Marketplace G2A admite ter vendido chaves de jogo roubadas

Por Rafael Arbulu | 22 de Maio de 2020 às 10h12

A G2A, loja digital especializada na revenda de jogos, admitiu ter, no passado, vendido 198 chaves roubadas do jogo Factorio, produzido pela Wube Software. A confissão foi feita em um post publicado no blog oficial da loja, intitulado “Mantendo nossa promessa”, em referência a uma campanha publicitária veiculada pela empresa há alguns anos, com resultados bem adversos.

Contextualizando: a G2A passou anos sem se importar com acusações de que estaria vendendo chaves roubadas, até que em 2018, em uma tentativa de fazer o assunto desaparecer de vez, organizou uma campanha para reverter toda a publicidade negativa que vinha recebendo. Na ocasião, ela prometeu pagar 10 vezes o valor de qualquer chave que tenha vendido, mediante exposição de provas de que o material tivesse sido roubado.

A maioria dos estúdios de desenvolvimento ignoraram a oferta, mas a produtora tcheca Wube Software abraçou a ideia, formalizando uma acusação contra a G2A que, quase dois anos depois e após uma investigação interna, assumiu que, de fato, 198 chaves roubadas de Factorio foram vendidas pela loja. Consequentemente, a G2A teve de pagar indenização de US$ 39,6 mil (pouco menos de R$ 220,9 mil na cotação de hoje).

"Quando lançamos essa oferta”, diz um trecho do post no blog oficial da G2A, “nós queríamos mandar uma mensagem clara à comunidade gamer de que fraude fere a todos os envolvidos. Conforme descrevemos nesse blog, ela fere indivíduos que compram chaves ilegítimas; fere desenvolvedores e, finalmente, fere a G2A, pois somos forçados — no papel de facilitadores dessa transação — a cobrir os custos relacionados à venda”.

O texto continua, dizendo: "Queríamos amplificar a mensagem e capturar a atenção do público, então prometemos compensar desenvolvedores em 10 vezes o valor de quaisquer cobranças que lhe tenham sido impostas, apesar do fato de que nós não tivemos nada a ver com a aquisição ilegal dessas chaves”.

O principal negócio da G2A é a revenda de jogos pelos meios digitais, comercializando chaves de resgate (redemption keys). Diferentemente do que se vê na Steam ou Epic Games Store, a G2A não “vende” um jogo em si, mas oferece o “meio de campo” para que compradores se conectem com vendedores, cobrando uma comissão em cima do valor da transação. Em outras palavras, ela não é “dona” dos jogos que vende, mas ganha em cima de uma transação feita pelo dono e seu cliente. As “chaves de resgate” são a forma da empresa assegurar o andamento de uma oferta, garantindo que o comprador esteja adquirindo aquilo pelo que pagou.

"A comunidade de desenvolvedores de jogos tem toda a nossa solidariedade e simpatia neste problema, e nós queremos continuar a construir mais pontes. Com a nossa justificativa posicionada em relação à seriedade da fraude nesta indústria, a partir de agora vamos compensar os desenvolvedores pelo valor completo de qualquer taxa de comissão que eles tenham pago por quaisquer chaves vendidas pelo marketplace da G2A, a partir do momento em que eles nos provarem que essas vendas foram ilegítimas”, segue o post.

Note que, embora assuma a culpa, a G2A não necessariamente pede desculpas pelo caso em mãos, o que gerou uma onda de críticas de alguns membros da imprensa e da comunidade gamer em geral. Diante disso, a empresa encaminhou ao site Eurogamer um comunicado adicional, ampliando seu posicionamento:

"Seremos os primeiros a admitir que, em nossos anos de formação, nós demoramos demais para reconhecer que um pequeno número de indivíduos estava abusando de nosso marketplace”, diz o comunicado. “Entretanto, as críticas que recebemos foram o sinal necessário para acordarmos, e aolongo dos últimos anos temos sido totalmente comprometidos em atacar qualquer incidente de fraude dentro do nosso site. Hoje, nós empregamos algumas das mais sofisticadas tecnologias proprietárias de inteligência artificial em nossa prática anti-fraude, para qualquer marketplace online para produtos digitais”.

Fonte: Eurogamer

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