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Dono da Epic alerta para a "pior crise dos games" desde os anos 80

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ET Atari 2600
Divulgação/taylorhatmaker, Wikipedia

Em entrevista à revista EDGE, o CEO da Epic Games, Tim Sweeney, afirmou que a indústria vive seu pior momento desde o Crash dos videogames nos anos 80. O executivo argumenta que o setor passa por "disfunções" internas, como os custos crescentes de produção de jogos AAA, e desafios externos que, no caso, se resumem à crise de memória.

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"É uma disrupção grave e inesperada", contou Sweeney em referência à crise de componentes. Para o CEO, o boom de Inteligência Artificial está canibalizando recursos de hardware que originalmente seriam destinados à indústria dos games.

"Então estamos ficando com a pior parte, e os preços de RAM e armazenamento estão quadruplicando, e não necessariamente parando por aí." Sweeney acredita que o setor sofrerá com a crise contínua de suprimentos para todo hardware relevante para games nos próximos três anos. "A única solução, eu acho, será a construção de novas fábricas massivas para atender às demandas de capacidade do mundo, e isso vai acontecer."

O CEO da Playable Worlds, Raph Koster, acompanha o colapso dos games referente à alta dos custos de produção há mais de duas décadas. Ao GamesIndustry, o executivo afirmou: "Acho que a primeira vez que falei sobre 'Ei, o custo vai nos matar' foi em 2005". Naquela época, ele concluiu que "o custo do desenvolvimento de jogos aumenta cerca de 10 vezes a cada década."

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 Ele repetiu a análise em 2017 e chegou aos seguintes resultados: o desenvolvimento de jogos AAA para consoles ou PC custava cerca de US$ 1 milhão em meados dos anos 1990, US$ 10 milhões em 2005 e US$ 100 milhões em 2015. Sweeney reforça que os orçamentos para produção de blockbusters atingem entre US$ 250 milhões e US$ 400 milhões nos dias de hoje.

O ex-executivo da Tencent, Amir Satvat, destacou como ferramentas como o Claude têm impactado a redução das equipes de desenvolvimento de jogos na América do Norte e na Europa. O resultado são demissões em massa, fechamentos de estúdios e cancelamento de projetos.

"Acho que isso é tão ruim quanto o crash de '83 se você for um game developer baseado na América do Norte ou na Europa Ocidental, em um estúdio AAA tradicional. Esse é o ponto zero para a destruição", afirmou Satvat.

Para Koster, "nossa indústria é cíclica. A menos que atinjamos a singularidade, surgirá uma plataforma que mudará as coisas."

O outro lado da moeda

Apesar desse aumento no custo de produção de jogos AAA ser uma parte importante da atual crise dos videogames, é importante ressaltar que os preços dos jogos passaram por reajustes relevantes nos últimos anos. Em 2020, a Take-Two Interactive inaugurou o novo teto de US$ 70 para suas produções e, nos anos seguintes, várias outras produtoras também seguiram pelo mesmo caminho.

Já em 2025, a Nintendo trouxe o patamar de US$ 80 com a chegada de Mario Kart World para o Switch 2, algo que foi repetido por GTA 6 recentemente.

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No Brasil, o jogo de kart da Big N chegou pelo valor de R$ 500, mas foi barateado após uma revisão de política de preços da empresa em nosso país. O game protagonizado por Jason e Lucia chegou às plataformas digitais na pré-venda por R$ 450.

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