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Fim da mídia física no PlayStation: o que muda para você?

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Diego Corumba/Canaltech
Diego Corumba/Canaltech

A Sony Interactive Entertainment anunciou, de surpresa, o fim da produção de discos físicos para os consoles PlayStation. A medida, que será válida a partir de 2028, deixou um sabor amargo e coloca em risco uma cultura que existe há mais de 50 anos.

Porém, o que isso significa? A decisão da gigante japonesa atravessa as marcas e define uma abordagem inédita para o mercado — o que pode impactar os jogadores de várias formas diferentes, sejam donos de um PS5, sejam de outras plataformas.

Mais do que falar que foi apenas uma “decisão ruim”, o cenário tem o potencial de mudar negativamente a forma como os consumidores se relacionam com seus jogos. A pergunta é: estamos prontos para o que está por vir?

Nós do Canaltech te contamos as consequências que podem surgir da escolha da Sony de encerrar em definitivo as mídias físicas no PlayStation — algo que a Microsoft também testa para o próximo XBOX. Confira abaixo:

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O fim das mídias físicas

A eliminação dos jogos em discos já é uma “jogada ensaiada” há muitos anos. Os números dos games digitais crescem cada vez mais ano a ano, o que tem levantado o debate com frequência dentro da comunidade e da indústria.

Após a pandemia, isso se tornou uma constante e gerou diversos temores entre os gamers. O anúncio de Alan Wake 2 apenas no formato digital foi um dos primeiros grandes baques que os fãs sofreram neste sentido, decisão que foi revertida pela Remedy Entertainment depois para evitar desconforto.

Em 2025, o Nintendo Switch 2 foi lançado com uma estratégia única — os Game-Key Cards. Alguns cartuchos não conteriam mais os jogos, mas sim a sua chave de ativação. O título, propriamente dito, seria baixado diretamente no console.

A situação piorou quando testes foram realizados na plataforma, o que indicou uma situação mais delicada: o desempenho dos games no cartucho era pior do que o visto nas versões armazenadas na memória interna. 

Ainda que tivesse gerado alguns debates online, a Big N não fez absolutamente nada a respeito disso e o público seguiu com este sabor amargo. O que realmente abalou as estruturas foi o anúncio de que GTA 6 adotaria o formato digital e até os encartes físicos trariam só um código para o download.

Eles podem apenas ter se antecipado ao anúncio da Sony, mas também há chance de o sucesso da pré-venda da Rockstar ter motivado a companhia a acelerar sua declaração. Este detalhe ainda segue incerto.

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Com o PlayStation e, possivelmente, o XBOX também sem discos físicos, apenas a Nintendo seguirá o legado do que começou com o Fairchild Channel F — em 1972. O que devemos nos perguntar é: até quando isso continuará assim? 

O que muda para os jogadores

Seja um colecionador ou alguém que já compra apenas mídias digitais, a decisão da Sony pode e vai impactar a todos. Isso pode gerar diversos problemas, que você pode conferir abaixo:

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Uma licença, não propriedade

Caso ainda não saiba, os jogos comprados diretamente nas plataformas não são seus. Você paga por uma licença, que permite baixá-lo e jogá-lo. Diferentemente dos discos, se o estúdio ou a própria Sony quiser removê-lo em definitivo, você ficará na mão.

Exemplos existem aos montes. A demo P.T., por exemplo, é inacessível mesmo para quem resgatou o conteúdo enquanto ela estava disponível. Concord e o primeiro The Crew foram tomados da biblioteca dos jogadores, mesmo contra a vontade deles.

Quem garante ao consumidor que aquilo que é pago hoje continuará ativo daqui a 10 ou 15 anos? A menos que você tenha seu lar roubado ou aquele amigo nunca devolva o seu disco emprestado, as mídias físicas continuarão a ser suas — independentemente do tempo que passe.

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O mercado de seminovos em risco

Comprar jogo é caro. Todos sabemos que pagar R$ 400 ou mais em um lançamento não faz tão bem para a carteira, principalmente para quem ganha um salário mínimo ou os boletos cobram mais do que a remuneração acompanha. 

Para esses casos, o mercado de seminovos reforça a paixão de muita gente. Se você esperar um mês, já é possível encontrar aquele game tão esperado por valores abaixo da faixa. Porém, de que forma você revenderá ou comprará usados quando eles não existem mais?

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Além de auxiliar quem busca se divertir enquanto paga por menos, o aspecto é uma verdadeira “mão-na-roda” para te fazer recuperar o dinheiro investido e comprar outro título que também quer jogar. Você paga, curte, revende e parte disso pode usar para adquirir o “próximo” — o que cria um ciclo saudável.

Sem discos, nada disso será possível. Além de não permitir que você revenda, não conseguirá sequer emprestar um game para um amigo curtir (ao menos dentro das normas atuais do PlayStation e do XBOX). Na prática, esqueça aquela comunidade que foi cultivada por tanto tempo para ajudar os jogadores.

Monopólio de preços

Quando um título é lançado, você encontrará ele por um preço específico nas lojas digitais. Porém, há opções em muitos locais físicos com facilidades maiores: parcelamento mais extenso, entrega rápida, uso de cupons, entre várias outras práticas.

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Deste modo, você não apenas escolhe quanto vai pagar, mas como isso será feito para aproveitar as oportunidades ao máximo. Se o mercado se tornar exclusivamente digital, quem determinará os valores e condições é apenas uma empresa.

