Preço justo em videogame usado: guia completo para acertar na compra
Por Diego Corumba • Editado por Jones Oliveira |

Um videogame novo pode ser muito caro, o que leva muita gente a buscar valores mais econômicos com os consoles usados. No entanto, fotos bonitas e preço chamativo trazem o medo inevitável de gastar muito e levar um problemão para casa.
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Mesmo “mais barato”, muitos deles exigem um investimento alto e isso sempre gera medo. Afinal de contas, o suado dinheiro demora a voltar. Porém, é muito simples descobrir se aquele seu “achismo” é concreto ou não e entender o que se torna evidência de dor de cabeça e o que não.
Para chegar a um preço justo, não basta ver números, mas sim uma série de condições, itens e riscos que corre na hora de comprar um hardware usado. Logo, nós do Canaltech vamos te ajudar nessa tarefa para não cair em furadas na hora em que deveria mergulhar direto na diversão.
Usado atual vs. retro colecionável
Para começar, existem duas categorias distintas na hora que você busca um videogame seminovo. A primeira abrange os consoles recentes, que podem carregar certo desgaste e cuja garantia e suporte possuem um peso maior.
A segunda abraça a linha de dispositivos retrô — que exigem outro tipo de olhar, cujo preço é determinado por raridade, originalidade, “geração” e estado de conservação.
Sempre que vir um anúncio em plataformas do gênero, é imprescindível identificar em qual categoria o que busca vai cair. Se busca um console recente, performance e confiabilidade vão te guiar. No caso dos antigos, tem de checar a integridade, itens originais e seu histórico para não cair em golpe.
Identifique exatamente o modelo
Não, caros leitores, nem todo Nintendo Switch usado que encontrará é o “mesmo”. O 1º modelo que foi lançado, por exemplo, não possui as travas de homebrew vistas nas versões que vieram depois. Porém, o 2º tem uma bateria com maior vida útil. E isso faz toda a diferença para a experiência.
Um PS4, por exemplo, pode ter um modelo com maior armazenamento, virem jogos que tiveram sua venda cancelada e vários outros fatores que também podem determinar seu valor. E isso vale para todos: um hardware pode ter as mesmas especificações, mas nem sempre terá as características iguais.
É essencial saber qual modelo está atrás e saber a diferença que existe entre eles. Muitos deles passam por revisões, são edições especiais, possuem aspectos regionais e outras diferenças que podem ser “únicas” para aquele console.
O Xbox 360, por exemplo, tem dois modelos para a edição “Arcade”. Um “Slim”, um “Super Slim”, edições especiais e outros fatores que podem determinar voltagem de fonte, saída de vídeo e mais detalhes que podem te ajudar mais ou até atrapalhar seus planos.
Dito isso, tenha conhecimento completo do que busca — com precisão. Veja o modelo completo, versão e busque até mesmo o número de série para determinar se determinado hardware usado vale a pena ou não. Inclusive, saiba exatamente o que acompanhava o “original” e se seguirá junto ao pacote.
Console “pelado” não vale o mesmo que completo
Quando se fala de acessórios inclusos, podemos trabalhar com duas hipóteses: itens essenciais e aqueles que podem vir de forma adicional. Um Xbox One, por exemplo, não precisa de um Kinect para funcionar. Porém, ter algum — que é raro hoje em dia — eleva o valor de revenda e atrai colecionadores.
Primeiro de tudo, verifique se o videogame é vendido com o essencial: cabos de imagem e som, controles, fonte, cabo de energia, armazenamento (se necessário) e outros pertinentes ao seu funcionamento. Isso fará o hardware ligar e rodar seus jogos de forma ampla, então é importante se certificar.
Já acessórios como Kinect, Wii Fit Plus, PS Move ou o Nintendo LABO não são vitais, mas cada usuário pode ter preferências em relação a eles. A depender de você, podem ser importantes ou não — porém, é certo de que a companhia deles no pacote vai deixar os valores ainda mais altos.
A partir disso, o que fazer? Liste e atribua valores separados para os itens que deseja. Os essenciais precisam seguir juntos — a não ser que seja combinada a ausência de algum deles anteriormente. Já aquele controle extra, HD externo, cartão de memória e outros é necessário estimar o quanto representam de forma adicional ao “montante base”.
