Preview | Streets of Rage 4 entrega boa mistura entre nostalgia e inovação

Por Wagner Wakka | 06 de Março de 2020 às 11h45
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Streets of Rage é um das séries mais icônicas da era 16-bits. A franquia foi um dos grandes destaques do gênero chamado beat’em up, algo que a gente poderia localizar como “porrada neles” ou “briga de rua”. A ideia é andar por um cenário primordialmente 2D, com certa profundidade, e bater em todos os inimigos que aparecem na tela.

Embora os três títulos da série tenham feito seu sucesso à época, a franquia foi vítima da implacável mão do tempo. A bem da verdade, não só Streets of Rage caiu no ostracismo, mas o gênero em sua totalidade sofreu pela falta de novidade.

Depois de algumas parcas tentativas de títulos mais modernos, até mesmo tentando relembrar o passado (como em 99 Vidas), o beat’em up se tornou um gênero raro. Isso porque ele tem mecânicas muito engessadas e presas ao passado. É preciso um cenário 2D, com um ar de arcade antigo e sem uma movimentação muito complexa. Junte a isso o nascimento do hack n’ slash, que, de forma muito simples, tomou o posto do beat’em up no universo 3D.

Essa introdução longa serve para mostrar que fazer um novo Streets of Rage não é bem uma tarefa simples. A SEGA queria um jogo que carregasse a essência da franquia sem que soasse como os jogos da década de 1990. Por isso, as três desenvolvedoras colocadas no processo tinham diferentes desafios a cumprir.

A primeira convocada para esse time foi a DotEmu, estúdio especializado em dar ares mais modernos a games antigos, sem perder a essência retro. Ela foi responsável por trazer aos holofotes títulos como Wonderboy, considerado uma bela remasterização atual. No caso de Streets of Rage 4, a DotEmu tinha a função de manter a essência do que é a série, ou seja, garantir que personagens, cenas e até pequenos easter eggs pudessem disparar uma fagulha na nostalgia do jogador sem parecer piegas.

Outro integrante desse time é a LizardCube, estúdio que também trabalhou na arte do novo Wonderboy. Eles fizeram o desenho à mão, para dar nova cor e efeitos para Streets of Rage 4.

Por fim, o último estúdio foi o Guard Crush Games, empresa especializada exatamente em beat’em ups. Eles fizeram Streets of Fury, que era uma homenagem ao gênero usando captura de movimento de pessoas reais no processo. A Guard Crush foi a responsável pelas mecânicas de gameplay do título da SEGA.

Será que a combinação deu certo? O Canaltech teve a oportunidade de testar uma demo do título com três fases em diferentes pontos da história. De cara, já se pode dizer: sim, Streets of Rage 4 é uma excelente releitura atualizada do gênero.

Novidades

Passados mais de 20 anos desde o lançamento do último título, é de se esperar que muita coisa mude no game. A começar, ele oferece novos personagens. A primeira é Cherry Hunter, filha de Adam, que compõe a cota jovem da turma. Adolescente, ela anda com calças rasgadas e uma guitarra nas costas que usa como arma. Cherry entra para ser a personagem mais veloz, embora seus golpes não sejam os mais fortes.

Outro rosto novo é o de Floyd Iraia, que passou por um experimento e ganhou braços metálicos. Ele é um personagem mais tanque, com resistência maior, mas muito lento. Na demo, também apareceram Axel, Blaze e Adam como jogáveis.

Contudo, não só de novas carinhas Streets of Rage 4 é alimentado: ele conta com novas mecânicas também. A franquia tinha uma característica marcante: os golpes especiais. O jogador poderia usá-los a qualquer momento, com a contrapartida de perder um pouco de vida. Ou seja, era preciso saber o momento de usar.

Tal habilidade permanece em Streets of Rage 4, mas com uma mudança na contrapartida. O jogador ainda perde uma parcela da vida, mas caso faça um combo em seguida e não tome nenhum golpe, pode recuperá-la. Isso estimula mais o jogador a se arriscar, já que as habilidades especiais são realmente mais fortes e podem permitir mais combos.

Por exemplo, Cherry pode usar a sua guitarra para bater em um inimigo no chão, com um golpe especial. Dentre os personagens, ela é a única que tem essa habilidade e que pode ajudar muito na hora da gameplay.

A opção de poder recuperar a vida é uma excelente atualização para uma das mecânicas que, embora fossem legais, custavam muito ao jogador nas outras versões.

