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Análise | Super Smash Bros. Ultimate inova com novo modo single player gigante

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Quando a Nintendo lançou Super Smash Bros. em 1999 para o Nintendo 64, fundou, já no primeiro título, os pilares que a série teria. Chamada por muitos de jogo de luta, na verdade a série se encaixa mais no que se pode chamar de puzzle competitivo. Isso porque os jogadores nem sempre batalham de “cara limpa”, como acontece na maioria dos jogos, mas contam com itens, modificadores e até desafios do estádio para vencer a batalha.

Em Super Smash Bros. Ultimate, a Nintendo elevou ainda mais esse conceito de puzzle do jogo. Aqui, é ainda mais difícil chamá-lo de luta do que jamais foi. Contudo, antes de entrar no último da série, é preciso situar os menos experientes sobre o que é Super Smash.

Este é o título da Nintendo que coloca todos seus principais personagens para caírem na porrada entre si. Mario, Bowser, Peach, Luigi, Samsu, Fox, DK e muito outros, alguns até obscuros, descem a mão sem dó entre si.

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Contudo, diferente de um game de luta convencional, o objetivo não é derrubar toda a barra de vida do adversário, mas jogá-lo para fora do estádio em que se está lutando. Quase 20 anos depois do lançamento do primeiro jogo, essa ainda é a base de Super Smash.

Com o tempo, a franquia teve um boom para os eSports que a Nintendo talvez não tivesse previsto. Foi com Melee, de 2001, que os jogadores mais se apegaram aos personagens, título que tornou sinônimo de competitivo da série.

Com 17 anos de idade, a Nintendo sabia que era preciso renovar este brinquedo. Por isso, Ultimate chega com a proposta de ser a versão definitiva de Super Smash, abraçando aquilo que o jogador mais gosta na diversão e melhorias de vida que instiguem os competidores a saltarem para a nova geração.

Mais é mais

A primeira característica de Ultimate que salta aos olhos é que ele é gigante. O título conta com 74 personagens únicos e mais de 80, contando variações de um mesmo boneco. Em termos de estádios, são acima de 100, sendo que todos possuem versões normais ou battlefield (aquela pequena com apenas três plataformas).

Número de personagens passa de 80. Na imagem ainda não há todos (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Nos modos, há pelo menos quatro grandes temas. O primeiro é o Smash, comparável a um multiplayer competitivo local, no qual os jogadores fazem partidas for fun, criam torneios e jogam com regras específicas.

Há outro modo chamado de Games & More, que engloba o treinamento, as versões de 100-char, cruel e all-star melee. A ideia deles é que você mate o maior número de personagens no menor tempo possível, trazendo essas brincadeiras que fizeram sucesso na versão de Wii.

No Games & More também é onde reside o Classic. Trata-se da versão single player tradicional, em que o jogador enfrenta uma sequência aleatória de personagens e um chefão no final. Há algumas mudanças aqui que serão listadas mais à frente.

Dentro do Games & More ainda há o treino, com toda a sorte de brincadeiras que ele tem, como lançar o saco de pancadas o mais distante possível.

O terceiro modo é o Online, o qual também será mais destrinchado em breve.

Por último, há o Spirit, voltado para ao novo modo single player do game.

Tudo isso, oferece ao jogador uma quantidade exagerada de conteúdos até mesmo para quem já é acostumado com a já bastante gigante série de Smash Bros.

A cereja do bolo

Vamos começar com o que Ultimate tem de melhor. A Nintendo colocou toda a nova trama deste título em um modo chamado World of Light. A história para fazer os personagens sairem na pancada entre si envolve espíritos.

Uma entidade chamada Galeem invadiu o universo da Nintendo e roubou a alma dos personagens. Dentre eles, somente Kirby conseguiu se manter são. A escolha da fofa bolinha rosa não é aleatória. Primeiro, por que ele é uma cria de Masahiro Sakurai, também diretor de Ultimate. Segundo, porque a sua habilidade de dar mais que apenas um pulo funciona bem para quem ainda não está inteirado com a mecânica de Super Smash.

De volta à trama, Galeem possui uma máquina que consegue replicar os personagens e colocar seus espíritos em estátuas. É contra elas que o jogador tem que batalhar para libertar os espíritos de seus companheiros.

