Análise | Razer Kraken X Lite entrega aquilo que se espera de um headset básico

Felipe Ribeiro/ Canaltech

A Razer é uma marca que possui uma ampla gama de headsets, com todos os níveis de acabamento, som, design e preço. Aqui no Brasil, os fãs da marca - e a própria empresa, por que não? - são vítimas de uma carga tributária que acaba distorcendo o valor dos produtos que originalmente eram para chegar custando um valor mais condizente com sua proposta. Os motivos são diversos para que esses valores sejam altos, mas não entraremos nessa seara. Vamos focar no que a empresa tem feito para enfrentar isso.

Há alguns anos a Razer lançou o headset Razer Electra, que chegou para dar esse ar de custo-benefício, mas que acabou não tendo um dos maiores impacto no mercado, apesar de ser um produto bem justo e acessível, custando entre R$ 300 e R$ 500 Brasil afora.

Passado um tempo, a empresa voltou à carga. "Pediu" autorização à sua mais icônica linha de headsets, a Kraken, para ampliá-la, criando um produto mega acessível e que prometia um som competente e conforto: o Kraken X. Ele chegou custando módicos US$ 50, ou apenas R$ 207 na conversão direta. O headset é capaz de emular som 7.1, carrega consigo drivers de 40mm e pesa apenas 230 gramas. Nada mal, não é?

E se disséssemos que o já simples Kraken X pode ficar ainda mais "essencial", acessível? Sim, a Razer fez isso e lançou o Kraken X Lite, um headset megabásico que pode, com facilidade, assumir o posto de mais básico em toda a história da empresa.

O Kraken X Lite mantém todas as características técnicas do Kraken X original, porém é ainda mais simples no acabamento, perdendo os botões de volume e de ativação do microfone, que ficavam acoplados em uma das conchas auriculares do produto. De maneira resumida, ele cumpre bem o que promete, mas não quer dizer que seja o produto ideal, mesmo para quem quer apenas "conhecer" o que é ter um Razer.

Ficamos um tempo com o Kraken X Lite e vamos contar tudo sobre ele.

A primeira impressão é a que fica?

Ao abrir a caixa do Kraken X Lite nos deparamos com um headset dos mais simples do mercado. A Razer é conhecida por seus designs chamativos, sempre com o tom verde determinando a identidade dos produtos. Aqui, isso inexiste. A carcaça lembra os demais Krakens já lançados, com linhas arredondadas, conchas bem largas e que abraçam o seu ouvido, mas os materiais são leves, dando a impressão de ser algo de qualidade duvidosa em dados momentos - afinal de contas, são 230 gramas, apenas. Confesso que isso me preocupou no início. Já tive a oportunidade de conviver com diversos headsets da Razer e em nenhum tive tanta dúvida sobre a durabilidade e conforto como com o Kraken X Lite.

O Kraken X Lite é extremamente simples, mas confortável (Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

Essa impressão, porém, mudou com o tempo. Usar o Kraken X Lite diariamente é muito gostoso e confortável. Mesmo com materiais simples, a jogatina frenética não se tornou incômoda em nenhum momento. Como é de praxe, fizemos o teste em outras situações do dia a dia também. Por mais que o microfone exposto seja um impeditivo - e único -, usá-lo na academia, por exemplo, não atrapalha em nada. Até porque, é possível dobrar o dispositivo para que não fique em um raio de ação tão grande.

Microfone do Kraken X Lite é dobrável (Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

As conchas, feitas em material que imitam o couro, cobrem a orelha em sua totalidade. A espuma se molda com facilidade, mesmo para quem usa óculos, e não esquenta em demasia mesmo em dias quentes e com suor natural ocasionado pela temperatura ambiente. Nos dias frios, então, a experiência é ainda mais agradável. O arco de ligação também repousa bem na cabeça, além de contar com um revestimento macio para amortecimento. O ajuste pode ser feito com bastante tranquilidade, mesmo para cabeças maiores.

As conchas auriculares do Kraken X Lite abraçam bem as orelhas (Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech)
E não incomoda para quem usa óculos (Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

Um ponto negativo por aqui é o revestimento do fio. Ele é feito com um material emborrachado que, por vezes, acaba ganhando um engruvinhado viciado que fica difícil de desembolar, além de sujar com muita facilidade.

O fio é um dos pontos negativos do Kraken X Lite (Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

Não poderíamos esperar muito mais do que isso em um headset com essa proposta. Portanto, ao menos com alguns dias de uso, é possível dizer que o Kraken X Lite cumpre o seu papel. Se ele duraria muito mais tempo, é quase impossível dizer, pois cada usuário cuidado do produto de um jeito diferente. A julgar pelo que vimos por aqui, dá para usá-lo por muitas jornadas.

