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Black Dragons tem duas grandes vitórias em torneios de Point Blank

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(Foto: Rafael Arbulu)
(Foto: Rafael Arbulu)

Mais campeã que isso, impossível: em um único final de semana, a Black Dragons conquistou, ao mesmo tempo, o título de campeã brasileira de Point Blank e sagrou-se vencedora das seletivas para o Mundial do jogo, na Rússia. Gostaríamos de poder dizer que houve uma disputa acirrada, mas a verdade é que a “BD”, como é conhecida pelos entusiastas dos eSports, atropelou os adversários da New Eagles, com quem disputou as finais nas duas competições.

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Ambas as competições foram disputadas em esquema “melhor de três”, com diversos rounds por partida. A equipe que levasse mais rodadas, fecharia um ponto. Desta forma, havia espaço para recuperação de times que estivessem atrás no placar.

Luvas, casaco e chapéu: partiu, Rússia!

No sábado, 4 de maio, foram realizadas as seletivas para o Mundial, que será realizado em Moscou nos dias 25 e 26 de maio. Na ocasião, foram promovidas as partidas semifinais: de um lado, a Black Dragons enfrentou a UnchartedBlack; do outro, o time dos New Eagles pegaram os RAO Fortrek. Uma vez derrubados os oponentes, as duas equipes foram para a final em um clima acalorado de trash talk que renderam até leves broncas de seus respectivos capitães.

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Na final, a BD não tomou conhecimento dos adversários, derrotando-os veementemente em dois mapas (placar de 8 a 3 no primeiro e 8 a 4 no segundo), carimbando o passaporte para Moscou. “O importante agora é não perder o foco: já fomos campeões uma vez, em 2016, e sabemos que podemos fazer isso de novo. Vamos pegar o material dos outros competidores — vídeos etc. — e estudar tudo o que pudermos para criarmos uma estratégia de jogo”, contou Pedro “Koyote” Pulig, membro da Black Dragons.

Uma informação interessante que surgiu no calor da cobertura é a de que uma parte considerável do lineup da Black Dragons é formado por ex-membros da Juventus E-sports, que nutria uma rivalidade sadia com a New Eagles. Com a incursão dos novos ciberatletas, essa rivalidade também mudou de endereço:

“Sempre tem [o trash talk] no calor do momento. Eu, particularmente, não sou muito fã disso, mas é aquela coisa: queríamos muito disputar a final com eles, com certeza. Independentemente da competição, sempre, nas finais, são essas equipes disputando. Mas apesar da agitação na hora, a gente sempre conversa, se dá super bem, eu adoro os caras”, explica Koyote.

Dobradinha no finde

Melhor do que uma vitória, são duas, e a Black Dragons aproveitou essa sensação também no domingo, quando foram realizadas as finais do Campeonato Nacional de Point Blank Liga Elite. Repetindo as finais do dia anterior, a BD derrubou a New Eagles por 7 a 2 no primeiro mapa e 9 a 5 no segundo.

Para a competição nacional, tivemos quase todas as equipes do dia anterior, exceto por uma: se no dia anterior tivemos a RAO Fortrek, aqui a vez foi da Yakuz4 eSports. Não que fizesse muita diferença, haja vista que, em suas participações, as equipes foram derrotadas pelas finalistas.

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Pelas conquistas, a Black Dragons amealhou prêmios interessantes: R$ 16 mil pela vitória no torneio nacional e outros R$ 6 mil mais os custos de viagem e hospedagem para a seletiva do mundial.

Na Rússia, já estão definidos os representantes de três das cinco regiões participantes: o Brasil será representado pela Black Dragons, com a RRQ TCN e a Attack All Around se valendo das bandeiras da Indonésia e Tailândia, respectivamente. Faltam ainda as regiões turca e do Azerbaijão, além, claro dos donos da casa. A Rússia ainda não definiu a equipe que representará o seu país.

Surpresas de gameplay

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Os torneios do último final de semana pegaram os jogadores de surpresa em um aspecto: pela primeira vez foram inclusos novos recursos de jogo. Especificamente, a categoria de armas sniper, que contavam com um generoso buff de dano, adicionou um ponto a mais de preocupação entre as composições das equipes; e uma mudança na prática de respawn, em que, ao invés de ter a posição do início de cada round definida aleatoriamente, a posição dos jogadores é fixa e decidida por meio do slot que eles ocupam no lobby pré-partida.