Para isso, é preciso caminhar por um imenso tabuleiro cheio de caminhos possíveis e tipos diferentes de inimigos. Quando o jogador encontra a estátua de um determinado personagem, então, o liberta para ser escolhido em todos os modos.

Essa foi a forma que a Nintendo encontrou de instigar o jogador a entrar neste mundo novo de aventuras que é World of Light, oferecendo personagens jogáveis de recompensa.

Junto disso, ela também traz mecânicas novas que conferem um toque de RPG ao modo. Cada batalha deste grande tabuleiro tem suas particularidades e liberta um espírito comum (não de personagem). Isso quer dizer que a disputa pode acontecer com lava no chão, com o adversário gigante, só com itens explosivos, com desvantagem de força; enfim, com toda sorte de possibilidades.

Tipos de dungeons de Super Smash Bros. Ultimate (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Para equilibrar isso, a Nintendo criou uma técnica de equipar espíritos que você libera pelo caminho. Tais espíritos podem ser primários (modificando força e resistência) ou secundários (envolvendo circunstâncias ou habilidades especiais).

Dos espíritos primários, ainda, há uma mecânica de jo-ken-pô. Eles são listados em quatro cores: vermelha (mais de ataque), azul (para defesa), verde (mais elemental) e cinza (neutro), sendo que o vermelho é forte contra o verde, que é forte contra o azul, que é forte contra o vermelho.

Tudo isso faz com que o jogador tenha, antes de cada luta, de escolher o espírito que quer equipar para ganhar vantagens contra seu adversário. Por exemplo, se seu inimigo tem um espírito vermelho, tem vantagens de força e vem com versão metal; e você precisa escolher um espírito azul (vantagem sobre o vermelho) e outro secundário que possa aumentar a sua resistência ou permite ser mais forte contra inimigos de metal.

Mapa se abre aos poucos e é uma imensidão de coisas (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Tais espíritos ainda contam com levels que aumentam com o passar do tempo, ou quando você usa itens para isso. Junto, seu personagem também tem uma árvore de habilidades que pode ser aberta com pontos recebidos de espíritos.

Toda essa gama de possibilidades dá todo um caráter de profundidade e instiga o jogador a buscar no início os melhores setups para entrar em uma batalha.

O mapa também é gigantesco e oferece uma gama de mais de 400 batalhas e acima de 50 personagens para abrir pelo modo. Neste tabuleiro também há pequenas dungeons com chefões próprios (como a Master Hand clássica e outros originais).

Em suma, você tem muita, mas muita coisa para fazer em World of Light, um espaço que lhe deve tomar cerca de 50 horas para completar e mais outras tantas para fazer tudo que o modo oferece.

Entretanto, este é bem o problema desta nova proposta: ela dura demais. Veja bem, com 400 batalhas que mudam em alguns detalhes entre si, é possível que o jogador se preocupe em buscar o melhor setup somente nas primeiras batalhas. Lá pela 200ª vez que você está enfrentando um inimigo, começa a entrar no automático e passa a vir na cabeça o pensamento de “como eu passo isso da forma mais rápida possível?”.

Como algo muito extenso e que se modifica muito pouco, há uma dicotomia na dificuldade. Os inimigos muito fáceis não dão nem gosto de enfrentar. Contudo, os inimigos mais difíceis não são instigantes, mas apenas um empecilho para que você passe as fases o mais rápido possível.

Espíritos podem ser equipados e ajudam a dar vantagens ao jogador (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Em suma, o novo modo é realmente inédito na franquia, mas dura demais sem se modificar. Ele mostra um mapa gigante com ambientes e detalhes muito interessantes para quem se presta a notá-los. Contudo, pela magnitude, o mundo se torna exagerado e não convida ao olhar para tudo.

É um excelente modo que não deve ser feito em maratona, mas pequenas corridas, jogando umas 20 partidas, no máximo, por vez.

Árvores de habilidade do modo World of Light (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Outros modos

Contudo, não é só da nova história que vive Super Smash. O modo clássico também ganha novos toques. O primeiro é um novo minigame em que os jogadores precisam coletar o maior número de moedas em um curto espaço de tempo. Este minigame acontece como um alívio antes de enfrentar o chefão.

Aliás, em termos de chefão, o jogo faz mudanças no último inimigo de acordo com o personagem que você escolhe. Por exemplo, se for da turma do Mario, o chefão será o Bowser. Se for da turma da Samus, Ridley aparece como inimigo final.

