ginásio, elementos no mapa, presença de criaturas que presenciaram momentos “históricos” e outros que abraçam todo o lore e mostram que, mesmo 30 anos depois de seu início, a saga ainda tem muita força junto aos fãs.
O ponto baixo de Pokopia
Além dos bugs e glitches mencionados, também vale um espaço para reclamar sobre as técnicas de construção que o jogo oferece, principalmente no início da experiência. Levantar uma casa ou uma construção “na mão” é uma tarefa extremamente lenta e desmotivante, por mais que todo o resto alivie isso.
Para destruir é uma maravilha, basta usar o seu “Rock Smash” ou copiar certos Pokémon que aparecem ao se avançar na trama para fazer isso rapidamente. No entanto, erguer estruturas é um trabalho maçante e creio que poderiam ter atualizações para aprimorar este tipo de atividade.
O uso da função mouse do Joy-Con 2 ajuda bastante, mas segue longe do ideal em Pokémon Pokopia. Jogos para PC fazem isso muito bem desde sempre, mas a Game Freak e a Omega Force não aproveitam este tipo de mecânica dentro do Nintendo Switch 2. Um “modo deus”, que permite ver de cima, das laterais e montar como quiser seria muito bem-vindo.
Dá para construir tudo com layouts pré-definidos pelo game. Isso é o “de menos”. Entretanto, a progressão mostra que há itens ainda melhores e que tornam os prédios (paredes, chãos e escadas) mais belos — todavia, os jogadores são “punidos” por seguir este caminho, com lentidão e marasmo. Este aspecto me fez deixar isso para depois, para não barrar o avanço.
Para concluir, isso, em um cozy game, é um terreno perigoso. Quando se quer fazer algo e o próprio jogo te impede, exceto por barramentos narrativos ou de gameplay, a situação escala para a linha tênue entre incômodo e problema. Pokopia é maravilhoso e não acredito que alguém largaria ele por esta razão, mas é inevitável bater nessa muralha enquanto joga.
Um novo nível para o gênero
É inevitável comparar o título com Animal Crossing: New Horizons, que apesar de ter propostas e escalas distintas, pertencem à mesma categoria. E é seguro afirmar que Pokémon Pokopia consegue subir o padrão e “fazer mais” que o sucesso da Nintendo do ano de 2020.
Isso não quer dizer que é melhor, até pelo que cada um promete. No entanto, ele fornece aos jogadores mais ferramentas, infinitamente mais personagens para lidar — afinal de contas, um elenco com 300 criaturas não é pouca coisa — e um playground maior para se brincar.
É como se você estivesse na sua infância, com uma caixa de brinquedos cheia dos monstros de bolso e pudesse brincar com todos eles. Se não é fã da franquia, isso é um prato cheio para muita diversão. Se é, então, se torna uma experiência marcante e que tem tudo para gerar conforto e alegria.
Pokémon Pokopia já pode ser considerado o carro-chefe do Nintendo Switch 2 em 2026 e possivelmente o veremos estrelar entre os melhores do ano. Inclusive, ele tem um longo trabalho para manter o público aquecido até a chegada de Ondas e Ventos, em 2027.
Como um respiro agradável em meio à tempestade de lançamentos desastrosos e questionáveis da franquia, a aventura de Ditto se destaca pela simplicidade e por um trabalho primoroso da Game Freak e da Omega Force. Que a série saiba tratar melhor spin-offs e até os games da série principal como este no futuro, com certeza todos seriam mais felizes assim.


