Por que Marvel's Wolverine virou alvo de uma guerra nas redes sociais
Por Gabriel Cavalheiro |
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Diversos criadores e portais lançaram suas prévias de Marvel's Wolverine na última semana acompanhadas de vídeos de gameplay do Logan. O novo jogo da Insomniac Games é o principal exclusivo do PlayStation 5 neste ano, mas reações negativas em redes sociais como o X colocam em xeque o sucesso do first-party.
Os clipes de gameplay de Marvel's Wolverine, como uma boss fight enfrentando um Sentinela gigante, têm recebido uma onda de críticas que vão desde queixas sobre jogabilidade repetitiva até ataques a desenvolvedores.
Uma comparação com um chefe do clássico Ben 10: Protector of Earth, de 2007, tem viralizado e servido como exemplo de como o jogo do Logan estaria com uma fórmula batida.
Em um mundo em que temos de desembolsar R$ 450 por um novo jogo, um consumidor crítico é mais do que bem-vindo. O problema é quando essa crítica foca em elementos que estão fora do jogo. Nesse sentido, Marvel's Wolverine acabou virando um verdadeiro alvo de críticas vazias, e sobrou até para os desenvolvedores.
O diretor de comunidade e marketing da Insomniac, James Stevenson, se pronunciou sobre a avalanche de reações negativas a Marvel's Wolverine: "Acho que a forma insana como esse algoritmo amplifica e força a negatividade sobre você está me fazendo reconsiderar minha filosofia de dizer aos devs para olharem ou postarem aqui", afirmou.
Entre as críticas descoladas de assuntos e pontos relacionados a Marvel's Wolverine, estão algumas teorias da conspiração sobre a agência de consultoria e desenvolvimento de narrativas com foco em Diversidade & Inclusão, a Sweet Baby Inc. Há também aqueles agarrados à guerra de consoles que repetem jargões como "jogo da Sony é tudo igual", etc.
Não entenda mal, não são apenas jogos e estúdios do PlayStation que passam por problemas como esse. Contudo, a Insomniac Games, em específico, tem passado por poucas e boas neste sentido nos últimos anos.
Insomniac Games conquistou seu espaço de destaque
A Insomniac Games tem se destacado como um dos estúdios mais importantes sob o guarda-chuva do PlayStation. A produtora é reconhecida por suas entregas de qualidade e pela frequência de lançamentos que poucas desenvolvedoras AAA conseguem manter.
Somente nesta geração, a desenvolvedora entregou três grandes jogos e um título standalone (Ratchet & Clank: Rift Apart, Marvel's Spider-Man 2, Marvel's Wolverine e Marvel's Spider-Man: Miles Morales), ao passo que outros estúdios de renome da Sony, como Santa Monica Studio e Naughty Dog, entregaram apenas um projeto novo e original (não, os remakes de The Last of Us não entram na conta).
Apesar do sucesso crítico e comercial dos seus jogos, a Insomniac e suas produções seguem como alvos constantes. Um exemplo marcante foi a perseguição da fanbase contra a atriz que emprestou seu rosto para Mary Jane, Stephanie Tyler Jones. Em janeiro de 2024, a atriz relatou que pessoas ligaram para seu local de trabalho para falar com ela e chegaram a deixar mensagens de voz.
Toda essa invasão de privacidade e assédio aconteceu após grupos de jogadores criticarem a Insomniac Games por deixar a personagem "menos atraente" com uma supota troca de modelo facial. Isso não é novidade, é claro, basta lembrarmos da reação desses mesmos jogadores aos pelos no rosto de Aloy em Horizon Forbidden West.
Ao que tudo indica, essa onda negativa parece ter chegado a Marvel's Wolverine. Apesar do jogo trazer ação e violência extrema, ele não escapou de acusações sobre "abraçar a agenda woke" e coisas do gênero.
Redes sociais impulsionam críticas vazias sobre jogos
Toda rede social se beneficia de assuntos polêmicos, negativos ou carregados de rage bait. Isso acontece em parte por conta do funcionamento dos algoritmos, que não apenas entregam publicações do tipo a mais usuários, mas também constroem uma bolha em torno de jogadores que se retroalimentam de ódio gratuito e críticas vazias.
Obviamente, qualquer pessoa é livre para criticar Marvel's Wolverine ou qualquer outro game. O ponto interessante é ver como essa máquina funciona antes mesmo do jogo estar nas mãos dos jogadores. Muito se fala em avaliar videogames após jogá-los por completo, com alguns defendendo até a necessidade de platinar para embasar certas opiniões, mas a exigência parece sumir quando a crítica envolve pautas políticas, sociais ou identitárias.
Novamente, os jogadores precisam ser críticos em uma época em que comprar lançamentos virou um luxo. No entanto, o ódio gratuito e as ameaças a desenvolvedores não ajudam em nada. Nesses casos, não há uma avaliação sincera de mecânicas, sistemas ou visuais. Como destaca Stevenson, esse tipo de reação é "um ataque implacável que eu não consigo acreditar que seja bom para a saúde mental de qualquer pessoa, nem representativo".