O online é também um divisor de águas neste título. A Nintendo sabe que ela precisa, e muito, fazer com que seus jogadores se interessem em jogar entre si e transformem Ultimate no novo game competitivo.

Contudo, o sistema ainda carece de melhorias. Por exemplo, se você pega um jogador de países muito distantes como os orientais, o game fica impraticável. Isso porque a diferença de segundos em lag pode ser crucial em um título como Ultimate. Contudo, o game tem desempenhado bom papel com jogadores que combatem em regiões próximas.

Dito isso, para jogar com aquele amigo do mesmo país que você, provavelmente você não terá problemas. Entretanto, para fazer uma disputa com os melhores do mundo, ainda será difícil por conta do lag.

Jogabilidade

Jogo mantém  características da série (Foto: Wagner Wakka/ Canaltech)

A Nintendo também adicionou algumas melhorias em qualidade de vida aqui neste game. Aqui, são alguns detalhes que tornam Ultimate o melhor da franquia. Por exemplo, o novo minimapa que indica quão próximo o personagem está de sair do estádio quando está fora da tela.

Outra mudança é que quando você dá um smash (golpe forte) que resulta em morte do inimigo, há uma pequena animação que dá todo um caráter épico ao momento. Por fim, a utilização de todos esses personagens por tanto tempo também permite ver que a Nintendo já tem um bom balanço de força deles. Dessa forma, Ultimate chega com poucos personagens muito fortes ou muito fracos, resultado de anos de pesquisa da franquia.

Quanto aos controles, bem... Para jogos casuais, os joy-cons podem fazer muito bem o papel na diversão. Contudo, é visível (e até a Nintendo já confirmou isso) que Ultimate foi feito para ser jogado no Pro Controller.

O ponto positivo aqui, contudo, é que ele funciona bem, mesmo com os pequenos botões dos controles originais do Switch. Vale ressaltar que ele pode ser melhor aproveitado no dock, já que a pequena tela do console tende e fazer desaparecer os personagens pela quantidade de informação na tela.

Novos tipos de chefes de Ultimate (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

No âmbito de multiplayer, dividir o par de joy-cons também não é a pior coisa do mundo. Ele tem um desempenho satisfatório na jogatina, mas pode causar certo estranhamento para acionar os botões R e L no ombro. Contudo, com boa resposta, ele garante a brincadeira entre amigos numa boa.

Vale ressaltar também que a Nintendo já deixa bem no menu principal a opção de personalizar os controles. Essa é uma característica que mostra como Ultimate está disposto a abraçar o competitivo, permitindo que os jogadores até salvem o seu setup de controle de forma mais fácil.

Smash 1.5?

Uma das críticas que Ultimate recebeu na apresentação é de que ele seria muito parecido com o seu antecessor. Tanto que poderia ser considerado apenas uma versão mais completa do mesmo título, e não um game inteiramente novo.

Depois de passar dezenas de horas com este game em mão é possível cravar com toda certeza: Ultimate é sim um game totalmente novo. Ele conta com mais de 50 horas de conteúdo totalmente inédito, modos inovadores, propostas bem diferentes e ainda traz pequenas modificações de jogabilidade.

Novo modo de desafios separa metas por modos de jogo (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Todo este conjunto de novas propostas com aprimoramento do que se já tinha na franquia permite dizer que Ultimate avança, e muito, no que a Nintendo criou no universo de Smash Bros.

Este é um game que deve dar o que fazer por muito tempo para os fãs mais exigentes e traz tudo que um jogador competitivo pode querer.

O principal problema dele é ritmo e repetição no modo single player. Ter um universo tão grande com poucas variações pode perder o jogador pelo caminho e deixar de canto toda sorte de detalhes que Sakurai e seu time prepararam para os fãs da Nintendo.

Super Smash Brosh. Ultimate é, sim, um completo novo game da franquia, com todos os personagens, estádio, itens e sorte de puzzles apresentados até agora com uma pitada generosa de novo. Sem dúvida, como a Nintendo prometeu, é a melhor versão de Super Smash lançada até agora.

Super Smash Bros. Ultimate foi desenvolvido pela Hal Laboratory com uma série de parceiros e publicado pela Nintendo no dia 7 de dezembro exclusivamente para Switch. No Canaltech, o jogo foi analisado com cópia cedida pela Nintendo of America.

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