Resident Evil Revelations tem falhas, mas é um dos melhores da série [Análise]

Por Sérgio Oliveira | 18 de Setembro de 2017 às 10h43

A Capcom segue frenética relançando títulos da série Resident Evil para os consoles da atual geração. E, depois de Resident Evil 4, 5 e 6, agora foi a vez de Resident Evil Revelations chegar ao PlayStation 4 e ao Xbox One - o Nintendo Switch ficou para depois, no final de 2017.

Lançado originalmente como um exclusivo para o Nintendo 3DS em 2012, o jogo agradou tanto os fãs que a Capcom se viu "obrigada" a portá-lo para o PlayStation 3, Xbox 360 e PC em 2013. Portanto, isso significa que a versão disponibilizada para os videogames da oitava geração já é, na verdade, o segundo retrabalho feito sobre o título de cinco anos atrás.

E o que exatamente explica essa necessidade de relançamentos a cada nova geração? A Capcom alega que são as melhorias que os consoles atuais podem proporcionar - embora todo mundo saiba que é a necessidade de faturar mais. Mas vamos nos esforçar um pouco e morder a isca lançada pela produtora japonesa.

Gráficos e jogabilidade refinados

Resident Evil Revelations realmente traz melhorias gráficas. Tanto é que o aspecto que mais chama atenção aqui são os gráficos em resolução 1.920 x 1.080 rodando a 60 quadros por segundo constantes. Graças a essa característica o título salta aos olhos do jogador com mais fluidez, texturas e cenários mais limpos e detalhados, animação melhorada e movimentação refinada. O trabalho, nesse sentido, foi muito bem feito e é difícil acreditar que o game foi lançado há meia década para um portátil.

Ainda falando de aspectos técnicos, o título conseguiu adaptar muito bem os controles e a jogabilidade originais do Nintendo 3DS. Ao invés de reinventar a roda ou fazer firulas, a Capcom optou por simplificar os comandos e limar algumas mecânicas que não davam para serem reproduzidas adequadamente. O resultado disso são controles simples, acessíveis e fluídos, que funcionam muito bem e não frustram a experiência como acontecia na versão de PS3 e Xbox 360.

Além dessas melhorias, no PS4 e XBO Resident Evil Revelations traz o novo modo Raid (uma espécie de "The Mercenaries") e todos os conteúdos adicionais que foram lançados para ele. Fora isso, ele é basicamente o mesmo jogo, com as mesmas qualidades e falhas, que todo mundo já conhece.

Controles e mecânicas de Resident Evil Revelations foram retrabalhados para tornar experiência mais fluída
Controles e mecânicas de Resident Evil Revelations foram retrabalhados para tornar experiência mais fluída (Divulgação: Capcom)

Trama e formato agradam

Onde a Capcom mais acertou a mão foi a história e o enredo focados no survival horror. Resident Evil Revelations traz de volta Jill Valentine como protagonista e a coloca dentro do Queen Zenobia, um navio à deriva no Mar Mediterrâneo, em busca de Chris Redfield - que desapareceu misteriosamente. Diferentemente do que vinha acontecendo nos títulos numerados da franquia, que contavam com mapas gigantescos, aqui o cenário para exploração é limitado, passando uma sensação de claustrofobia e nos fazendo lembrar da clássica Mansão Spencer.

Outra mudança interessante é a substituição dos tiroteios e da ação desenfreada em que Resident Evil estava mergulhado por um ritmo mais compassado, que lembra bastante o da trilogia original. Juntas, essas características contribuem para recriar a tão pedida atmosfera dos survival horrors do fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000.

Resident Evil Revelations reúne dois dos mais queridos personagens da série: Jill e Chris
Resident Evil Revelations reúne dois dos mais queridos personagens da série: Jill e Chris (Divulgação: Capcom)

A trilha sonora não deixa a desejar e é um dos elementos que mais colaboram para o envolvimento do jogador com a trama. Quanto mais mergulhamos nas entranhas do Queen Zenobia e descobrimos que a verdade é bem diferente do que pensamos, mais tensa e urgente ela se torna - outra característica que Resident Evil Revelations "pega emprestada" dos jogos clássicos.

Adicione a isso o formato episódico não-cronológico, que faz muita gente "juntar peças" para entender uma história cheia de plot twists, e os cliffhangers adotados pela Capcom para ter uma fórmula quase perfeita, que não só prende a atenção do jogador como potencializa o fator replay. E por que tudo não é perfeito?

Falhas do passado atrapalham

Como disse anteriormente, apesar de este ser seu segundo relançamento, Resident Evil Revelations também mantém as falhas de antes. É evidente que o game se esforça para ser um survival horror raiz, mas ele não consegue sustentar o clima de tensão por suas quase 12 horas de gameplay. Os sustos são escassos e a abundância de itens, encontrados na maioria das vezes utilizando o enfadonho scanner Genesis, comprometem a experiência.

A inteligência artificial também é um grande problema. Muitas vezes os inimigos perambulam pelo cenário como se fossem mulas, sem direção, e sequer reagem aos tiros que sofrem. O parceiro do jogador também é um zero a esquerda e parece estar ali apenas por questões narrativas, já que é incapaz de matar até mesmo uma tainha, não importando quantos tiros acerte no bicho. Você tem que dar conta de tudo sozinho.

Não se engane: seu parceiro não causa dano algum aos inimigos, mesmo atirando um milhão de vezes neles
Não se engane: seu parceiro não causa dano algum aos inimigos, mesmo atirando um milhão de vezes neles (Divulgação: Capcom)

Vale a pena?

Para quem já jogou Resident Evil Revelations no 3DS, PS3, Xbox 360 ou PC, esta edição relançada para o PlayStation 4 e para o Xbox One pode parecer apenas um caça-níquel, já ela adiciona pouquíssima coisa pelo valor que pede: R$ 129,90 na versão digital ou R$ 149,90 na mídia física. Quem nunca pôde ou teve a oportunidade de jogar o título, então o investimento pode valer a pena por RE Revelations ser um dos melhores Resident Evils já lançados. 

Resident Evil Revelations foi analisado no PlayStation 4 com uma cópia física gentilmente cedida ao Canaltech pela Warner Bros. Games.

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