Black Dragons tem duas grandes vitórias em torneios de Point Blank

Por Rafael Arbulu | 06 de Maio de 2019 às 08h50
(Foto: Rafael Arbulu)
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Mais campeã que isso, impossível: em um único final de semana, a Black Dragons conquistou, ao mesmo tempo, o título de campeã brasileira de Point Blank e sagrou-se vencedora das seletivas para o Mundial do jogo, na Rússia. Gostaríamos de poder dizer que houve uma disputa acirrada, mas a verdade é que a “BD”, como é conhecida pelos entusiastas dos eSports, atropelou os adversários da New Eagles, com quem disputou as finais nas duas competições.

Ambas as competições foram disputadas em esquema “melhor de três”, com diversos rounds por partida. A equipe que levasse mais rodadas, fecharia um ponto. Desta forma, havia espaço para recuperação de times que estivessem atrás no placar.

Luvas, casaco e chapéu: partiu, Rússia!

No sábado, 4 de maio, foram realizadas as seletivas para o Mundial, que será realizado em Moscou nos dias 25 e 26 de maio. Na ocasião, foram promovidas as partidas semifinais: de um lado, a Black Dragons enfrentou a UnchartedBlack; do outro, o time dos New Eagles pegaram os RAO Fortrek. Uma vez derrubados os oponentes, as duas equipes foram para a final em um clima acalorado de trash talk que renderam até leves broncas de seus respectivos capitães.

Na final, a BD não tomou conhecimento dos adversários, derrotando-os veementemente em dois mapas (placar de 8 a 3 no primeiro e 8 a 4 no segundo), carimbando o passaporte para Moscou. “O importante agora é não perder o foco: já fomos campeões uma vez, em 2016, e sabemos que podemos fazer isso de novo. Vamos pegar o material dos outros competidores — vídeos etc. — e estudar tudo o que pudermos para criarmos uma estratégia de jogo”, contou Pedro “Koyote” Pulig, membro da Black Dragons.

Captura de Imagem: Rafael Arbulu
Black Dragons agora vai representar o Brasil no mundial de Point Blank, a ser disputado na Rússia ainda em maio (Foto: Vitor Fernando)

Uma informação interessante que surgiu no calor da cobertura é a de que uma parte considerável do lineup da Black Dragons é formado por ex-membros da Juventus E-sports, que nutria uma rivalidade sadia com a New Eagles. Com a incursão dos novos ciberatletas, essa rivalidade também mudou de endereço:

“Sempre tem [o trash talk] no calor do momento. Eu, particularmente, não sou muito fã disso, mas é aquela coisa: queríamos muito disputar a final com eles, com certeza. Independentemente da competição, sempre, nas finais, são essas equipes disputando. Mas apesar da agitação na hora, a gente sempre conversa, se dá super bem, eu adoro os caras”, explica Koyote.

Dobradinha no finde

Melhor do que uma vitória, são duas, e a Black Dragons aproveitou essa sensação também no domingo, quando foram realizadas as finais do Campeonato Nacional de Point Blank Liga Elite. Repetindo as finais do dia anterior, a BD derrubou a New Eagles por 7 a 2 no primeiro mapa e 9 a 5 no segundo.

Para a competição nacional, tivemos quase todas as equipes do dia anterior, exceto por uma: se no dia anterior tivemos a RAO Fortrek, aqui a vez foi da Yakuz4 eSports. Não que fizesse muita diferença, haja vista que, em suas participações, as equipes foram derrotadas pelas finalistas.

A Black Dragons se sagrou campeã também do torneio nacional (Foto: Vitor Fernando)

Pelas conquistas, a Black Dragons amealhou prêmios interessantes: R$ 16 mil pela vitória no torneio nacional e outros R$ 6 mil mais os custos de viagem e hospedagem para a seletiva do mundial.

Na Rússia, já estão definidos os representantes de três das cinco regiões participantes: o Brasil será representado pela Black Dragons, com a RRQ TCN e a Attack All Around se valendo das bandeiras da Indonésia e Tailândia, respectivamente. Faltam ainda as regiões turca e do Azerbaijão, além, claro dos donos da casa. A Rússia ainda não definiu a equipe que representará o seu país.

Surpresas de gameplay

Os torneios do último final de semana pegaram os jogadores de surpresa em um aspecto: pela primeira vez foram inclusos novos recursos de jogo. Especificamente, a categoria de armas sniper, que contavam com um generoso buff de dano, adicionou um ponto a mais de preocupação entre as composições das equipes; e uma mudança na prática de respawn, em que, ao invés de ter a posição do início de cada round definida aleatoriamente, a posição dos jogadores é fixa e decidida por meio do slot que eles ocupam no lobby pré-partida.

