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GDC 2019 | Desenvolvedores brasileiros buscam novos mercados em São Francisco

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Renato Mota/Canaltech
Renato Mota/Canaltech

Seja apresentando jogos que serão lançados ainda em 2019, seja procurando investidores, parceiros ou publishers, ou até à procura de desenvolvedores, as empresa brasileiras foram uma presença notável na Game Developers Conference 2019, em São Francisco.

Uma comitiva organizada pela Brazil Games levou representantes de 47 desenvolvedoras nacionais, sendo 11 delas com estande na feira. O projeto é uma parceria da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Digitais (Abragames) com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

“Cada empresa busca uma coisa. Algumas estão com jogo pronto, esperando a melhor oportunidade de publicar. Outras estão atrás de investidores ou publishers. Mas todas estão muito maduras, sabendo exatamente o que querem”, avalia a Gerente de Comunicação da Abragames – e também produtora do BIG Festival – Marina Pecoraro.

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Além da GDC, o grupo também participou da Game Connection America, também em São Francisco. “Nosso calendário ainda inclui Gamescom (Alemanha), PAX East (EUA) e um evento no Oriente, que no ano passado foi a ChinaJoy, mas este ano ainda estamos estudando se devemos voltar lá ou tentar outro festival, como o WePlay, também na China, ou o Tokyo Game Show”, explica a executiva.

O próprio BIG Festival (Brazil's Independent Games Festival) é um evento internacional organizado pelo projeto que convida para o País investidores de fora, para se reunirem e fazerem negócios com as empresas de games nacionais. “Estamos dando o nosso melhor e o Brasil já conseguiu fincar uma bandeira na indústria”, completa Marina.

A Brazil Games não só organiza a comitiva como também agenda reuniões para os representantes das empresas, não só com investidores como também com veículos especializados ao redor do mundo. “Agora mesmo, jornalistas da Inglaterra estavam conhecendo alguns dos jogos e comentaram que ‘tinha um jeito diferente, que lembrava Celeste (um game canadense, mas que contou com a participação do estúdio brasileiro MiniBoss), ou seja, tem alguma coisa no nosso DNA que já é reconhecível pelo mercado”, afirma.

Veteranos

O pessoal da GILP já está na sua quarta participação na GDC. Este ano, a empresa fundada em 2013 (para desenvolver um jogo para uma competição do SEBRAE) levou para São Francisco uma versão prévia de Areia, um game com lançamento marcado para outubro no Steam.

“É um jogo sobre autodescobrimento, que pega muitos preceitos budistas e hindus, trazendo quase que uma nova forma de se experimentar um game”, explica um dos fundadores da GILP, Lucas Humberto. Areia é um jogo de plataforma de quebra-cabeça composto de belas paisagens e design emocional e meditativo. “Queremos que a pessoa relaxe enquanto joga, e saia do game melhor do que quando entrou”, completa.

Na GDC 2019, a empresa fez reuniões e encontros para conseguir um publisher que ajude não só a lançar o jogo, mas também a colocá-lo em outras plataformas. De acordo com o empresário, “um parceiro forte nos permitiria lançar Areia de forma mais completa. Temos o nosso cronograma de lançamento independente, mas o clima aqui no evento têm sido tão bom que tenho certeza que vamos conseguir nosso objetivo”.

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Areia recebeu uma menção honrosa no Best in Play, o prêmio dado pelos organizadores da GDC. Se o game da GILP ficou entre os finalistas, outro jogo nacional foi um dos vencedores: DeMagnete VR, dos cariocas do BitCake Studio. “As respostas que estamos tendo no evento têm sido muito boas e conseguimos marcar várias reuniões”, conta a CEO da empresa, Camilla Slotfeldt.

Essa está sendo a segunda participação do BitCake na GDC, e o prêmio veio com o jogo de realidade virtual que mistura quebra-cabeças com magnetismo. “O jogador controla duas luvas que interagem cada uma com um polo magnético, explorando o ambiente de uma caverna misteriosa. Além de São Francisco, estamos levando o jogo também para a PAX, e ele deve ser lançado ainda este ano”, afirma a executiva.

O BitCake aproveitou a feira para oferecer seu know-how de desenvolvedores multiplayer. “Queremos ainda um parceiro para ajudar no lançamento do DeMagnete VR, que deve sair para Oculus Rift, HTC e PlayStation VR, e de outros jogos nossos como Neko Neko Rampage e Jelly Beams”, completa Camilla.

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Outro brasileiro com estande na GDC 2019 foi a PlayMove, criadora da plataforma de desenvolvimento de jogos digitais educacionais PlayTable. Bem estabelecida no Brasil, com mais de mil escolas adotando seus programas, a empresa foi para São Francisco pela primeira vez em busca do mercado internacional.

“Traduzimos a plataforma para inglês e espanhol e estamos tentando achar desenvolvedores mundo afora que estejam interessados em adotar nossas ferramentas para a criação de jogos para crianças de 6 a 10 anos”, afirma o CEO da PlayMove, Marlon Souza.

PlayTable é uma plataforma de jogos digitais feita por uma mesa interativa e jogos/apps pedagógicos baseados em conceitos que estimulam o desenvolvimento de habilidades cognitivas e motoras. “Estamos de olho no mercado da América Latina e dos Estados Unidos. Na GDC não só conseguimos agendar diversos encontros importantes, como pessoas que só passavam pelo estande acabaram se interessando pelo nosso contexto”, lembra o empresário.