Anthem | Tudo sobre narrativa, demo e personagens em entrevista com produtor

Por Wagner Wakka | 11 de Dezembro de 2018 às 10h51
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Quando a BioWare apresentou Anthem lá na E3 de 2016, em impressionante vídeo de gameplay, pouca gente acreditou que aquilo era imagem real de gameplay. No ano seguinte, ela então passou a revelar um pouco mais do que seria sua nova propriedade intelectual, ainda sem revelar toda narrativa.

Por conta disso, o painel da última sexta-feira (7), durante a Comic-con Experience (CCXP), pode ter sido tão importante para entender o potencial de Anthem. A BioWare enviou para o evento Scylla Costa, quem se apresenta como produtor do game. Contudo, ele é a peça ideal para apresentar o universo que tem tanto potencial como o dessa nova propriedade.

Scylla Costa, produtor de Anthem, durante painel na CCXP (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Costa é brasileiro e está há oito anos na desenvolvedora. Passou por Mass Effect 1, 2 e 3, além de parte do Andromeda. Também tem sua mão em Dragon Age: Inquisition. Agora, o pernambucano lidera o time responsável pela criação de mundos e também das narrativas. É aqui que Costa brilha, ao contar toda história que nos espera em Anthem.

Do que se trata?

Anthem é o novo jogo em mundo aberto da BioWare. A proposta é que o jogador entre na pele de um freelancer e use uma armadura chamada de Lança para combater monstros em um mundo, de certa forma, apocalíptico.

A estrutura se desenvolve em um sistema de evolução por loots. Isto é, o jogador faz missões, sobe de level, mas o que o faz ficar mais poderoso mesmo são os equipamentos que pega pelo caminho.

Toda essa mecânica de gameplay é a base de Anthem. A palavra pode ser traduzida para o português como “hino”. Segundo o apresentado por Costa, Anthem acontece em um universo devastado.

Aqui, existe um poder chamado de Hino da Criação. Trata-se de uma espécie de energia que molda o mundo, usado pelos antigos deuses para criar tudo que existe neste universo. O que parece ter acontecido é que tais deuses, munidos destes hinos da criação (ou anthems), sofreram algum problema e deixaram o mundo inacabado.

As pessoas têm conhecimento disso por conta de Shaper, assim chamadas as ruínas formadoras. É com elas que se tem contato com o Anthem e toda a sorte de poderes que ele tem.

Contudo, como uma energia que cria tudo, ele é capaz de moldar o bem e o mau e transformar criaturas boas em monstros atraídos pelo seu poder. Em suma, já dá para perceber que estar perto deste poder pode não ser uma boa ideia.

Também no universo de Anthem, inacabado e abandonado pelos seu próprios deuses, existe toda sorte de comunidades que vivem tentando se proteger. O jogador terá de criar seu próprio freelancer, que vai aceitar contratos para ajudar a comunidade que pretende proteger. Este grupo, por conta dos poderes e riscos, vive em fortes.

A escolha do nome já é um ponto curioso. Sem uma tradução na versão em português, a escolha de um freelancer, no lugar de mercenário, muito utilizado por aqui, mostra a real intenção do personagem. “Os freelancers realmente não são mercenários, porque não fazem as coisas por conta de dinheiro. O objetivo deles é proteger, eles são como soldados superespecialistas, que entram para fazer missões superdifíceis. O comparativo seria os mariners norte-americanos, por exemplo”, explica Costa.

Ao todo, o jogador vai poder controlar quatro tipos de Lanças, a armadura com que protege a cidade: o Patrulheiro, voltado à precisão; o Colosso, com características de tanque; O Interceptor, mais voltado à velocidade; e a Tempestade, com golpes elementais.

Quatro tipos diferentes de lanças para se escolher (Foto: Divulgação/EA)

Estes serão os únicos personagens jogáveis, mas a trama carrega uma série de NPCs. Entre eles há os sentinelas, personagens menos poderosos, mas que ajudam na defesa do forte; os arcanos, voltados à estudar e entender a origem e poder do Anthem; e os cripto, que funcionam como uma espécie de telepatas, para ajudar a guiar o jogador em seus contratos.

Alguns personagens

A BioWare já havia revelado certas novidades em narrativa. Entre eles estão personagens como Haluk, um freelancer piloto lendário, seu mentor; e Navine e Owen quem são os principais criptos na sua jogatina. Ele, mais brincalhão; ela, voltada aos momentos sérios.