Som protocolar

O funcionamento do Kraken X Lite é digno de um headset de entrada. Não espere um som potente, tampouco com altíssima resolução e equilíbrio. Mas, volto a dizer, é necessário que entendamos a proposta. Por isso, dá para dizer que o Kraken X Lite apresenta um desempenho protocolar, cumprindo exatamente aquilo que promete: um som bom - mas com as nossas ressalvas.

Nos games, ele tem a assinatura da Razer com relação aos tons e foco nos graves, o que é excelente para certos tipos de jogos. Apesar disso, os drivers de 40mm, que supostamente deveriam proporcionar um som alto, entregam um volume baixo, fazendo com que, em muitos casos, modificássemos o volume virtual no console e no PC para níveis máximos, sobretudo em jogos de tiro, onde cada movimento e barulho no ambiente são fundamentais. Algo que funciona bem, no entanto, é o mix entre a conversação e o som do game. Ao jogar FIFA, por exemplo, era possível ouvir com clareza o grupo montado no Xbox One com várias pessoas e o som do jogo sem que houvessem ruídos ou incômodos além do normal para essa experiência.

Só isso vem na caixa do Kraken X Lite (Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

Do outro lado, os relatos foram positivos, com os outros jogadores ouvindo a minha fala com absoluta clareza, apesar de também captar sons ao meu redor, como a própria TV e conversas paralelas. Por curiosidade, utilizei o Kraken X Lite também para chamadas de voz e gravações e o desempenho foi parecido com o que eu tive com o Kraken Pro V2, headset muito usado por competidores justamente por essa versatilidade.

A imersão é outro ponto positivo. O áudio 7.1 (emulado apenas em PCs com Windows 10) traz uma separação bem interessante para um headset desse nível, com canais bem distintos. Isso o coloca em uma vantagem considerável quando comparamos o uso nos consoles. Vale lembrar que no Xbox One X é possível instalar o Dolby Atmos, tal qual no PC, mas a possibilidade de simular o 7.1 acaba compensando um pouquinho a falta de volume e isso modificou nossa experiência com o Kraken X Lite.

(Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

Apesar do som baixo, o isolamento acústico é bem competente, sendo parecido com o visto em modelos superiores da própria linha Kraken, como o Kraken Pro V2 e o Kraken Pro Tournament Edition.

Para a música...

Por ser um headset com saída 3,5mm, é natural que usássemos o produto em outros dispositivos de áudio. O teste em um celular como o Samsung Galaxy S7 trouxe experiências antagônicas. O aparelho possui áudio em alta resolução, mas nem isso foi capaz de tornar a experiência com o Kraken X Lite acima do esperado. Tal qual ocorreu com os games, o som aqui também ficou baixo, mesmo colocando o volume no patamar mais alto possível.

Com isso em mente, o desempenho pode ser considerado mediano. Músicas com batidas mais fortes e graves destacados como pop, música eletrônica, blues e alguns rocks vão bem. Já estilos como metal, jazz, música clássica e shows em geral parecem mais abafados e sem muito impacto, com os agudos sendo cobertos pelos característicos graves dos headsets Razer.

Ouvindo no PC, o desempenho é idêntico. Sim, é possível modificar as músicas com equalizadores (nos celulares também, óbvio) para amenizar a sensação de grave elevado, mas essa assinatura sonora dos headsets da marca parecem quase que magia ou bruxaria. Quem usa ou usou sabe bem o que estamos dizendo. Nada que possa ser considerado essencialmente ruim, mas escancara que o headset é feito mesmo para jogar — ainda mais nesse posicionamento de mercado.

Para um headset com esse preço, o som pode ser considerado de razoável para bom. Mas gamers mais hardcore, que querem algo mais sofisticado e potente, vão passar raiva com o Kraken X Lite.

A carteira agradece

A Razer é uma marca que desperta a paixão e a cobiça dos gamers pelo mundo. Ter um Razer, para muitas pessoas, é motivo de orgulho e conquista. Com o Kraken X Lite, a marca pensa, claramente, em mercados mais emergentes, proporcionando um produto justo e condizente com o valor cobrado.

Com acabamento simples e som baixo, mas competente, o Kraken X Lite cumpre o que promete, entregando um desempenho protocolar, básico, mas com as assinaturas da Razer, com bons graves e isolamento acústico de excelente nível.

O Razer Kraken X Lite está à venda no mercado brasileiro pelo preço sugerido de R$ 329. Ele é compatível com PC, Mac, Xbox One, PlayStation 4, Nintendo Switch e smartphones com entrada para fones de ouvido.

A análise do Kraken X Lite foi feita graças a um exemplar gentilmente cedido pela Razer Brasil ao Canaltech.

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