Review de Rhythm Heaven Groove | Feliz no simples
Por Diego Corumba | •
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A franquia Rhythm Heaven, que nasceu e conquistou o coração de milhões de fãs em 2006, finalmente chegou à nova geração. Em Rhythm Heaven Groove, você deve continuar a acertar o ritmo, mas agora pela primeira vez no Switch.
O título rítmico é composto por dezenas de minigames, todos com um carisma próprio e cheios de surpresas. Embora tudo se resuma a acertar o botão no tempo certo, a diversão que ele traz justifica toda a simplicidade.
Sem grandes ambições, a obra acerta exatamente ao cumprir com a promessa de trazer uma experiência agradável para o público. Deste modo, não espere algo disruptivo, mas sim algo feito para atender à falta de games do gênero no mercado.
Se você já é um fã antigo ou chega agora na saga, Rhythm Heaven Groove pede pouco espaço e rende muitas risadas — assim como exige apenas que você tenha coordenação motora para cumprir as suas missões.
Prós
- Os minigames são excelentes
- Há um grande cuidado para adaptar ao console
- É acessível ao mesmo tempo que traz desafios
- Repleto de carisma
Contras
- A curva de dificuldade é inconsistente
- Não usou todo o seu potencial
A batida de Rhythm Heaven Groove
Logo que você inicia o game, se depara com um cuidado gigantesco com a forma como os jogadores vão desfrutar da experiência em um console de mesa moderno.
Portáteis sempre tiveram uma resposta veloz na tela, o que os torna extremamente mais rápidos. Porém, em uma TV ou monitor isso nem sempre é possível. Neste sentido, Rhythm Heaven Groove faz todo o trabalho de calibração para não te desapontar.
Ao contrário de muitos que atribuem a falha de um desempenho ruim no hardware dos usuários, fiquei positivamente surpreso por reservarem um tempo para dar essa atenção e tornar o jogo ainda melhor — independentemente de onde joga.
Dito isso, se você já é um fã da franquia, sabe bem o que esperar do próprio título. Não há muitas “novidades” por assim dizer. Ainda assim, Rhythm Heaven Groove surpreende com tanto carisma.
Coisas simples como cortar verduras, gravar um comercial para carros e participar de testes de jogos 8-bit se tornam sorrisos no rosto, pela genialidade, design e pela música que combina perfeitamente com cada cenário.
“É impressionante como já faz 20 anos desde o primeiro título e o acerto entre músicas e o ritmo continuam o ponto alto da saga”, Diego Corumba
Torna-se ainda mais incrível como ele foi feito para cada pessoa, de acordo com o próprio gosto, ter seus favoritos. Como são mais de 80, com certeza haverá alguns que você amará, outros que nem tanto, mas que serão o de amigos, parentes e de mais gente.
Ainda assim, se tem algo que todos carregam é uma alma. Dá para ver que alguém pensou com carinho, tornou aquilo o mais divertido e encantador possível e funciona muito bem. Mesmo que odeie um ou outro, não conseguirá achá-los ruins.
Acredito que essa é a grande força de Rhythm Heaven Groove, que pode não ser um blockbuster ou ter um nome de peso na indústria de jogos, mas que vai divertir a todos que derem uma chance ao lançamento — sem exceções.
Criatividade em alta
Com isso em vista, não é possível fazer qualquer análise deste game sem mencionar como os minigames são excelentes, cada um à sua maneira.
Impressiona como foram tão criativos e tiveram tanto carinho com cada um, o que torna toda a experiência melhor. Apertar um botão, uma sequência de dois ou três e até segurá-los de várias formas a cada um deles soa “único”.
A impressão que passa é que existia uma base na qual construíram do zero o gameplay de cada um deles, com o mesmo nível de atenção e zelo. Você nunca sente que um é igual ao outro ou que as mecânicas são similares.
Todos possuem um pequeno tutorial no início, que serve bastante para ajudar quem não tem tanta coordenação. Porém, a magia acontece na própria experiência, cujas situações são levemente diferentes e trazem desafios.
“Muitas vezes o tutorial foi algo besta e o jogo me bateu, outras passei sufoco na hora de aprender e depois Rhythm Heaven Groove foi tão fácil que me fez rir do quanto apanhei”, Diego Corumba
Esse contraste foi muito interessante e é bem raro de se ver em um título. É a fórmula perfeita para não ser o “Jogo do Ano”, mas sim o favorito de muitas famílias — ao menos até lançar um novo, tomara que não a muitos anos depois.
Um ritmo fora da curva
Apesar de Rhythm Heaven ser um jogo maravilhoso, ele não escapa de uma batida errada em alguns momentos (perdão pelo trocadilho). Uma delas é justamente a dificuldade, que pode ser um empecilho para uma parcela da comunidade.
Ele não é extremamente difícil, mas a curva é muito inconsistente: tem minigames, no início, que são mais complexos que muitos que vê nos estágios mais avançados. Cada um deles é uma surpresa, o que pode complicar em determinados trechos.
Em outras palavras, um deles pode ser a coisa mais fácil do mundo e você passar sem perder um mísero clique, no outro sofrer um travamento de 5 a 10 minutos até acertar o tempo no tutorial para, aí sim, entrar na fase.
Também acredito que há muito potencial desperdiçado nesta oportunidade. Trechos como o Beatspell poderiam ter sido muito mais criativos e agregar um grande diferencial para Rhythm Heaven Groove — contudo, se mantêm no básico.
“Não queria algo no nível Ring Fit Adventures ou algo do gênero, mas seria interessante ver usarem os ritmos para aprofundar um pouco mais a experiência para além do lugar comum”, Diego Corumba
O fato de algumas fases especiais estarem presas a medalhas e performance também pode desanimar alguns jogadores, já que exige um aperfeiçoamento quase hercúleo para realizar todos os movimentos sem erro em alguns dos minigames.
Vale a pena jogar Rhythm Heaven Groove?
Se levar em consideração que, em 20 anos, a franquia teve apenas quatro títulos e este é espetacular, seria um erro não dar uma chance a ele quando possível. Não será o game da sua vida, mas vai te entregar o que muitos falham: diversão.
Alguns títulos como Clair Obscur: Expedition 33, Mina The Hollower e Disco Elysium podem ser vistos com uma “alma”. Os devs produziram tudo com muito carinho e atenção. É justamente neste lugar que Rhythm Heaven Groove se encaixa.
Você pode não gostar de um ou outro minigame, pode ser até ruim em jogos rítmicos — o que é mais comum do que você pensa —, mas se tem algo que julgo muito difícil ver é alguém que odiou ou o achou ruim.
Vale notar que ele não é vendido pelo preço cheio, com o jogo lançado por R$ 219,90 na Nintendo eShop. Se encontrá-lo em promoção ou tem algum gift card na manga, use-o que as chances de arrependimento beiram a zero.
Este pode ser o último respiro do console híbrido de 2017, já que a Nintendo encerra produção de Switch na Europa. Confira.
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