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Liberdade criativa dada por Phil Spencer virou armadilha para estúdios do XBOX

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Divulgação/Microsoft
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O jornalista da Bloomberg, Jason Schreier, explicou por que o XBOX está prestes a passar por um "banho de sangue", referindo-se à demissão em massa que pode acontecer em julho, bem como ao risco de fechamento de quatro estúdios da divisão.

Ele argumenta que a compra da Mojang pela Microsoft em 2014 rendeu muito dinheiro aos bolsos do XBOX e permitiu que Phil Spencer começasse uma verdadeira onda de aquisições a partir de 2018. Nessa época, o ex-CEO da divisão de games da Microsoft tentava recuperar o XBOX One, que levou uma surra do PlayStation 4.

Parte do plano para reviver o console de oitava geração da Microsoft era oferecer um line-up de jogos maior e alimentar o catálogo do recém-nascido XBOX Game Pass. A missão de estúdios como Compulsion, Double Fine, Obsidian e companhia era entregar projetos com foco em criatividade.

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"A mensagem não era 'você deve atingir X valor de lucratividade'. A mensagem era 'façam bons jogos, ajudem-nos a preencher o Game Pass, tentem ganhar prêmios e, claro, não percam dinheiro, fiquem no break even [zero a zero]'", argumenta Schreier.

Spencer deu aos estúdios uma espécie de carta branca e liberdade criativa para desenvolver projetos para engrossar o caldo do conteúdo e dos serviços XBOX. Contudo, essas desenvolvedoras acabaram passando por alguns maus bocados durante a pandemia e, logo em seguida, viram o XBOX mudar de estratégia inúmeras vezes.

"Jogos começam o desenvolvimento tipo quatro ou cinco anos antes de realmente saírem. Então, quando você começa um projeto em 2020 ou 2021 sob um mandato e, de repente, esse mandato muda dois ou três anos depois, mas é tarde demais para mudar de rumo, isso pode ser um problema", explica o jornalista. Esse cenário justifica como a existência de jogos como Kiln, Keeper, South of Midnight, Pentiment e Hellblade foi possível. Na época das aquisições, a liderança do XBOX teria aberto as porteiras para os estúdios para que, anos mais tarde, começassem a exigir margem de lucro.

Schreier entende que os estúdios cotados para fechamento "cometeram muitos de seus próprios erros e tiveram todo tipo de problemas de produção" e estão sendo punidos hoje por seguirem ordens de Spencer e companhia, "por ouvirem o que lhes foi dito alguns anos atrás".

"Um dos motivos pelos quais o XBOX teve tanta dificuldade na última década para fazer grandes jogos é por causa de muita dessa incerteza. É muito difícil fazer grande arte quando você está trabalhando sob o medo de demissões, turbulência, fechamentos, cancelamentos e apenas tentando fazer jogos sob essas condições", afirma Jason Schreier.

Demissões no XBOX serão um banho de sangue?

O termo "banho de sangue" tem sido utilizado para descrever a reestruturação pela qual o XBOX deve passar em julho, logo após o encerramento do ano fiscal da Microsoft no fim deste mês. Para Schreier, o termo cai como uma luva para as demissões que estão por vir.

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"Vai ser ruim", afirma o jornalista. "Há muitas negociações acontecendo agora." Ele ainda sugere que outros estúdios além de Compulsion Games, Double Fine e Ninja Theory estão em risco de fechamento. "Vai haver mais", conclui.