Substituído, Julian Assange não é mais editor-chefe da WikiLeaks

Substituído, Julian Assange não é mais editor-chefe da WikiLeaks

Por Carlos Dias Ferreira | 28 de Setembro de 2018 às 16h39

A WikiLeaks anunciou em seu Twitter que Julian Assange foi substituído como editor-chefe da organização sem fins lucrativos. O posto ficou para o jornalista islandês multilaureado Kristin Hrafnsson. Em nota, a WikiLeaks afirma que a decisão foi tomada com base na impossibilidade de comunicação com Assange, há mais de seis anos asilado dentro da embaixada do Equador em Londres.

Embora utilizasse frequentemente o Twitter para se comunicar com o exterior, Assange acabou perdendo o direito à utilização da internet em março, quando o governo equatoriano afirmou que o ativista violou um acordo com o país de não interferir em suas relações diplomáticas com outras nações. Assange deve permanecer como publicador da WikiLeaks, entretanto.

O fundador da WikiLeaks buscou asilo político na embaixada equatoriana para evitar a extradição para a Suécia por conta de uma acusação de estupro. Embora o país tenha retirado as acusações posteriormente, Assange ainda enfrenta um processo no Reino Unido por evadir-se após pagamento de fiança. O ciberativista também teme um pedido de extradição dos EUA sob acusações de espionagem — algo que havia sido colocado de lado pelo governo de Barack Obama, mas que a gestão de Donald Trump parece ansiosa por retomar.

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Enquanto isso, a embaixada do Equador avaliou como “insustentável” o imbróglio político envolvendo a estadia de Assange. Em junho, um grupo internacional de advogados apelou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU alegando que o confinamento de Assange estaria causando impactos severos à sua saúde física e mental.

Jornalista do ano na Islândia

Mesmo com ressalvas diante das circunstâncias, Hrafnsson recebeu de bom grado a indicação. “Eu condeno o tratamento conferido a Julian Assange que me levou ao meu atual posto, mas eu saúdo a incumbência de garantir a continuidade do importante trabalho baseado nos ideais da WikiLeaks”, afirmou Hrafnsson, conforme compartilhado no Twitter oficial da organização.

Hrafnsson foi premiado como jornalista do ano em 2010 na Islândia por sua colaboração com o WikiLeaks. O jornalista teve participação essencial na publicação do vídeo Collateral Murder, em que um helicóptero do exército dos EUA é registrado abrindo fogo contra civis em Bagdá (Iraque) no dia 12 de janeiro de 2007 – levando à morte de 12 pessoas, incluindo funcionários da agência de notícias Reuters. “No mesmo ano, ele se tornou um porta-voz [da WikiLeaks], posto que exerceu até 2016, quando passou a supervisionar outros projetos legais”, consta do tweet.

Lançada em outubro de 2006 como uma organização sem fins lucrativos destinada a publicar informações secretas, a WikiLeaks ganhou várias vezes as manchetes ao longo dos últimos anos — com revelações que cobriram desde a guerra no Afeganistão até as eleições presidenciais dos EUA em 2016. Atualmente, o grupo reúne apoiadores por meio da campanha #FreeAssange, destinada a buscar a anistia internacional para o seu fundador.

Fonte: WikiLeaks (Twitter)

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