Análise | Destiny 2: Renegados traz todo conteúdo de que o jogo sempre precisou

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Quando a Bungie anunciou no ano passado Destiny 2, a promessa era de que, ao contrário do primeiro título, este já chegaria com uma história mais profunda, iria manter o nível a que se acostumaram após o lançamento das expansões.

O game chegou, de fato, com uma narrativa mais complexa, a queda da Torre, um dos principais marcos do folclore da série. Acontece que o tempo passou e os usuários começaram a sentir que Destiny 2 não era assim tão complexo como se prometia: faltava recheio, o endgame se esvaziou.

Junto disso, no final do ano passado, Bungie e Activision foram alvos de polêmicas envolvendo a forma como se comunicam com a sociedade, a falta de transparência e dificuldade de contato com os fãs, já relatados também no primeiro título.

Todo esse contexto para dizer isto: é neste ambiente que a expansão Renegados chega aos consoles. A expansão também marca a estreia oficial do High Moon Studios. A desenvolvedora foi comprada pela Vivendi em 2006 e, após o fiasco do jogo Deadpool, em 2013, toda a equipe passou a colaborar com jogos da Activision. O time teve participação em Call of Duty: Advanced Warfare. Em seguida, surgiram rumores de que estaria trabalhando com o desenvolvimento de Destiny 2. O estúdio é detentor do enredo da expansão.

Segundo Luis Villegas, engenheiro líder da Bungie, o High Moon já participava de algumas coisas de Destiny 2, mas agora entra com mais força nesta parceria. “É muito conteúdo que pretendemos colocar aqui, então precisamos de braços a mais “, explicou em entrevista ao Canaltech durante a Brasil Game Show.

Jogo aposta em morte de Cayde-6 para pegar emoção do jogador (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Renegados, portanto, chega com duas missões bastante simples de compreender e difícil de executar. Era preciso trazer o jogador de volta para a franquia com uma história que seja realmente complexa e, ainda, oferecer conteúdos o suficiente que convençam as pessoas a comprarem uma nova expansão que custa cerca de R$ 150.

A vingança nunca é plena

Renegados é uma história de vingança e isso não é nenhum spoiler. Como revelado no trailer da E3 deste ano, um grupo, exatamente aquele que dá nome a esta expansão, os Renegados, se rebela no Arrecife, onde fica a prisão dos Anciões.

A expansão começa, como a história principal de Destiny 2, já em ritmo frenético. Você é colocado no grupo de Cayde-6 para conter a rebelião no local. Cheio de inimigos e um complexo ambiente de celas, o local agrada aos olhos e traz uma impressão de perigo.

Ao tentar conter o local, somos colocados diante da morte, claro, com batalhas de Cayde-6. O momento é bonito, é profundo, é bem escrito e carrega um drama que convence à vingança. Diante do corpo de Cayde-6, começa a verdadeira história de Renegados.

Ainda com o corpo a ser enterrado, Zavala e Ikora começam a discutir se devem jogar todo exército na busca de quem matou Cayde-6. O titã acredita que é preciso segurar o exército na Torre, ainda sob ameaça de novos ataques. Já Ikora acredita que é preciso buscar os bandidos. Em meio a discussões de ambos é que seu Guardião, pela primeira vez em Destiny 2, abre boca e diz que vai sozinho.

Assim, então, acontece toda expansão de Destiny 2, uma caçada ao grupo de Renegados responsáveis pela queda do Caçador mais poderoso. O jogador é apresentado à Orla Emaranhada, um ambiente novo no qual acontece grande parte da expansão.

Depois de uma introdução ao ambiente, ficam abertos no mapa os 8 pontos em que podemos caçar os capangas de Uldren Sov, quem efetivamente puxou o gatilho que mata Cayde-6.

Uldren (no meio) e os oito Renegados em volta (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Variedade

Um dos pontos mais altos desta expansão são efetivamente os vilões. Os oito subchefes, diferente da campanha principal de Destiny 2, são bem diferentes entre si, não só em como se comportam, mas da forma como devem ser mortos. Aqui é preciso usar pardais (as motos de Destiny), arco-e-flecha, bombas, especiais... Ou seja, há muito conteúdo diferente para vencer esta expansão.

Ainda, para além somente da batalha, cada personagem no decorrer da trama arruma seu modo de tacar o terror no personagem, deixando claro que a batalha não será fácil. E, de fato, não é.

Cada personagem exige um nível bastante acima do outro para ser enfrentado. Isso quer dizer que não basta você matar um para já ir atrás do próximo. Antes disso é preciso muita evolução entre as caçadas.

