BGS 2013: Bagaço, da Riot Games, fala sobre o avanço da cena de eSport em 2013

Por Felipe Santana Felix | 25 de Outubro de 2013 às 14h28

A derrota da Pain na final do WildCard deu por encerrada a temporada brasileira de League of Legends, porém os avanços em termos de estrutura e profissionalismo que as equipes brasileiras tiveram foi extremamente superior a 2012, ano da chegada da Riot ao Brasil.

Tendo isso em mente, conversamos novamente com o responsável por eSports da Riot Games, Bruno Vasone, também conhecido como Bagaço, para falar sobre os pontos positivos de 2013 e as decisões tomadas para a realização do CBLoL (Campeonato Brasileiro de League of Legends), e também para responder a uma polêmica questão: eSports é ou não esporte?

Canaltech: No início do ano, nós conversamos sobre o cenário brasileiro de eSports e você havia mencionado a necessidade imediata dos times e jogadores se tornarem mais profissionais. De lá para cá, alguma coisa mudou?

Bruno Vasone: Mudou bastante e já consideramos ter uma Season BR todo ano, que, por enquanto, tem como desfecho principal o Campeonato Brasileiro. Com isso, as equipes têm um bom motivo para se preparar bastante. Este ano, por exemplo, a motivação para ganhar o CBLoL e representar o Brasil no exterior fez com que 7 das 8 equipes se preparassem em um bootcamp, uma espécie de concentração para o torneio.

Isso foi importante, pois dificilmente os jogadores possuíam contato pessoal constante, e com esse esforço, muitos deles puderam conhecer melhor seus companheiros. Isso com certeza deu mais segurança de jogo e de equipe aos times.

CT: Então o principal motivo desta evolução foi o CBLoL?

BV: Na verdade, não. O CBLoL foi a cereja do bolo que todos esperavam. Hoje, o Brasil tem um calendário anual de competições e esse conjunto de esforços da comunidade e de investidores deu às equipes um motivo para estarem em constante treinamento. Já tivemos a IEM no primeiro semestre, o CBLoL no meio do ano e os diversos outros torneios organizados em eventos pela comunidade ou desafios entre times nos finais de semana, então não houve apenas um principal responsável pela evolução – todos os envolvidos têm seu crédito.

CT: Mas sem uma audiência interessada, esse calendário não seria viável. Qual a quantidade de jogadores no Brasil que acompanham estas competições? Você tem ideia?

BV: Entendemos que o interesse em acompanhar o cenário competitivo está intrínseco em todos os jogadores de League of Legends, principalmente porque o jogo permite que um espectador se torne profissional.

Sobre números, podemos falar do CBLoL, que foi nosso grande evento competitivo em 2013. Tivemos duas mil pessoas assistindo presencialmente ao torneio e um milhão e meio de visualizações únicas em nosso canal de stream durante os 3 dias.

Posso dizer que esperávamos uma audiência alta, mas estes números foram tão impressionantes quanto o comportamento de quem estava no CBLoL. Geralmente, o público sai para comer ou dar uma volta, mas todos ficavam grudados nas cadeiras para interagir com as atrações do palco ou procurar seu jogador favorito para uma conversa. Esse tipo de atitude foi a confirmação do quanto eles estavam envolvidos com o evento.

CT: Mas por que vocês decidiram fazer um evento apenas de League of Legends? Até mesmo outros torneios da Riot, como a final da LCS EU e NA, ocorreram em eventos maiores, como PAX e Gamescom. E vale lembrar que durante o CBLoL estava acontecendo o Anime Friends!

BV: Nossa intuição dizia que os jogadores queriam um evento apenas de League, e nós ja queríamos testar essa possibilidade, então resolvemos seguir em frente com a ideia e conseguimos entregar o que eles realmente esperaram ver (e o que gostaríamos de fazer). Mesmo tendo embasamento para defender um evento isolado de games, confesso que foi um laboratório que felizmente acabou saindo melhor que o esperado, pois conseguimos entregar a qualidade que todos veem nos eventos internacionais da Riot e dar aos fãs a possibilidade de conhecer não só os jogadores dos principais times do Brasil, como as personalidades da comunidade do jogo.

CT: Diferentemente do ano passado, após o CBLoL 2013, 4 equipes se mantiveram firmes: Pain, CNB, Keyd e a recém formada Kabum – que tem a lineup da Neximpetus. Com isso, temos metade dos times necessários para a formação de uma LCS. Se no próximo ano surgirem mais quatro, podemos ter uma LCS BR? Ou o formato por aqui pode ser outro?

BV: Não posso dizer que será uma LCS ou que não será uma LCS. O Brasil é um pais diferente e podemos visualizar uma estratégia destinta para a cena profissional. O que queremos é chegar ao ponto de entregar uma liga profissional para os brasileiros, mas ainda estamos em um período de amadurecimento. É claro que já avançamos bastante, estamos tendo boas respostas de todos os lados, tanto dos jogadores, quanto dos parceiros e espectadores, mas ainda não estamos lá. Estamos no rumo, mas não sabemos o que será. Até temos ideias, mas ainda não posso revelar (risos).

CT: E como estão os planos para o CBLoL 2014?

BV: Ainda não gostaria de falar sobre isso, pois primeiro queremos entregar o desafio sul-americano da BGS. O que posso informar é que queremos deixar claro que a brasileira é BR contra BR, e após isso temos a off season. O que vamos tentar na BGS é a off season, na qual queremos colocar times da América Latina para jogar contra os brasileiros, como se fosse uma Libertadores.

Queremos deixar claro que no ano que vem as coisas vão acontecer com mais antecedência. Esse ano foi tudo muito corrido, então, no ano que vem queremos fazer as coisas com mais planejamento.

CT: Então nos fale desse desafio que irá acontecer aqui na BGS: é uma Libertadores de League of Legends?

BV: (Risos) Desde o lançamento do servidor Latino Americano, nós queriamos realizar este desafio, entendemos que é uma ótima oportunidade pra testar essa tensão saudável que existe em confrontos em nossa região e é uma execelente atração para o período off season, que é aquele limbo entre o final de uma temporada e o começo de outra. Outro ponto importante é que nós não chamamos os melhores colocados do CBLoL. Todos os times tiveram que ralar para participar deste desafio e isso é importante, pois motiva os jogadores de times menores a treinar, jogar e aparecer.

CT: Durante o mundial de League of Legends, a SporTV fez uma reportagem sobre eSport e mencionou o benefício de green card aos atletas estrangeiros contratados por times americanos. Qual a sua opinião?

BV: A opinião depende muito do background da pessoa. No meu pensamento, o que realmente define se a modalidade é um esporte profissional ou não é o engajamento dos que desejam consumir a atração. Para os nossos milhões de viewers, eSports é esporte, pra outros, não. O mais importante para a gente é que nossos jogadores consideram o cenário profissional do jogo um esporte, e nós vamos entregar o que eles querem. Não precisamos mostrar às pessoas fora desse ecossistema que isso é um esporte. Não estamos querendo provar nada a ninguém.

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