Com a reunião destes fatores, você consegue chegar a um preço justo ao reunir o montante do videogame, mais acessórios, condições e risco. A partir disso, podem ser incluídos ou reduzidos a variar das partes do pacote no qual você está de olho. Não vem com um acessório essencial ou está com defeitos? Reduz. Funciona perfeitamente e vem com extras? Soma.
Se um console está com uma etiqueta “próxima” da ideal no seu ponto de vista, também é possível negociar com os vendedores a partir destes aspectos. O importante é ter uma noção do quanto o valor está equilibrado com o que é visto dos demais e se o seu bolso não sofrerá com abusos.
Estado real: o que pedir, o que olhar nas fotos e o que testar?
O preço está excelente, o vendedor responde com facilidade e parece que a compra será certeira, não é? Claro que não, você pode (e deve) exigir comprovações de funcionamento antes de fechar negócio — o que vai te garantir a falta de dores de cabeça no futuro.
Peça um vídeo dele ligado, para ver se o sistema operacional funciona adequadamente. Também é importante enxergar se o leitor identifica jogos, se o controle responde como o esperado, se há barulhos anormais e até se ele pode ser conectado à internet.
Nos aspectos físicos, estas gravações também precisam mostrar se há portas frouxas, marcas de queda, oxidação em contatos, lacre violado, parafuso espanado e diversas outras complicações. Lembre-se: caso saia fumaça, a negociação precisa encerrar de imediato. Antes fogo na casa do vendedor do que na sua (contanto que não seja seu vizinho, lógico).
Se ele não puder gravar vídeos por qualquer razão, o que se torna suspeito, peça fotos específicas de ângulos-chave — que mostram as entradas, serial, base, ventilação e características que desejava ter uma noção. O importante é não comprar nada “às cegas”.
Se o vendedor hesita em mostrar vídeo, fotos ou complica o acesso a estes materiais por quaisquer razões, há dois caminhos a seguir: pedir um desconto maior — que cubra o risco de adquirir o dispositivo e ver problemas posteriores — ou desistir. Mais vale o dinheiro no bolso do que investido em mais complicações.
Importância do histórico e procedência
É necessário ter em mente que toda a compra precisa passar por algumas fases e, em uma delas, será de muita relevância ter um “questionário” para identificar problemas no videogame usado ou possíveis inconsistências.
Você não precisa partir para a agressividade ou pedir toda a documentação da família, mas pode conseguir informações muito importantes para fechar a compra ou não. Confira perguntas que podem te acalmar durante o acordo:
- Quando você comprou esse videogame?
- Por qual razão decidiu vendê-lo?
- Ele já passou por alguma assistência técnica antes?
- Ainda está em alguma garantia?
- Ele já foi aberto antes?
- O videogame é desbloqueado? Qual tipo de desbloqueio? (caso sim)
- A conta usada nele foi banida ou ele tem algum impedimento do tipo?
No caso dos consoles retrô, é necessário se atentar a outros tipos de detalhes ainda mais complexos — que possam comprovar a sua procedência e originalidade. Afinal de contas, ninguém merece fechar a compra de um Nintendinho “original” e receber um Famiclone em casa.
Tudo se torna um fator para que você especifique o “risco precificado”. Se o que o vendedor apresentou e mostrou são coerentes com a oferta, pode ser justamente o “preço justo” que você tanto esperou e uma boa oportunidade de comprar o que desejava.
No entanto, se o vendedor tenta te enrolar, não traz informações claras, não comprova o que ofereceu e promete demais enquanto mostra de menos, a faixa de preço cai ou pode gerar até desistência. No fim, se trata de não correr riscos desnecessários.
Pesquisa de mercado: como comparar sem cair em armadilhas
Se você encontrou o que queria ou se ainda está em pesquisa, é sempre bom circular em plataformas e checar algumas informações presentes nela para não gastar mais do que devia — ou muito menos, o que se torna suspeito até demais, diga-se de passagem.
Compare as condições dos videogames usados que foram vendidos (não apenas os anunciados), filtre por condições semelhantes a que procura e veja também pacotes equivalentes — seja com jogos, acessórios extras ou até que não tenha estes presentes, o que varia da preferência e bolso de cada um.
Há uma dica vital para quem busca seminovos na internet de nunca se prender ao produto mais barato. Ele é atrativo e pode até ser uma boa opção, mas é importante sempre ver a faixa de valores repetidos para tirar uma “média”. Se está muito abaixo disso, suspeite.