Koyote diz que as equipes realmente não esperavam pelas novidades, mas isso não necessariamente atrapalhou o jogo em si: “Se muito, esses recursos agilizam mais a partida e nos ajudam a montar uma estratégia diferente. Por exemplo, se o plano tático da equipe rege que alguém marque pontos do mapa ao lado direito, então é ideal que o respawn seja programado de forma a refletir isso”.

Publisher do jogo no Brasil, a OnGame diz que uma das duas novidades — as armas de longo alcance dos snipers — será disponibilizada no jogo normal para que todo mundo possa utilizá-las nas partidas. Já a questão do respawn, por ora, segue exclusiva aos jogadores e torneios oficiais. Nos jogos comuns, a política segue sendo aleatória.

A introdução das armas de longo alcance (snipers) pegou as equipes de surpresa (Captura de Imagem: Rafael Arbulu)

Queremos reacender a comunidade de Point Blank no Brasil

“Quando lançamos o jogo por aqui, em 2010, acho que ‘eSports’ era um termo que sequer existia”, explica Vinícius Sztibe, coordenador de gaming da OnGame, publisher de Point Blank no Brasil. O mercado das competições eletrônicas que conhecemos hoje é uma evolução natural dos “encontros de clãs” que eram feitas à moda bastante improvisada entre 2005 e 2010. “Naquela época, a maior parte dos encontros e competições sequer tinha um site: a gente dava um jeito de publicar um evento em alguma rede social e levava daí”.

Point Blank, explica Vinícius, foi um dos jogos mais antigos de caráter exclusivamente online a ser lançado. O produto teve uma adoção rápida e uma ascensão meteórica junto a uma comunidade cada vez mais engajada. Entretanto, à medida que o mercado evoluía e começava a abraçar novos representantes, como League of Legends e Fortnite, o jogo foi perdendo relevância. Esse é um quadro que a OnGame deseja mudar.

“No setor do mercado onde nós atuamos, há algumas desvantagens: por exemplo, ao licenciarmos um jogo de fora para o Brasil, ele geralmente já tem anos atuando no estrangeiro. Point Blank já tinha três anos de idade quando chegou ao Brasil em 2010”. A argumentação de Vinícius é a de que, devido ao tempo de chegada e a não-simultaneidade da disponibilização de alguns jogos em vários países, há momentos em que um produto acaba chegando por aqui “velho”.

Vinicius Sztibe, coordenador de gaming da OnGame (Foto: Renato Almeida)

Mais além, com a chegada de jogos que eventualmente dominariam o share de mercado em eSports, Point Blank se viu competindo com produtos mais jovens e com mais recursos do que ele dispunha: “Veja por exemplo, as partidas ranqueadas: é algo muito comum nos dias de hoje, mas que o jogo em si não tem. Então nós, como publishers, tentamos oferecer isso de outra maneira: neste exemplo, montamos um recurso de ranking dentro do nosso próprio site, com dados acessíveis aos jogadores”, conta Vinícius.

Outro problema é que, por preferência da desenvolvedora (Point Blank é desenvolvido e mantido pela coreana Zepetto), quase não há relação entre as publishers que licenciam o jogo em seus países e continentes. Vinícius explica que questões contratuais impedem parcerias mais densas: “Por exemplo, um jogador daqui não pode jogar Point Blank na Rússia devido a restrições do client — o IP é barrado na hora. Isso dificulta a nossa capacidade em promover, por exemplo, realizações internacionais”.

A solução para isso está nas competições eletrônicas, segundo a percepção do executivo. Ele conta que a OnGame está sempre criando novas formas de fazer com que a comunidade interaja de forma mais direta, por meio de competições e incentivos como o aumento de premiações e a realização de campeonatos regionais e seletivas online: “sempre buscamos oferecer algo a mais para os jogadores para que isso atraia cada vez mais competitividade”.

No aspecto do marketing, Vinícius também conta que os esforços da OnGame resumem-se a contar com alguns jogadores essenciais de cada equipe, que fazem o papel de “embaixadores”: “a ideia por trás dessas ações é fazer com que os jogadores promovam conteúdo voltado ao Point Blank. É benéfico a nós pois, como marca, temos uma divulgação forte por alguém que tem ótima conexão com a comunidade; e para eles, pois é o rosto deles, as partidas deles, os times deles. Fora isso, temos 10 streamers que trabalham exclusivamente para a OnGame e seus jogos licenciados, alguns, para o ‘PB’”.

Outras ideias envolvem parcerias com fabricantes de informática e companhias atuantes no setor de jogos para PC.

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