Análise | Burnout Paradise Remastered chega com muito atraso ao Switch

Por Wagner Wakka | 13 de Julho de 2020 às 09h05
Wagner Wakka/Canaltech
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Ficha técnica

Na geração do PlayStation 2, existiam basicamente dois tipos de jogos de corrida e jogadores do gênero. De um lado, o Gran Turismo prometia gráficos e física realistas, para quem queria exatamente um simulador de velocidade. Do outro, havia a série Need for Speed, levando toda a estética dos fliperamas para versões de consoles mantendo ainda a diversão.

Apesar de buscarem públicos distintos, Need for Speed ainda mantinha certa aproximação com a realidade, trazendo carros oficiais como as Ferraris. Acontece que a série no PlayStation 2 se consagrou especialmente por oferecer batidas e acidentes que Gran Turismo insistia (e insiste até hoje) em deixar fora de suas pistas.

Foi o sucesso de acidentes exagerados e a busca por batidas que fez nascer a série Burnout. A Electronic Arts viu que existia um público em busca de colisões sem culpa dentro do mundo dos games e lançou um título cujo foco é criar os capotamentos mais cinematográficos.

A série teve um corpo grande de títulos até chegar a Burnout Paradise, lançado em 2008 para PlayStation 3 e Xbox 360. O que a EA buscava aqui era tirar uma casquinha de duas tecnologias em alta na época.

A primeira é o mundo aberto. Depois do sucesso da série GTA, todo mundo queria um jogo com mapa amplo para chamar de seu. No caso de Bournout, estamos falando da fictícia Paradise City (sim, a música de Guns n’ Roses é a primeira a tocar), com um amplo cenário pelo qual é possível andar livremente.

Outra característica explorada já lá em 2008 era o multiplayer online, também começando a ganhar corpo na época. A ideia era criar “rachas” pelas ruas da Paradise City, nas quais não há regras nem limites.

Em 2018, Burnout Paradise ganhou uma remasterização para PlayStation 4 e Xbox One, saindo também pela primeira vez para PC. É basicamente esta versão que chega, agora, também para o Switch em 2020. Será que vale no console da Nintendo?

Como é o jogo? 

Ao explorar a ideia de mundo aberto, Burnout Paradise não tem exatamente um modo carreira, com uma história para contar. Você controla um motorista novato (que pode ser de diferentes veículos entre carros e motos) na “cidade do paraíso”. Com isso, você tem uma habilitação para dirigir ainda muito primária e precisa vencer corridas e desafios para melhorar isso.

No mapa, há basicamente três pontos de interesse distintos. O primeiro é o ferro-velho, onde você troca de veículo e pode desbloquear carros e motos. Toda vez que você pega um carro aqui ele chega caindo ao pedaços.

Isso nos leva ao segundo ponto de interesse que são as oficinas e bombas de gasolina. Estes lugares servem para você restaurar seu carro prestes a explodir ou encher a barra de nitro do veículo.

Jogador pode escolher entre usar carros e motos (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Por fim, o último ponto de interesse são os eventos propriamente ditos, que podem envolver objetivos diferentes. Em um deles, é preciso vencer uma corrida simples em busca da primeira colocação entre um ponto A a um ponto B. Em outro, é preciso destruir a maior quantidade de inimigos possível. Em um terceiro, você é caçado e precisa chegar até uma rua determinada antes de ser capotado e explodido.

Em suma, há uma coleção bastante generosa de desafios que você precisa cumprir para melhorar sua carteira e poder pegar melhores carros e ir para corridas ainda mais desafiantes.

Explorando o híbrido

A vantagem de lançar um jogo de 2008 para um console atual é que é ter mais espaço para melhorias. É por isso que Burnout Paradise chega ao Switch com gráficos melhores (que a versão de 2008) e rodando a 60 FPS.

A alta taxa de quadros é importante para jogo no console da Nintendo. Isso porque Burnout Paradise não conta com velocímetro para ajudar a passar a alta impressão de velocidade de que um jogo de corrida necessita. Assim, a alta taxa de atualização colabora bem para dar este sentimento de rapidez.

Sendo ainda um game de 2008, não espere dele o título mais bonito e realista que você vai ver na sua vida. Novamente, a ideia aqui é uma gameplay de arcade, sendo que é mais importante bater nos outros do que exatamente fazer as curvas com precisão.

Também como um game da geração passada, Burnout Paradise explora algumas técnicas de game design para fazer tudo rodar bem ainda nos 60 FPS. Por isso, o jogador vai reparar que a densidade de carros é muito maior quando se está parado. Na medida em que a velocidade aumenta, contudo, o número de veículos que você encontra pelo caminho diminui.

