Análise | Mini Metro é um divertido playground minimalista de metrô

Divulgação

Mini Metro é um título daqueles que caminha na linha que divide o simples do complexo. Primeiro, porque é de fácil e intuitivo entendimento: basta criar linhas de metrô que liguem os formatos na tela e pronto, os trens começam a se movimentar.

Longe de ser um simulador de metrô propriamente dito, a ideia em Mini Metro é ser só divertido.

A ideia nasceu de uma game jam. Em 2013, os irmãos Peter e Robert Curry estavam desgostosos com a indústria de games. Ambos haviam trabalhado no setor, mas estavam longe do design de jogos há pelo menos cinco anos.

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Eles então se inscreveram na Ludum Dare, uma game jam indie voltada ao desenvolvimento de um título durante uma semana. Em entrevista ao site MCV, eles contam que a simplicidade de Mini Metro nasceu da limitação. Os dois não tinham tempo para trabalhar integralmente no projeto, mas queriam voltar a produzir games. Então, decidiram que a ideia tinha que ser simples.

“Nenhum dos dois era artista, e ambos tínhamos horas restritas. Então decidimos por algo procedural com um estilo de arte abstrato que não pedisse uma produção muito significante de arte. Jogamos algumas ideias, uma das quais propunha viajar por um mapa de metrô. O Robert tinha visitado Londres um ano antes e descobriu que planejar a sua rota diária pelos tubos do metrô era surpreendentemente satisfatório”, conta Peter ao site.

Os irmãos então criaram o Mind The Gap (“cuidado com o vão”, termo utilizado para alertar passageiros ao sair do metrô em alguns países), um protótipo apresentado na Ludum Dare 26 que já trazia grande parte das características do jogo final.

O título entrou no Steam em acesso antecipado em 2013, quando de fato a versão final começou a ser produzida. Foi lançado oficialmente para PCs dois anos depois, chegando ao iOS e Android no final do ano passado e recebendo sua versão para o Nintendo Switch agora em agosto de 2018. A mudança de nome, segundo eles, era por conta de que a expressão Mind The Gap não ser um padrão internacional, o que não seria de fácil assimilação para todos jogadores.

Simplicidade complexa

Uma primeira olhada em Mini Metro entrega um jogo simples. Exatamente por esta limitação artística à época, o jogo é minimalista. Ele traz formas geográficas básicas para indicar tanto trens quanto estações e até localidades.

A escolha de um conjunto gráfico simplificado tem excelentes consequências para o game. A primeira é que quanto maior a trama de linhas e estações montadas pelo usuário, mais difícil fica entender para onde e quantos trens há em cada linha. Logo, um desenho claro ajuda a desvendar o emaranhado que a tela se torna.

Junto disso, é importante perceber que o game não tem lá muito texto em tela, mas busca trabalhar com uma iconografia fácil de se entender. Assim, mesmo que não se consiga ler explicações, é possível compreender os meandros deste título.

Vale lembrar que o jogo, em todas as versões, está disponível em português brasileiro, dando ainda mais acessibilidade para usuários daqui.

Estações e passageiros são indicados por formatos geométricos (Foto: Divulgação)

A escolha por um estilo minimalista também oferece portabilidade ao jogo. Mesmo com muita coisa se movimentando na tela, não há queda de frames nem na versão mobile (os testes foram feitos com um Samsung Galaxy J5 Pro) nem no Switch.

Contudo, não se engane, essa carinha inocente de Mini Metro esconde um impiedoso game que não lhe dá tempo de respirar. Aqui é preciso muita estratégia, paciência, pausas, escolhas e mudanças constantes para que nenhum passageiro deixe de chegar a seu destino final.

Além das linhas

O jogador atua como um “Deus” criador de linhas. Isso quer dizer que você pode criar os caminhos e retirá-los a seu bel prazer, eliminando todo caráter de realidade da jogatina. Tanto na versão mobile quanto para Switch, isso é feito arrastando o dedo com o touch.

Junto disso, ainda é possível modificar a velocidade dos trens. No começo, pode ser que você seja impelido a adiantar o ritmo dos carrinhos no trilho. Contudo, quando a quantidade de estações aumenta, é recomendável diminuir o ritmo. Também há a opção de parar o tempo, caso as coisas fiquem muito intensas.