Koyote diz que as equipes realmente não esperavam pelas novidades, mas isso não necessariamente atrapalhou o jogo em si: “Se muito, esses recursos agilizam mais a partida e nos ajudam a montar uma estratégia diferente. Por exemplo, se o plano tático da equipe rege que alguém marque pontos do mapa ao lado direito, então é ideal que o respawn seja programado de forma a refletir isso”.

Publisher do jogo no Brasil, a OnGame diz que uma das duas novidades — as armas de longo alcance dos snipers — será disponibilizada no jogo normal para que todo mundo possa utilizá-las nas partidas. Já a questão do respawn, por ora, segue exclusiva aos jogadores e torneios oficiais. Nos jogos comuns, a política segue sendo aleatória.

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Queremos reacender a comunidade de Point Blank no Brasil

“Quando lançamos o jogo por aqui, em 2010, acho que ‘eSports’ era um termo que sequer existia”, explica Vinícius Sztibe, coordenador de gaming da OnGame, publisher de Point Blank no Brasil. O mercado das competições eletrônicas que conhecemos hoje é uma evolução natural dos “encontros de clãs” que eram feitas à moda bastante improvisada entre 2005 e 2010. “Naquela época, a maior parte dos encontros e competições sequer tinha um site: a gente dava um jeito de publicar um evento em alguma rede social e levava daí”.

Point Blank, explica Vinícius, foi um dos jogos mais antigos de caráter exclusivamente online a ser lançado. O produto teve uma adoção rápida e uma ascensão meteórica junto a uma comunidade cada vez mais engajada. Entretanto, à medida que o mercado evoluía e começava a abraçar novos representantes, como League of Legends e Fortnite, o jogo foi perdendo relevância. Esse é um quadro que a OnGame deseja mudar.

“No setor do mercado onde nós atuamos, há algumas desvantagens: por exemplo, ao licenciarmos um jogo de fora para o Brasil, ele geralmente já tem anos atuando no estrangeiro. Point Blank já tinha três anos de idade quando chegou ao Brasil em 2010”. A argumentação de Vinícius é a de que, devido ao tempo de chegada e a não-simultaneidade da disponibilização de alguns jogos em vários países, há momentos em que um produto acaba chegando por aqui “velho”.

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Mais além, com a chegada de jogos que eventualmente dominariam o share de mercado em eSports, Point Blank se viu competindo com produtos mais jovens e com mais recursos do que ele dispunha: “Veja por exemplo, as partidas ranqueadas: é algo muito comum nos dias de hoje, mas que o jogo em si não tem. Então nós, como publishers, tentamos oferecer isso de outra maneira: neste exemplo, montamos um recurso de ranking dentro do nosso próprio site, com dados acessíveis aos jogadores”, conta Vinícius.

Outro problema é que, por preferência da desenvolvedora (Point Blank é desenvolvido e mantido pela coreana Zepetto), quase não há relação entre as publishers que licenciam o jogo em seus países e continentes. Vinícius explica que questões contratuais impedem parcerias mais densas: “Por exemplo, um jogador daqui não pode jogar Point Blank na Rússia devido a restrições do client — o IP é barrado na hora. Isso dificulta a nossa capacidade em promover, por exemplo, realizações internacionais”.

A solução para isso está nas competições eletrônicas, segundo a percepção do executivo. Ele conta que a OnGame está sempre criando novas formas de fazer com que a comunidade interaja de forma mais direta, por meio de competições e incentivos como o aumento de premiações e a realização de campeonatos regionais e seletivas online: “sempre buscamos oferecer algo a mais para os jogadores para que isso atraia cada vez mais competitividade”.

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No aspecto do marketing, Vinícius também conta que os esforços da OnGame resumem-se a contar com alguns jogadores essenciais de cada equipe, que fazem o papel de “embaixadores”: “a ideia por trás dessas ações é fazer com que os jogadores promovam conteúdo voltado ao Point Blank. É benéfico a nós pois, como marca, temos uma divulgação forte por alguém que tem ótima conexão com a comunidade; e para eles, pois é o rosto deles, as partidas deles, os times deles. Fora isso, temos 10 streamers que trabalham exclusivamente para a OnGame e seus jogos licenciados, alguns, para o ‘PB’”.

Outras ideias envolvem parcerias com fabricantes de informática e companhias atuantes no setor de jogos para PC.