Golpes especiais ajudam a limpar a área (Foto: Divulgação/Sega)

Outra mudança na jogabilidade está na habilidade super-poderosa. Agora, cada personagem conta com um super-poder que pode utilizar limitadas vezes durante uma fase. Diferente da especial, esta não consome vida do jogador e é mais forte, podendo causar mais dano e numa área maior. A ideia é que ela seja acionada nos momentos mais difíceis ou até mesmo na luta contra chefes.

Até mesmo os personagens clássicos ganharam novas habilidades e movimentos. O maior exemplo disso está em Adam, que não é mais só uma versão com outra coisa de Axel, mas que tem movimentos de boxeador. Ele possui uma esquiva e passa para trás do inimigo sem receber um hit.

Revisão

Outros elementos da franquia permanecem em Streets of Rage 4, mas ganharam uma roupagem diferente. Os jogadores podem usar armas que aparecem pela fase: um pedaço de cano, um cutelo, uma faca; o que seja. Agora, há um botão dedicado para isso no controle, exatamente para evitar que o jogador pegue um item sem querer, na hora de dar um golpe.

Até personagens antigos têm novos golpes (Foto: Divulgação/Sega)

Com isso, também é mais fácil manusear o item, já que você tem um botão simples para arremessá-lo e até pegar no ar novamente. Isso ajuda com personagens lentos ou inimigos dos quais é recomendável manter certa distância. O game está mais dinâmico também, permitindo combos no ar, com golpes combinados entre os jogadores.

Uma característica clássica que também aparece aqui são os elementos de combinação entre os personagens. O jogo permite jogar em até duas pessoas online, ou com quatro em multiplayer local. Os jogadores também podem escolher se há fogo-amigo ou não. Aqui, também há uma contrapartida: se não é possível acertar um companheiro, também não se pode usar golpes em que um precisa arremessar o outro.

Streets of Rage 4 ainda mantém muito da essência em vários aspectos. Por exemplo, derrubar uma lata de lixo ainda revela um frango lindo em um prato para recuperar a vida. Uma brincadeira do jogo antigo e que é bem-vinda para esta nova fase.

Jogo de 1990? 

A SEGA queria que o título não tivesse um ar de game do século passado e o trabalho da Lizardcube nesse quesito é impressionante. Streets of Rage 4 conta com personagens e cenários todos feitos à mão.

Contudo, não é exatamente esse detalhe que chama a atenção. O game também tem um trabalho de luz diferente para o que se espera de um beat’em up. Como estamos nas ruas cheias de letreiros luminosos, não é raro o jogador passar por momentos de variações de luz. Isso dá um bom estilo e mostra que se trata de um título atual, longe dos 16-bits.

As fases são bastante recheadas de pessoas e informações nas ruas, que contam a história do ambiente. Ainda há lutas em ambientes clássicos, como dentro de um vagão de metrô ou um dojô, ambos com mais detalhes que nos games antigos.

Conforto

Streets of Rage 4 tem tudo para ser aquele game de conforto, com o qual os jogadores mais nostálgicos estão acostumados. Quem passou pelos outros três da série, com certeza vai perceber muita coisa que ou reaparece aqui, ou é citado como uma referência. Há inimigos voltando, como Shiva, que reaparece (de forma bem apelona) no final de uma das fases.

A trilha também deve soar como uma lembrança. Isso porque todas as músicas são de Yuzo Koshiro e Motohiro Kawashima, os compositores originais da série. Os dois conseguem, mais uma vez, oferecer momentos de música mais agitados e lentos de acordo com o ritmo do jogo. Vai valer a pena jogar com fone de ouvido.

Cenários são mais complexos e com efeitos de luz (Foto: Divulgação/Sega)

Isso faz de Streets of Rage 4 um título que pode ser um prato saboroso para quem já conhece o gênero, mas não só isso. Bem atualizado, pode chamar para a brincadeira aqueles que nunca pensaram em dar uma chance para um briga de rua.

A demo ainda não revelou, contudo, como será o sistema de salvamento. Nos jogos antigos e até em beat’em up mais atuais, não há a possibilidade de salvar no meio do caminho. Ou seja, morreu, começa tudo de novo. A esperança é de que a SEGA adicione essa possibilidade de salvar o progresso, já que o título promete ser bem maior que um beat’em up convencional.

Streets of Rage 4 ainda não tem data de lançamento específica, mas deve chegar para PlayStation 4, Xbox One, PC e Nintendo Switch no outono brasileiro. Ou seja, até junho de 2020.

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