Para além disso, o game esconde um segredo que se descobre apenas com horas de jogo e que o tutorial faz questão de não revelar. Assim como as estações, cada passageiro é indicado por uma forma geométrica diferente que também mostra qual é seu destino. Isso quer dizer que o passageiro quadrado quer chegar até alguma estação em formato quadrado, enquanto um triângulo visa ir até a triangular e por aí vai.

Dessa forma, caso ele esteja em uma linha que não tem caminhos para uma estação deste tipo, vai ficar nela até que você crie esta possibilidade ou faça uma junção de linhas que permita baldeação.

Em suma, mesmo que os formatos geométricos pareçam não ter “vontade”, eles se comportam como um ser humano se comportaria. Isto é, vai buscar sempre pegar o caminho mais curto para chegar ao seu destino, mesmo que isso o obrigue a “esperar” mais na estação.

Jogo consegue dar ares de carisma para objetos geométricos (Foto: Divulgação)

Qual o objetivo?

Mini Metro traz três tipos diferentes de modos de jogo. O primeiro é o “normal”, cujo objetivo é não deixar que as estações fiquem lotadas. Esse é estilo abre todas as fases e novas opções.

O segundo é o modo infinito. A ideia aqui é que as estações nunca ficam lotadas, mas o objetivo é conseguir levar o maior número de passageiros ao mesmo tempo com a sua frota de trens. Ou seja, é um modo para você brincar de eficiência.

Por fim, existe o modo extremo, no qual o jogador não pode refazer a sua linha nem deixar que as estações lotem demais.

Cada fase começa com três estações apenas, sendo que a linha precisa ser criada por demanda de estações, diferente da vida real. Ou seja, aqui primeiro aparece uma nova estação (criada de forma procedural), o que gera a necessidade de se pensar uma nova linha.

No modo normal, não é permitido que uma estação fique muito tempo lotada (Foto: Divulgaçào)

A fase toda incorre em um sistema que simula dias, sendo que a cada semana de trabalho um novo upgrade surge para o jogador. Aqui, é preciso fazer uma difícil escolha entre adicionar um carro extra a algum trem, ganhar uma linha extra, adicionar um túnel submarino ou mesmo utilizar uma estação que faz baldeação mais rápido. Algumas fases têm certas particularidades, como a do Japão, com opção de trens supervelozes.

Realidade

Outro ponto muito interessante de MIni Metro é a sua capacidade de simular a realidade de forma imaginária. Como já citado, os objetos trigonométricos trazem muito carisma e por vezes conseguem convencer de que estamos realmente levando pessoas de lá para cá.

Contudo, o toque mais bacana é que os mapas simulam cidades reais. Na de São Paulo, por exemplo, há os rios Pinheiro e Tietê, que dificultam a ligação de linhas caso você tenha poucos itens de criação de túneis.

Em Tóquio, é preciso criar linhas entre outras em um sistema bastante limitado, enquanto a ilha de Manhattan tem mais gente nas estações.

Todo este cuidado dá a Mini Metro um gostinho bastante divertido de realidade, na medida certa, o que faz do jogo desafiador, porém não frustrante.

Vale a pena no Switch?

Esta é uma questão complicada. Em se tratando de um jogo já antigo, Mini Metro pode sair um pouco mais caro no console da Nintendo. O game está sendo vendido por US$ 9,99 (~ R$ 40 na cotação atual), sendo que as versões para Android e Steam saem pela metade do preço.

Outro ponto é que o touch pode não ser a melhor ferramenta para este game. Os irmãos Curry já falaram em entrevista que jogar com o mouse pode ser mais interessante. Isso porque, quando há um grande número de linhas e estações, pode ser que você necessite de mais precisão que o toque de largura de um dedo não pode oferecer.

Mesmo que haja controle pelos joy-cons, a jogabilidade não foi direcionada para esse tipo de gameplay. Logo, a recomendação é se adaptar ao touch pouco eficiente mesmo.

Assim sendo, a dica é: priorize a versão de PC para a qual ele foi criado em um primeiro momento e está mais otimizado. Se portabilidade é uma questão importante para você, pegue então no smartphone que sai mais barato.

Aliás, Mini Metro é uma boa pedida para momentos de jogadinhas rápidas, sendo que cada fase, jogada com toda paz do mundo, pensando cada estratégia, não deve durar mais do que meia hora.

Mini Metro foi criado pelo estúdio neozelandês Dinosaur Polo Club e está disponível para PC, Android, iOS e Nintendo Switch. No Canaltech, o jogo foi analisado em uma cópia para Android e outra para Nintendo Switch, esta última cedida gentilmente pelos desenvolvedores.

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