Junto disso, a Bungie passou a equilibrar o modo com que os personagens evoluem, tornando o jogo, de certo modo, mais difícil. Tudo isso colabora para uma trama mais interessante, complexa e crível, já que raramente você deve matar os subchefes na primeira tentativa. O alto nível de dificuldade é necessário para entregar ao jogador a ideia de que, sim, só este grupo de grandes inimigos seria capaz de matar Cayde-6.

Em resumo, a nova trama de Destiny 2 cumpre bem a sua premissa de não ser uma história sobre o fim do mundo, mas algo mais pessoal, passional e, por isso, mais impactante. Junto disso, traz um tempero muito diferente e variado que agrada bastante.

Armas e gente

Outra novidade de Renegados é a adição do arco-e-flecha. O equipamento é apresentado ao jogador logo no início desta expansão e incute em um novo jeito de jogar Destiny 2. Diferente das armas convencionais, este conjunto aceita somente uma flecha por vez, mas não precisa essencialmente ser carregada. A arma também tem uma precisão de longa distância que pode agradar aqueles que preferem ficar de longe e mandar tiros certeiros na cabeça dos adversários.

Arco é uma boa inovação de Renegados (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

A forma como o jogo apresenta o novo equipamento também é bastante inteligente. É um dos primeiros itens que o jogador ganha, já com poder muito acima de qualquer arma que você tenha. Ou seja, ele basicamente obriga que você lide com esta novidade, sendo que é bastante improvável que você passe por Renegados sem dar uns tiros de flecha na cabeça de alguém.

Junto disso tem a adição de um novo personagem muito, mas muito interessante mesmo: o Aranha. A metáfora (claro, para além de que ele é realmente uma aranha) está no fato de que ele é esguio, invasivo e conhece tudo.

Ele é o personagem que comanda a região da Orla Emaranhada e da prisão dos Anciões. De certa forma, o contrato que você assina com ele é de eliminar os assassinos de Cayde-6 e, assim, limpar o espaço para que ele siga com sua região limpa de invasores e fugitivos (vale lembrar, todo eles fugiram da prisão).

O Aranha é um dos desenhos mais interessantes de personagem que Destiny 2 traz. Como uma aranha gigante, poderosa, mas, ao mesmo tempo, muito letárgica e inerte, carrega um certo ar que lembra Boba Fett de Star Wars. Alguém que arranca um misto de asco e medo.

Multiplayer

Junto com Renegados, chega também um novo modo de jogo: o Artimanha. Aqui, há uma boa injeção de novidade para Destiny 2.  Dois times de quatro jogadores se enfrentam em dois ambientes e momento distintos.

Primeiro, em uma batalha PvE (pessoas contra o ambiente), é preciso matar inimigos que aparecem pela tela. Eles vão deixar cair alguns cristais, que precisam ser colocados em um totem no meio da fase, de forma que o time que alcançar o máximo primeiro e eliminar o último chefão ganha a batalha.

Contudo, quando se coloca cristais no totem é possível abrir um portal que leva o jogador para o estágio adversário. Neste momento acontece uma batalha PvP (pessoas contra pessoas) com o objetivo de atrasar o avanço adversário.

Dessa forma, Artimanha obriga os jogadores a cadenciarem a escolha entre matar os inimigos pela fase ou mesmo invadir o ambiente inimigo. Por fim, a vitória acontece em melhor de três partidas.

Toda este novo modo de jogar pode agradar aqueles jogadores que querem brincar de multiplayer, mas ainda não se sentem preparados o suficiente para cair de cara no PvP. Assim, evita que novos jogadores sejam apenas um peso de papel que morre a cada segundo no multiplayer.

Aranha é o mais interessante personagem desta expansão (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Entrave

Em resumo, Renegados traz a Destiny 2 tudo aquilo que foi prometido desde o início: uma narrativa mais complexa e uma gama gigante de conteúdos. Agora, há toda uma nova gama de assaltos, patrulhas e novos desafios a serem cumpridos e que estão sendo adicionados semanalmente ao game. Isso quer dizer que há muito mais o que se fazer depois de terminada a trama Renegados.

O problema de fato está no valor do jogo. A coleção completa do que saiu até agora fica na casa dos R$ 300. Junto disso, ainda é preciso lembrar que mais expansões podem chegar ao game, levando a crer que ainda mais grana deve ir neste jogo.

Entretanto, para quem já tem Destiny 2 ou mesmo quem o pegou nos jogos da PSN no último mês, investir, em média, seus R$ 130 para jogar com seus amigos pode ser uma boa pedida.

Destiny 2: Renegados foi desenvolvido pela Bungie e High Moon Studios e publicado pela Activision em 4 de setembro para PlayStation 4, Xbox One e PC. No Canaltech, o jogo foi testado no PS4 com cópia gentilmente fornecida pela Activision.

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