Contudo, Costa apresentou outros personagens:

  • Agente Mathias: um arcano que busca entender a formação do Anthem. Terá duas missões de sua história;
  • Agente Brin: também arcana, quem guia o jogador pelo início da trama;
  • Agente Aeron: piloto aposentado que vai ajudar a ensinar o jogador sobre a filosofia de ser um freelancer.

Por fim, Costa também apresentou o vilão da trama. Chamado de Regente, na versão em português, ele é o líder de uma sociedade militarizada chamada de Domínio. Tal grupo busca alcançar o poder do Anthem e dominar outras raças. Logo, a proposta é que você corra atrás das relíquias antes que o mal ponha as mão neste poder. Simples assim.

Regente, apresentado como grande vilão de Anthem (Foto: Divulgação/EA)

Personalização

Durante o painel na CCXP, Costa apresentou um vídeo de gameplay mostrando uma missão inicial do game. O título, já com legendas em português, mostra que algumas coisas devem permanecer com o nome em inglês. Entre elas, o título de freelancer.

Revela-se também que Anthem deve apostar na mecânica do personagem mudo, que embora faça tudo, participa pouco da narrativa. O seu boneco, mesmo que você dê qualquer nome ou escolha qualquer gênero, sempre será chamado simplesmente de freelancer na narrativa.

Contudo, será possível modificar e criar sua própria armadura pegando os equipamentos que achar pelas fases, na mecânica base de loot.

Em se tratando disso, Costa foi bem enfático em dizer que Anthem não terá loot boxes. Dessa forma, será possível investir em itens cosméticos para seu personagem, mas ele sempre vai saber o que está comprando, sem a mecânica de surpresa das loot boxes.

“A gente tenta fazer o que é mais justo para os jogadores. A nossa filosofia sempre foi tratar bem o consumidor. O jogador tem sempre que achar que é justo. Todas modificações são cosméticas e podem ser compradas por dinheiro real, mas não tem nenhum ganho de poder no jogo”, explica.

Tirado o elefante branco da sala, vamos ao gameplay apresentado às portas fechadas. Ele mostrou uma missão inicial, em que o jogador é contratado pela Agente Brim para lidar com uma ameaça de titã, um dos monstros tomados pelo Anthem.

Usando uma lança tempestade, a apresentação revelou uma batalha bastante verticalizada e baseada em equipe. Ao todo, até quatro pessoas poderão entrar em um mesmo contrato. Ali, enquanto o jogador atirava nos snipers dos prédios, o colosso fazia a sua parte em se concentrar no titã e o Interceptor em reavivar as sentinelas que morriam pelo caminho.

Tal conjunção, bastante orgânica, mostrava uma interessante variação tática do simples mirar e atirar, ainda mais coordenado na mecânica de voos das lanças.

Aspectos técnicos

Todos os vídeos do game que são apresentados mostram um ambientação da cachoeira, natureza, rios e vegetações que impressionam. Tanto que parece impossível. Não à toa que há suspeitas de que todas as produções apresentadas sejam roteirizadas para mostrar um universo mais dinâmico do que realmente será na versão final. Sobre isso, Costa nega que seja dessa forma.

“Eu queria até falar desse ponto. No começo, quando a gente anunciou o Anthem, muita gente começou a comparar com outros jogos. Porque a gente tenta comparar com algo que a gente conhece. Depois, a gente percebeu que algumas pessoas começaram a falar ‘mas está muito bonito’, como se aquilo não pudesse ser real, que fosse algo como uma CG [computação gráfica]. Então, esse pessoal não acreditava que era verdade. Isso, até o momento em que a pessoa pega o controle e começa a jogar, entende que é um jogo diferenciado. É um jogo que tem uma verticalidade na mobilidade. A forma como você pode seguir, com liberdade para explorar qualquer área”, rebate.

O produtor também falou sobre multiplayer competitivo e também foi enfático em dizer: “No lançamento não teremos o PvP”. Assim, ele joga para longe também as suspeitas de que a BioWare pudesse apostar em um battle royale aqui.

O jogo também não deve ter crossplay, de acordo com Costa, mas não por conta de uma incapacidade técnica, mas por desistência das empresas detentoras das plataformas. Ou seja, basta que Microsoft e Sony entrem em acordo.

Navine, uma das cripto que acompanham o jogador na narrativa (Foto: Divulgação/EA)

Outros dois temas do painel foram eSports e DLCs. Sobre este primeiro, a BioWare não pretende fazer de Anthem um game com características de eSports, ao menos não está nos planos agora.

