Preview | Remake de MediEvil é bonito, mas escancara os erros do passado

Por Wagner Wakka | 22 de Outubro de 2019 às 09h19
Divulgação/Sony

Quando MediEvil foi lançado em 1998, não foi exatamente o game mais inovador de seu tempo. Além de brincar com a contração de mal (evil) e palavra medieval, pouca coisa transcende a mesmice da sua época. Por isso, é estranha a ideia de que a Sony realizaria um remake do título.

A empresa trouxe para a Brasil Game Show (BGS) uma demo do novo título. Ele foi apresentado em 2018 como um remaster, sendo que Shawn Layden, então presidente da Sony Interactive Entertainment, foi a um podcast confirmar que na realidade é um remake.

O jogo apresentado na BGS traz pouca novidade em relação ao beta liberado gratuitamente na PlayStation Network. Segundo a Sony, o que mudava era o chefe a mais que aparecia na versão da feira.

O remake de MediEvil mostra algo semelhante a outros títulos refeitos da atualidade, como Spyro: The N-Sane Trilogy. Apesar de reativar a nostalgia, escancara como estes jogos não sobreviveram à implacável deterioração do tempo. Talvez seja essa a grande ferramenta de uma boa recriação: a de manter o gostinho de voltar a um tempo antigo, mas que ainda seja gostoso de jogar, sem repetir os erros do passado.

Partindo dessa premissa, MediEvil do PlayStation 4 tem se mostrado bastante falho. Não à toa foi feita a confusão de que se tratava somente de um remaster visual e não de uma recriação de jogabilidade. Com o controle na mão, a impressão é de que pouco ou quase nada foi mudado da versão de 1998.

O game original tinha muitos defeitos de jogabilidade, sendo difícil de movimentar, principalmente pelas laterais. Ele mantém essa estética que muita gente pode chamar de clunky (meio truncada), mas que se pode considerar datada e incômoda para um jogo refeito no PS4.

Na prática, isso significa dizer que ele não é nem um pouco gostoso de jogar. A movimentação é dura e os golpes não transparecem o peso necessário contra os inimigos. Até mesmo a movimentação não parece fluída.

Como dito no início do texto, MediEvil não era uma excelência na época em que foi lançado, embora tivesse certo carisma. Ele participa de uma época muito particular do PlayStation original em que desenvolvedoras estavam experimentando o desenvolvimento de jogos em 3D. Ou seja, no contexto de seu tempo, teve uma posição importante, mas que não funciona como remake.

Em termos visuais, MediEvil está bastante bonito e carismático. Entretanto, há a intenção de manter referência à linguagem visual do original, com bonecos quase em low poly. Embora a desenvolvedora tenha colocado alguns detalhes no game, ele parece um daqueles vídeos de “olha como o jogo X fica realista na Unreal”. Ou seja, é bonito, mas ainda falta um toque de personalidade.

Assim, os mapas do game original, bem como menus e tutorial, ainda se mantêm, o que se torna apenas um anacronismo. É claro que é preciso olhar para o título como uma obra do medievo dos games, longe da modernidade dos motores gráficos atuais. Contudo, somente a repaginação estética não é suficiente para fazer de MediEvil interessante para um mundo que se desenvolveu tanto nos games de 1998 para cá.

Pelo que foi mostrado na demo da BGS e na da PSN, o remake será um colírio para quem ainda tem um suspiro pela obra original, mas longe de ser um refresco atual como aconteceu com Crash.

Talvez algumas obras tenham maior reconhecimento mantidas nas memória, sem a lembrança de seus próprios erros. Esse é o caso de MediEvil.

MediEvil será lançado em 25 de outubro para o PlayStation 4.

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