Em outras palavras, é a Sony quem ditará o preço da PlayStation Store e mais ninguém. Você só conseguirá jogar determinado título se pagar a quantia pré-estabelecida por eles — seja ela qual for. Consegue compreender o risco que isso traz?

O monopólio de vendas sempre prejudicou o mercado, independentemente de qual seja. Ele centraliza operações, dificulta a busca dos consumidores por opções viáveis e abriga movimentos que visam o benefício das grandes empresas em vez daqueles que podem dar um apoio maior aos consumidores.

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O grande problema dos preços

A questão do monopólio implica diretamente nos preços, já que se apenas um lugar estabelece os valores, ele literalmente pode vender os produtos no montante que preferir. Isso é o precedente que mais alarma antes de vermos uma plataforma “inflada”.

No cotidiano, pode esperar para ver um aumento expressivo nos jogos. Pode não ocorrer de imediato, mas é irrefreável: a partir do momento que eles controlarem todo o mercado em sua loja digital, veremos cobranças cada vez maiores com o passar do tempo.

Somado aos preços dinâmicos, que oferecem valores diferentes para cada usuário, isso é a receita perfeita para um desastre. Não é possível imaginar uma hipótese positiva com a combinação destas características, ao menos não para o nosso bolso.

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PS6 sem leitor de disco

Com a crise das memórias RAM, muito se questiona onde que a Sony vai cortar custos para produzir o PS6. Com o anúncio recente, parece que a história se desenhou sozinha: quem vai embora é o leitor de disco, já que a próxima geração não contará com os jogos em mídia física.

Além de exterminarem a opção para os gamers, isso também impede que tenha um dos melhores reprodutores de blu-ray — espaço que o PlayStation 4 e o PS5 assumiram com tranquilidade no mercado.

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Este não é o único problema que isso traz. Quem segue na família de hardwares desde o PS4, lembra que inicialmente muita gente era adepta de comprar o encarte e ter o título em sua estante. Estes migraram para a atual geração com o leitor, para aproveitar sua coleção.

Agora, nem isso será possível: sem um acessório do tipo, muitos verão seus discos ficarem sem uso. De que adianta a retrocompatibilidade se você não terá onde reproduzir uma parte dos seus jogos na próxima geração? Pois é, quem se manteve na PlayStation não receberá benefícios.

Fechamento de lojas físicas

Não escuta sobre elas há algum tempo, não é? Mas elas existem e continuam a vender games em cidades pequenas ou fora dos grandes centros metropolitanos. Para muitos, é o único lugar que podem contar para trazer seus lançamentos e grandes experiências.

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Seu mercado tem sido reduzido a cada ano, mas com a adesão da Sony e Microsoft exclusivamente para as mídias digitais, elas têm dois caminhos: mudar de atividade ou fechar as portas. Isso pode acabar com empregos diretos e indiretos, assim como prejudicar toda uma cadeia de produção.

Pense que isso vai das fábricas às distribuidoras, até as transportadoras e lojas físicas, para ter uma ideia do “rombo” que pode provocar. Isso sem falar em importadoras, afiliados das marketplaces que buscam promoções e outros que terão de encontrar alternativas para ganhar o pão de cada dia. 

Preservação em risco

Jogos como Concord, Highguard, The Crew e vários outros estão perdidos para sempre. Imagina você ter algo e, subitamente, não possuir mais aquele produto? Com os discos, ele pode arranhar ou até parar de funcionar, mas ninguém pode tirá-los de suas mãos. Porém, com os títulos digitais, isso é comum até demais.

As plataformas podem incluir e excluir jogos, tirá-los de seus catálogos, impedir novos downloads e o que mais puder pensar. Além disso, eles podem encerrar as atividades e você que gastou centenas ou milhares de reais ficaria de mãos abanando. Só lembrar que a própria Sony removerá o acesso a filmes comprados em breve.

Em outras palavras, tudo o que você compra nas plataformas é uma empresa — que visa apenas seu próprio lucro — que tomará conta. Se um dia a Sony entender que gasta mais do que ganha ao guardar jogo X ou Y em seus servidores, quem perde somos nós.

Dito isso, em questão de 10 ou 20 anos muitos games sequer existirão. Sua disponibilidade desaparecerá. Como fica a sua preservação, sem discos? Os jogadores terão de apelar para a pirataria para curtir algo antigo, como vemos com vários títulos atualmente? 

O futuro sombrio

A decisão da PlayStation pode, hoje, afetar apenas quem tem um PS5 ou pretende adquirir o PlayStation 6 no futuro. Porém, sempre que uma companhia executa uma estratégia e “funciona”, as demais seguem — isso ocorre com plataformas de streaming também, você bem deve saber.

Ou seja, se o plano deles render benefícios, Microsoft e Nintendo podem seguir naturalmente -— sem medo de represálias. Afinal de contas, há precedentes. Já leu o poema “Primeiro eles vieram levar os…” de Martin Niemöller? Aqui podemos vê-lo na prática. Uma hora atinge um, na outra pode atingir você também.

Parar de produzir discos físicos é uma ameaça aos jogadores, em todas as esferas possíveis, mesmo para quem compra apenas digital há um bom tempo e não acha que terá diferenças. Ainda que o futuro pareça sombrio, vale lembrar que a indústria é feita dos consumidores e a voz coletiva geralmente é ouvida.