Análise | Super Bomberman R acende a pólvora, mas não bombardeia

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Lançado originalmente para Nintendo Switch, Super Bomberman R chegou ao lado de The Legend of Zelda: Breath of the Wild como um dos jogos do lineup de lançamento do console. A exclusividade e o timing podem parecer ter prejudicado o game, e talvez por isso a Konami tenha decidido expandir o game e levá-lo ao PlayStation 4 e Xbox One mais recentemente.

Todavia, a sensação que ficou após testar o título é que, mesmo se ele tivesse sido lançado em outra época, pré ou pós a aventura de Link, ainda assim não teria emplacado como prometeu. Afinal, a sétima franquia com mais tempo de mercado é Bomberman, e a surpresa de seu anúncio (ninguém estava esperando) somada à experiência certamente levaram as pessoas a acreditarem que esse novo game poderia trazer algo inovador para a série. Mas...

(Imagem: Konami)

Novidades com cara de velho

Logo de cara, existem dois menus principais em Super Bomberman R: Padrão e Grand Pix, que foi adicionado no final do ano passado. Dentro do menu Padrão, há dois modos de jogo, sendo o primeiro o modo história, e o segundo o de batalha – com vários submenus, incluindo partida rápida, partida online, partida offline, etc. O Grand Pix é quase a mesma coisa, voltado exclusivamente para a competição, só que ele possui um plot próprio (falaremos sobre isso na sequência).

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No que diz respeito ao modo história, bem, antes de mais nada é preciso ressaltar que o game é um reboot da série original. Não que houvesse um lore profundo que precisasse ser explicado em diferentes sessões de conversas, nada disso. Tirando um título ou outro, como Bomberman Hero de Nintendo 64 ou Bomberman Jetters de GameCube, por exemplo, não há muito o que se explicar em termos de narrativa – e este último, ainda assim, possui um plot simples também.

Tudo o que é necessário saber é que, em Super Bomberman R, o herói possui sete irmãos, cada qual com uma cor e personalidades diferentes. Eles não possuem habilidades notáveis que os diferem uns dos outros, a não ser mobilidade e alcance da bomba padrão — mas, novamente, não é uma diferença gritante (na realidade, é quase imperceptível). A história começa com o maldoso imperador Buggler, figurinha carimbada da série, mais uma vez atuando como vilão aqui.

(Imagem: Konami)

Ele reúne cinco Bombers do mal para que cada um domine um planeta do sistema onde Bomberman e sua família vivem e planeja se tornar o regente do universo. Para impedir isso, o herói parte junto de seus irmãos e aí começa o game, com o jogador passando por cada um dos mundos sozinho ou em co-op, enfrentando diversos inimigos em cenários pouco diversificados.

R de repetitivo?

Aqui começam os problemas do game, sendo a repetição excessiva o maior deles. Afinal, o jogador é obrigado a passar por cerca de oito fases em cada mundo antes de enfrentar o boss (o Bomber do Mal, no caso). As batalhas contra esses Bombers especiais são realmente divertidas na maioria dos casos, pois são divididas em duas etapas: a primeira num labirinto normal com blocos como principais obstáculos, e a segunda em um mapa aberto geralmente com o chefe em sua fase final, i.e., um robô gigante com habilidades únicas.

Mas até que se chegue a esse clímax, é preciso enfrentar um grande inimigo: a repetitividade. As oitos fases pré-batalha contra o chefão se passam em fases comuns, labirintos com blocos e robôs menores rondando (eles causam one hit kill, por sinal). Em 90% dos casos, tudo o que o jogador precisa fazer para passar para a próxima fase é derrotar esses autômatos pouco diversificados.

(Imagem: Konami)

Vez ou outra existem alguns desafios a serem cumpridos e só assim a porta de saída é liberada. Não é nada complexo: basta encontrar chaves, salvar amigos ou ativar alavancas especiais. Porém, fazer todo esse processo em pelo menos 50 níveis ao longo de sete mundos é no mínimo exaustivo. Isso somado ao fato de que as fases são pouco criativas e diferenciadas, algo que só agrava essa problemática.

Há de se notar que existe um esforço em diferenciar o design das fases. Esse cuidado está lá, é possível senti-lo. Porém, não em sua totalidade. A sensação é de que ficou faltando algo. A paleta de cores não ajuda muito, ainda mais porque nas cutscenes é tudo extremamente colorido, animado e bonito. E no jogo normal, que muda do visual cartunesco para um 3D padrão, tudo “murcha”. Perde o brilho.