Anúncios que estão há muito tempo parados ou estão com preços nos extremos — muito acima ou abaixo — não representam o mercado. Busque até 10 referências, tire uma faixa de preço e parta para as negociações com os vendedores. É o caminho mais seguro, não que seja impassível de erros, mas é o que mais representa uma chance menor de trazer dor de cabeça.
Regra da faixa de preço: chegue no número final
Para chegar no montante mais equilibrado a se pagar, você precisa ter em mente alguns fatores básicos para delimitar até onde irá seu limite. Primeiro, você deve saber qual é o “mínimo aceitável” — a faixa pela qual começará a prestar atenção naquele videogame.
Depois, você deve entender qual é o “preço justo”. Você pode ver um console ser vendido a R$ 500, por exemplo, mas considerar adequado ainda a cobrança do mesmo por R$ 700 a R$ 800. Ou seja, nem sempre o “mínimo” será a opção mais digna.
Por fim, também defina o “máximo que vale a pena pagar” por aquele hardware. Não adianta nada buscar um videogame que é vendido, no geral, por R$ 1.000 e ter apenas R$ 500 no bolso. Se você tem um limite máximo, alinhe suas expectativas para isto — independentemente da situação.
Tudo isso tem de levar em conta a condição e riscos de cada console. Por exemplo, se o controle tem drift, se a fonte é paralela ou algo do gênero, isso deve virar desconto. Caso traga mais do que o básico, é acréscimo. Sempre argumente para encontrar um caminho bom para você e para quem vende — é ali que vai residir o valor justo para a negociação.
Cenários reais: 3 compras típicas e como decidir rápido
Primeiro de tudo, veja o console que você quer e os modelos lançados, assim como as variáveis de cada um (usa fonte, não usa fonte, leitor de disco, armazenamento etc.). A partir disso, escolha em definitivo um para ir atrás.
Com a versão identificada e encontrados os usados na loja digital, começa a etapa de checar o que cada vendedor oferece, o estado de cada videogame e ter uma média da precificação nesta ou em demais plataformas. Precifique o risco e oportunidades, para assim decidir o caminho que seguirá.
Vamos supor que encontre um PS4 com um preço ótimo, mas a pessoa que o vende se recusou a fazer testes ou mostrar seus resultados. Mesmo a um valor bom, isso pode representar um alto risco para o seu bolso, o que significa que deve ser feita concessão do outro lado para descontar os custos.
Por outro lado, é possível buscar um Xbox Series S e encontrar um completo e impecável — com testes feitos, “lataria” perfeita e que funciona tão bem quanto um hardware recém-fabricado. No entanto, o preço está bem alto. Confira o limite do que está disposto a pagar, negocie e tentem chegar a um denominador comum.
Em outra situação, dá para encontrar um videogame retrô, que inclusive vai acompanhado de sua caixa original (o que é uma baita raridade). No entanto, a fonte usada nele não é original. Temos aqui algo que oferece um bom acréscimo, assim como um desconto simultaneamente e tem de ver qual pesa mais às suas necessidades.
Preço justo para videogames usados
O valor mais adequado não é justificado apenas pela raridade do dispositivo e pela sua geração, mas sim por uma coletânea de evidências que o cercam. Elas podem trazer riscos e oportunidades, o que vai do bolso e consideração de cada pessoa — tanto de quem cobra quanto de quem quer comprar.
Imagine encontrar um Xbox Series X com 2 controles para uma residência na qual mais de uma pessoa joga? Ou um Game Boy Advance com um Cabo Game Link, quando se tem um amigo que também possui o portátil original? Isso traz vantagens. Por outro lado, tela quebrada, fonte duvidosa, caixa improvisada e outros apresentam riscos.
A compra e o preço justo tem de alinhar ao produto que você considera certo, em um pacote que se justifica por determinado valor e o estado ideal para o seu uso. Assim, a negociação ocorrerá sem problema algum para qualquer um dos dois lados.
O próprio mercado tem de atender ao que ambos — quem compra e quem vende — tem da percepção para o hardware em questão. A promessa feita pelo anúncio, por obrigação, precisa ser cumprida ao consumidor que visualizou e se interessou pelo produto.
No mercado de videogames usados, não seja o “trouxa” ou o “esperto”. Busque sempre fazer o caminho mais justo para não ter dores de cabeça ou sofrer elas posteriormente. Mais vale alguém que se divirta de um lado e o outro com dinheiro no bolso, ambos sem peso na consciência ou nas economias.