Criador do Minecraft ataca (de novo) mulheres e homossexuais no Twitter

Por Patrícia Gnipper | 30 de Junho de 2017 às 12h30

Notch, criador do game de sucesso Minecraft, está estampando o noticiário desta sexta-feira (30), mas não por conta do sucesso do jogo que criou, e sim por, mais uma vez, estar proferindo comentários machistas e homofóbicos no Twitter.

Há alguns dias celebramos em todo o mundo o Dia do Orgulho LGBT, em que lésbicas, gays, bissexuais e transexuais seguem lutando pela conscientização quanto a seus direitos e respeito em toda a sociedade. Mostrando ser bastante ignorante quanto ao assunto, Markus Persson publicou um tweet na quinta-feira (29) com a hashtag #HeterosexualPrideDay, dizendo que “se você é contra o conceito de um dia do orgulho hetero, você é uma completa c*** e merece levar um tiro”, sendo que o xingamento usado é uma palavra em inglês considerada a maior ofensa que se pode falar a uma mulher naquele idioma. Ou seja, um termo ofensivo às mulheres e, como se não bastasse a ofensa, ainda instigou a violência.

Apesar de o tweet ter sido apagado pouco depois, por conta da enorme repercussão negativa, usuários da rede de microblogging rapidamente printaram aquele conteúdo, disseminando-o pela rede. Foi o que fez a YouTuber Kat Blake, que retrucou a postagem recomendando que mães prestem atenção ao que Notch fala por aí quando seus filhos estiverem jogando Minecraft.

Notch, que tem 3,8 milhões de seguidores somente nesta rede social, ainda respondeu ao seu próprio tweet brincando com a ofensa que saiu por meio de seus dedos, dizendo que o tal tiro seria feito por um fotógrafo (brincando com a palavra “shot”, que pode significar tanto atirar com uma arma, quanto fotografar), e, em seguida, reforçando a ideia inicial, disse que o tiro seria feito “com uma arma” mesmo.

Essa não foi a primeira vez

Enquanto diversos usuários revoltados com a postura do criador de Minecraft tentaram explicar ao bilionário que um “dia do orgulho hetero” não existe porque pessoas heterossexuais não sofrem preconceito por conta de suas sexualidades, Notch seguiu fazendo piadas a respeito, inclusive utilizando a palavra “c***” em outros tweets. Na verdade, este xingamento machista parece ser um dos preferidos de Persson, que já havia virado notícia em 2016 e em outras ocasiões em 2017 xingando mulheres com esta palavra, especialmente feministas, que lutam diariamente para combater o machismo em seus meios de convivência.

Ontem mesmo, um usuário perguntou (como brincadeira) se Notch havia adquirido cidadania australiana porque vinha usando muito a palavra “c***” atualmente. O bilionário respondeu, então, que “não pode parar”, fazendo um trocadilho entre “can´t”, que significa não poder, e “c***”, cujas pronúncias ficam parecidas com o sotaque australiano.

Agora, um novo movimento está surgindo entre feministas e não heterossexuais no universo gamer, pedindo para que as pessoas boicotem Minecraft e qualquer outro produto criado por Notch, a fim de não mais dar dinheiro a ele, que tem se mostrado preconceituoso e não está disposto a rever suas posições. Markus Persson já teria ganhado cerca de US$ 1,75 bilhões com a Mojang, desenvolvedora que ajudou a criar e da qual saiu há alguns anos, mas ainda sendo detentor de 70% da empresa.

Minecraft é um fenômeno mundial desde seu lançamento em 2011. Recentemente, a Mojang anunciou que o game com carinha de Lego vendeu 122 milhões de cópias entre PCs, consoles e plataformas móveis, sendo o segundo jogo mais vendido no mundo, perdendo apenas para o clássico Tetris. Tanto sucesso inspirará uma produção cinematográfica, que deve estrear em 2019.

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