Visual e som

As músicas de Super Bomberman R estão bem dentro dos padrões, talvez até um pouco mais do mesmo, mas ainda assim referenciando os tons e ritmos dos games originais da franquia, com melodias simples e alegres. Não há nada ousado como nos jogos de Nintendo 64, de GameCube ou no de Saturn, cujo Saturn Bomberman possui uma das mais diferentes e, ainda assim, condizentes trilhas sonoras da série.

O visual por sua vez está belíssimo, apesar de esse aspecto se resumir basicamente às cutscenes animadas – nem tão animadas assim, pois a movimentação é um tanto quanto estática, lembrando um mangá. Esteticamente, é o mesmo Bomberman de sempre, reconhecível há quilômetros de distância, o que é bom, pois traz aquela sensação saudosa de familiaridade. Nada incrível ou fora de curva.

A salvação está com outros títulos da Konami

O modo Grand Prix parece ter sido a adição mais acertada possível da Konami neste game. E, mesmo sendo focado em batalhas (e por batalha entenda "explodir tudo até restar apenas um"), ele possui uma história própria. Aqui, o herói do título enfrentará personagens de outros games da produtora ao lado de seus irmãos em embates de 3 x 3. A ideia é que todos eles estejam competindo no torneio que dá nome ao menu especial para se tornarem os maiores Bombers da história.

Estão presentes Max, Option Bomber A e Option Bomber B (série Bomberman); Reiko Bomber (Rumble Roses); Shiori Fujisaki Bomber e Ayako Katagiri Bomber (Tokimeki Memorial); Jehuty Bomber e Anubis Bomber (Zone of Enders); Dracula Bomber e Simon Belmont Bomber (Castlevania); Princess Tomato Bomber (Princess Tomato in the Salad Kingdom); Bubble Head Bomber e Pyramid Head Bomber (Silent Hill); Bill Bomber e Lance Bomber (Contra); Vic Viper Bomber e Vic Viper Zero Bomber (cujo visual é inspirado em Gradius); Raiden Bomber, Solid Snake Bomber e Naked Snake Bomber – os dois últimos com a voz de David Hayter – (Metal Gear Solid); Goemon Bomber e Ebisumaru Bomber (Goemon); Octopus Bomber (Parodius) e Xavier Woods Bomber, que é baseado no lutador de Wrestling de nome homônimo.

(Imagem: Konami)

Dependendo da versão que o jogador adquirir, alguns Bombers são exclusivos, como é o caso de Ratchet & Clank Bomber (da série Ratchet & Clank da Sony), Master Chief Bomber (da série Halo da Microsoft) e P-Body Bomber (da série Portal, da Valve). No último patch de atualização (2.1), por sinal, todos os Bombers, incluindo os sete irmãos de Bomberman e os vilões, passaram a ser divididos por características como “Bomba”, “Velocidade”, “Ataque”, “Assistência” e “Único”.

Por fim, também foi adicionado novas fases, acessórios e checkpoints em meio às batalhas para apimentar ainda mais as competições. Tudo isso deixa o modo Grand Prix cada vez melhor. Lembrando que ele pode ser jogado tanto online quanto offline, e, independentemente da forma, a diversão é garantida, do começo ao fim – e também o estresse, afinal, é uma competição.

O peso da balança

No final das contas, Super Bomberman R deixa a sensação de que algumas coisas poderiam ser melhores, mas é extremamente necessário dizer que este é um jogo para você aproveitar com os amigos, seja online ou offline. Arriscar jogá-lo sozinho pode vir a calhar de vez em quando, mas o jogador poderá se ver enjoado facilmente. Somado ao fato de que não há dificuldades a serem superadas no quesito jogabilidade, pode se tornar um título que rapidamente se tornará apenas mais um à pilha de jogos.

Além do mais, ainda há o fator preço. Colocando na balança o que ele tem a oferecer, não é um game que, honestamente, valha o preço cheio – ainda mais se você pretende jogá-lo sozinho. Agora, se a diversão for em conjunto, vai fundo. Vai render muitas horas de risadas e também de tensões. Super Bomberman R é um forte candidato a se tornar mais um game que acaba com amizades, mas também é bastante saudosista e traz todo um ar novo para esta, até então esquecida, série.

* Super Bomberman R foi analisado no PlayStation 4 em cópia digital gentilmente cedida ao Canaltech pela Konami.

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