Esta técnica permite que o hardware se concentre em fazer o carregamento da pista a seguir, diminuindo a quantidade de itens na tela. Desde GTA: San Andreas, a técnica já é usada.

Outra mecânica muito bem explorada para ajudar a exigir menos processamento do videogame é a de câmera lenta na hora das colisões. Quando o jogador bate ou elimina um adversário, o jogo fecha a tela no carro acidentado. Isso não somente cria uma imagem cinematográfica do acidente, mas também permite que o hardware não precise se preocupar com todo o entorno enquanto isso.

Com todas estas mecânicas e técnicas, é possível dizer que Burnout Paradise roda muito bem no Switch. São poucas as vezes que se vê um cenário que demora muito para carregar ou uma queda de quadros. Assim, em desempenho, ele se mostra muito bem portado para o console da Nintendo.

Com amigos

A melhor experiência de Burnout Paradise, com certeza está no online. Os desafios do modo single player são interessantes, mas o jogo brilha mesmo quando se jogam com outras pessoas.

O motivo para isso é bem simples. As fases não trazem exatamente uma pista exata a fechadinha como em uma corrida convencional. Nem mesmo é possível adicionar uma indicação no chão que mostra o caminho que você tem que fazer. Desta forma, decorar as ruas e o melhor trajeto depende de você.

Isso traz uma camada de desafio a mais para o mundo aberto de Burnout Paradise, recheado de cortes de caminho e pistas distintas pelas quais passar. Por exemplo, se você já é um corredor mais experiente, pode querer buscar um corte de caminho que, embora mais curto, também é mais arriscado, com pulos e curvas acentuadas.

Acidentes cinematográficos fazem parte de Burnout (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Ainda, é o modo online que os melhores acidentes acontecem, já que é bem mais difícil prever o que o adversário vai fazer do que jogando contra o computador.

O Switch não é um console conhecido por ter boa conectividade, mas a rede é toda gerenciada por servidores da EA. Assim sendo, o modo online funciona com honestidade sem muito erros. O principal problema aqui, contudo, é encontrar adversários para correr com você, o que pode demorar um pouco.

Peca mais uma vez nos controles

Uma das deficiências do Switch está exatamente no controle. Embora os joy-cons tenham suas tecnologias e funcionem bem para games casuais e multiplayer, eles pecam quando se é exigido mais deles.

Os gatilhos superiores ZR e ZL não têm variação de pressão, assim como há nos controles do Xbox One e PlayStation 4. Isso quer dizer que não é possível controlar a aceleração do carro, apertando só um pouquinho. Ou acelera tudo ou não acelera nada.

Jogo não traz bom controle dos carros (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Isso tira bastante da precisão de controle dos carros, fazendo com que não seja exatamente prazeroso correr. A impressão que se tem é que os controles são ainda da geração passada (ou para além disso, já que gatilhos com pressão variáveis já existiam no PlayStation 3).

Vale a pena? 

É preciso ter em mente que Burnout Paradise Remastered é ainda um port para Switch de um jogo de 2018, que por sua vez, é uma remasterização de um game de 2008. Assim, ele é um título com mecânicas e jogabilidades bastante datadas.

Embora haja muitas missões a se fazer, elas são pouco variadas em umas cinco ou seis categorias distintas. O mapa é vasto, mas com pouquíssimas construções que notórias, o que faz de Paradise City um lugar insonso e repetitivo depois de cinco horas de gameplay,

O título ainda ganha um ar de novidade quando se joga com outras pessoas online, mas também para na pouca variação de opções de corrida e mapas. Burnout Paradise Remastered oferece uma gama grande de mais de 180 veículos com que jogar. Contudo, pela falta de precisão nos controles e até pela proposta de arcade, nota-se pouco a diferente entre um e outro carro ou moto.

Mapa tem bastantes pontos, mas é o mesmo para o jogo todo (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Diante disso, Burnout Paradise Remastered é um reflexo do seu tempo, em muito a oferecer em 2020, quando se tem franquias como Need For Speed e Forza preenchendo muito bem a lacuna do arcade.

Soma-se a isso o fato de que o jogo também está disponível para PC, com resolução em 4K e taxa de quadros maior que no Switch, com controles melhores que os joy-cons. Junto disso, Burnout Paradise Remastered está em lançamento para o Steam (antes disponível somente par ao EA Origin) com 75% de desconto saindo por R$ 15. Na loja oficial da Nintendo no Switch, o game custa R$ 200. Definitivamente, não compensa.

Burnout Paradise foi desenvolvido pela Criterion em 2008 e remasterizado pela Stellar Enterteinment, com publicação pela EA em 2018 para Xbox One, PlayStation 4 e PC. No Nintendo Switch, ele chegou em 19 de junho de 2020.

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