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De prestador de serviços a criador: a virada dos games no Brasil

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Erick Teixeira/Canaltech
Erick Teixeira/Canaltech

A indústria de games no Brasil já ultrapassa 1 mil estúdios ativos e emprega mais de 13 mil profissionais, segundo dados da 2ª Pesquisa Nacional da Indústria de Games, da Abragames com a ApexBrasil.

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Uma parte relevante desses estúdios vive uma dupla realidade: cria seus próprios jogos e, ao mesmo tempo, presta serviços para grandes produções internacionais. Essa combinação, que por anos definiu o perfil da indústria local, está mudando de forma acelerada.

Para o presidente da Abragames, Rodrigo Terra, o modelo de prestação de serviços — chamado no setor de external development ou co-development — foi, durante muito tempo, a principal forma de sobrevivência dos estúdios menores.

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"O estúdio pequenininho começa, precisa pagar boleto. A alternativa é prestar serviço também", explicou Terra ao Podcast Canaltech desta terça-feira (5).

O caminho mudou a partir do programa Brazil Games, iniciativa da Abragames em parceria com a ApexBrasil focada em exportação.

Com acesso a mercados internacionais, vários estúdios que começaram prestando serviços passaram a ser reconhecidos fora do Brasil, e parte deles escolheu focar nessa linha de negócio, enquanto outros migraram para o desenvolvimento de propriedade intelectual própria.

Hoje, segundo Terra, o mercado está dividido de forma quase igual entre as duas frentes.

Além da mão de obra barata

A percepção de que o Brasil era um polo de mão de obra barata já está em revisão, na avaliação do presidente da Abragames. O país não compete mais por preço baixo, já que países como China e Malásia ainda oferecem custo menor. O diferencial, agora, é outro.

"O nosso custo-benefício é você conseguir fazer uma empresa muito competitiva sem precisar baixar seu preço", disse Terra. Ele também aponta o fuso horário como vantagem estratégica: a posição geográfica do Brasil facilita o trabalho com Europa, costa leste e costa oeste dos Estados Unidos e Canadá, uma janela de colaboração que outros mercados concorrentes não têm.

A qualidade da entrega também subiu de nível. Estúdios que antes faziam apenas partes de projetos, um trecho de código, um pacote de arte, hoje executam projetos do início ao fim. A própria Nintendo, segundo Terra, trouxe à Gamescom Latam um representante de second party para contratar nesse formato.

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Sucesso global em menos de uma década

O maior obstáculo para o crescimento da indústria local, na visão de Terra, não está fora do país, está dentro. O consumidor brasileiro historicamente prefere conteúdo estrangeiro em games e cinema, ao contrário do que acontece com música e televisão.

Alguns estúdios brasileiros chegam a lançar páginas na Steam apenas em inglês, sem qualquer comunicação em português, apostando diretamente no alcance global.

"Videogame é um mercado global. Faz três pessoas numa garagem e lançam para o mundo todo", afirmou Terra. A avaliação é de que o sucesso provavelmente virá de fora para dentro, como ocorre com outros produtos culturais brasileiros.

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Sobre quando o Brasil terá um título com alcance equivalente ao de franquias como FIFA ou Assassin's Creed, Terra é específico: menos de dez anos. O território mais provável não é o dos jogos triple-A com orçamentos acima de US$ 500 milhões, mas o dos títulos independentes que conquistam o mundo — a exemplo do que fizeram Hollow Knight e, mais recentemente, Clair Obscur: Expedition 33, produção francesa que virou referência global no gênero.

"Pode ser um novo Hollow Knight", disse Terra. "É esse território que o desenvolvedor brasileiro consegue jogar".