Sobre conteúdos extras, Costa foi bem claro em informar que isso será direcionado pelo feedback do jogador.

”Obviamente, que a gente tem os nossos planos, a gente planeja várias coisas. Algumas delas deixamos mais para frente porque era muito complicado de fazer agora, então a gente joga para expansão, ganhando tempo. Outras coisas porque a gente achou de seria mais legal só quando as pessoas já tivessem visitado o mundo e conhecessem um pouco mais sobre a história do jogo. Mas, com certeza, o feedback da comunidade será superimportante. Se a gente vir se eles querem mais de alguma determinada coisa, então a gente vai investir mais naquela área”, conta o produtor.

Balanço

O cooperativo de Anthem vai funcionar de forma independente na maioria do tempo. Isso quer dizer que o jogador vai ser direcionado para o Forte Tarsis, uma espécie de hub pessoal em que ele somente verá seu personagem. Contudo, como mostrado na apresentação da CCXP, será possível compartilhar contratos.

Costa explicou que um jogador de nível mais baixo vai poder fazer uma missão com outro de nível mais alto. Contudo, se este menos avançado ainda não tiver desbloqueado aquele contrato, pode ajudar seu amigo, mas não conta como missão cumprida na história. Apesar disso, ele ganha toda experiência e equipamentos.

Por conta disso, foi preciso fazer algo que Costa considerou como algo bastante difícil: equilibrar os níveis. Caso um jogador menos potente entre em um contrato de nível mais avançado, a jogabilidade deve ser balanceada para que ambos se divirtam. Técnica bastante complexa que permeia fazer a missão não ficar tão difícil para o mais fraco, nem tão simples para o jogador mais avançado.

Assinatura da BioWare

Outra informação fornecida por Costa é que Anthem terá traços muito característicos dos jogos da BioWare. O que isso significa?

“A gente tem uma frase que ajuda chegar no conceito. A frase é: ‘Nosso mundo , sua história’. Quando você está dentro do Forte Tarsis, você está basicamente dentro do single-player, você não vai ter outros jogadores. Você pode interagir com qualquer NPC que você encontrar, você vai ter os role-playing conversations, aquele esquema de conversas que você escolhe as respostas, coisa que você já tem em vários jogos da BioWare. E teremos consequências também, claro, em função dessas escolhas”, detalha.

Game vai trazer decisões e universo secundários para a narrativa (Foto: Diuvlgação/EA)

Responsável pelas narrativas de Anthem, ele explica que o título pretende ser um sci-fantasy, ou seja, uma ficção com toque de misticismo. A inspiração, segundo ele, é o universo de Star Wars.

Com isso, o Anthem pode ser muito semelhante ao que que é a força em Star Wars, um poder que, no fim é uma face de dois gumes. Será que o Anthem pode corromper um freelancer? “Ainda bem que que esta entrevista não tem vídeo”, brincou em um tom corado.

“Bem interessante essa sua pergunta. Como todo poder, ele corrompe. Isso com certeza faz parte da história do Anthem. Você tem o Regente querendo controlar o hino da criação. Com isso, controlar também as criaturas que são afetadas. Então, muito da lore vai acontecer em torno desta questão de opção pelo hino da criação. Você tocou realmente em um ponto crucial. Mas não quero dar spoilers. A gente coloca isso no jogo, também, porque faz parte da natureza humana. As narrativas da BioWare são calcadas em tocar nesses pontos que são relativos à natureza humana. A gente tenta traduzir ou trazer de uma forma diferente esses debates para os nossos jogos também. Então , eles vão estar lá sim”, finaliza.

Os próximos passos

Anthem agora terá duas semanas de demo jogável. A primeira acontece em 25, 26 e 27 de janeiro, chamada de VIP, somente para usuários que fizeram a compra antecipada do título. No outro final de semana, no dias 1º, 2 e 3 de fevereiro, acontece a segunda rodada, aberta a todo o público.

Como demo, Costa explica que a proposta é estressar os servidores e receber o feedback do público. Por isso, deve chegar com contratos e personagens mais avançados na história e não apenas tutorial e missões iniciais.

Anthem é desenvolvido pela BioWare, com parte do estúdio em Edmonton, no Canadá, do qual Costa faz parte e outro em Austin, nos Estados Unidos. Ele será publicado pela EA em 22 de fevereiro de 2019 para PlayStation 4, Xbox One e PC.

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