Dia do Futebol | Como a tecnologia é usada no futebol?

Por Felipe Ribeiro | 17 de Julho de 2019 às 11h45
FIFA

O futebol é o esporte mais popular do mundo de maneira inquestionável. No entanto, quando o assunto é tecnologia, não há dúvidas o quão conservadora esta atividade é, mesmo com avanços nítidos.

Hoje, por exemplo, o assunto do momento quando misturamos tecnologia e futebol é o uso do VAR (Video Assistant Referee, na sigla em inglês), que nada mais é do que o árbitro de vídeo. Para que ele fosse implementado, além de todo o tempo de pesquisa em torno de como sua utilização seria feita, o mundo futebolístico precisou ser "convencido" a ter esse "intruso" nas partidas.

Mas, claro, engana-se quem pensa que a tecnologia está presente apenas nos dias dos jogos. Portanto, o Canaltech preparou uma lista com algumas situações em que o futebol faz uso da modernidade e de aparatos tecnológicos.

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Transmissão

Talvez o registro mais antigo de tecnologia no futebol seja nas transmissões. Primeiro, por meio do rádio, depois, pela TV. Hoje até o Facebook exibe jogos ao vivo e em qualidade excelente. Isso sem falar nos diversos serviços de streaming, como DAZN.

"Galvão?" (Imagem: Rede Globo)

Os grandes jogos e eventos chegam a ter mais de 60 câmeras espalhadas pelo gramado para fazer com que os espectadores não percam nenhum lance, nenhum detalhe. Além disso, os replays, que ora mostram os gols e lances bonitos, ora mostram os erros de arbitragem e falhas das equipes, ajudam demais não apenas quem acompanha o esporte, mas também quem trabalha com ele.

Quem nunca aguarda ansiosamente pelo Tira-Teima em lances de impedimento? Pois bem, agradeçam às transmissões de TV por isso.

Fantasy games

Os fantasy games viraram febre no futebol em todo o mundo. Aqui no Brasil o exemplo mais famoso é o Cartola FC, que te coloca como um dirigente de um clube tendo de escalar o seu time rodada a rodada do Campeonato Brasileiro. Esses jogos fazem uso de algoritimos e estatísticas dos jogadores reais para determinar o quanto eles valem e quantos pontos farão em cada uma das jornadas.

Interface do Cartola FC/ Imagem: Rede Globo/Divulgação

De certo modo, além de aumentar o engajamento do público com o esporte, estimula que ainda mais pessoas possam acompanhá-lo e se interessem por partidas que não sejam apenas aquelas em que o seu clube do coração está participando.

Chip na bola e Goal/No Goal

Uma das primeiras vezes em que a tecnologia foi utilizada dentro das partidas foi com o chip na bola e o programa Goal/ No Goal. Com esse dispositivo, é possível saber se a bola entrou totalmente na meta, o que pode determinar e infuenciar seriamente o resultado de um jogo.

Essa tecnologia foi implementada depois de uma falha grosseira na Copa do Mundo de 2010, quando um gol legítimo do meia Frank Lampard, da Inglaterra, não foi validado. A bola havia entrado totalmente no gol da Alemanha, adversária na ocasião, o que gerou a revolta dos jogadores do English Team e da crítica esportiva.

O programa, no entanto, não está presente em todas as grandes ligas do mundo, pois gera um alto custo para as organizações dos campeonatos.

Análise de Desempenho

Um clube de futebol de alto nível que não possuir um departamento de análise de desempenho certamente estará fadado ao fracasso, sem exageros. Com esse tipo de trabalho, as equipes conseguem, por meio de softwares, informações e estatísticas precisas sobre os adversários e sobre elas próprias. Os exemplos são mais variados e vão desde o número de gols de cabeça, de dentro da área ou de fora que um time faz, até para qual lado um goleiro pula mais na hora de defender um pênalti.

Ficha completa do goleiro Jan Oblak, do Atlético de Madrid (Imagem: O Analista de Futebol)

Com todos esses dados, o treinador pode passar para seu time — e até para os atletas de maneira individual — treinos diferenciados e com base nos adversários e suas deficiências e virtudes.

Preparação física e clínica

A medicina esportiva brasileira é uma das mais avançadas do mundo. Não apenas por ter profissionais capacitados, mas também por saber utilizar bem a tecnologia a seu favor. O Brasil é o país onde mais se joga futebol. Para se ter uma ideia, equipes como Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro, que hoje disputam três competições simultaneamente, vão beirar os 90 jogos no ano de 2019 caso cheguem ao final de todas elas — incluindo o Mundial de Clubes. Então, é natural que, por aqui, pelo menos nesse quesito, as coisas tenham evoluído mais.

Fisioterapia do Centro de Excelência da Academia de Futebol do Palmeiras (Imagem: Rede Globo)

Hoje os jogadores têm à disposição todo um aparato tecnológico para auxiliá-los na recuperação e prevenção de lesões, sejam elas ortopédicas, musculares e até cardiovasculares. Com exames sendo feitos até mesmo dentro dos clubes.

Além disso, os clubes monitoram os atletas individualmente, estabelecendo o nível de treinamento com base na aptidão física de cada um. E isso é possível graças aos softwares utilizados para esse trabalho, como o GPS, mapas de calor e, claro, o uso da já citada análise de desempenho.

VAR/ Árbitro de vídeo

Talvez a mais polêmica das aquisições tecnológicas do futebol, o VAR, ou árbitro de vídeo, veio com a ideia de minimizar ao máximo o erro humano nas partidas de futebol. Ele, no entanto, só é utilizado em lances capitais, sem que as equipes possam requisitá-lo, ao contrário do que acontece em esportes como o futebol americano ou o tênis.

Dinâmica do VAR em uma foto/ Imagem: CBF

No caso do futebol, o uso do VAR é restrito às seguintes situações:

  • Gol: detectar se o lance estava impedido ou se houve falta ofensiva na jogada;
  • Pênalti: caso os árbitros que comandem o VAR achem que uma possível penalidade não foi vista pelo árbitro de campo, eles o chamam para a telinha que fica dentro do campo para que ele a veja e analise novamente o lance em questão;
  • Cartão Vermelho: caso uma agressão não seja detectada pelo árbitro de campo ou uma falta considerada grave gere a dúvida se era passível de expulsão ou não, o VAR também pode intervir.

Comunicação

Talvez a forma mais primitiva do auxílio da tecnologia dentro do campo de jogo, a comunicação é, hoje, imprescindível para que o andamento da partida corra de maneira melhor. O árbitro principal, os auxiliares e o quarto árbitro (e, agora, o VAR) utilizam de um mesmo sistema para conversarem entre si por meio do rádio.

Paulo Turra, auxiliar técnico de Luiz Felipe Scolari no Palmeiras, faz uso de um fone avançado para comunicação com outro auxiliar do clube/ Imagem: Rede Globo

Já entre as equipes, durante um tempo a comunicação entre auxiliares e técnicos foi proibida. No ano passado, porém, a Fifa — e, consequentemente, a CBF — voltou a autorizar o uso do rádio para os clubes.

Por mais que o mais legal de qualquer esporte seja a emoção que ele passa, tudo o que vier para agregar é louvável. No entanto, por mais que a tecnologia seja benéfica, ela ainda é controlada, pelo menos no âmbito do futebol, por seres humanos. Ultimamente temos visto, principalmente no Brasil, o uso equivocado do VAR por conta de decisões erradas e precipitadas.

Mesmo assim, com os exemplos que citamos acima, não dá mais para pensar no futebol sem essas ferramentas. A evolução, tal qual em outras áreas, é um caminho sem volta.

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