Presidente da Huawei critica americanos por conta de vazamentos da NSA

Por Felipe Ribeiro | 27 de Fevereiro de 2019 às 15h37
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O presidente rotativo da Huawei, Guo Ping, adotou um discurso, digamos, polêmico durante o Mobile World Congress. Tanto no palco quanto em um editorial no Financial Times, Guo está tentando mostrar o lado da empresa no caso dos vazamentos da Agência de Segurança Nacional Americana (NSA), quando Edward Snowden mostrou ter hackeado a Huawei no passado. O executivo criticou duramente as autoridades americanas, que, em 2018, pediram para que os consumidores não comprassem produtos da gigante chinesa.

"Se a NSA quiser modificar roteadores ou switches para interceptar, é improvável que uma empresa chinesa coopere", disse Guo no Financial Times, citando um documento da NSA que dizia que a agência queria "ter certeza de que sabemos como explorar esses produtos [da Huawei]. ”Guo argumenta que sua empresa “dificulta os esforços dos EUA para espionar quem quiser”, reiterando sua posição de que “a Huawei nunca plantou e nunca irá construir backdoors”.

Um relatório da Spiegel de 2014 disse que a NSA conseguiu acessar o código-fonte de vários produtos da Huawei, bem como mensagens de e-mail do fundador Ren Zhengfei. "Atualmente, temos bons acessos e muitos dados que não sabemos o que fazer com eles", dizia um documento.

Os EUA, por sua vez, também mostraram enorme preocupação com segurança em encontros com aliados durante a MWC esta semana. "Ameaças às redes dos EUA têm um impacto direto na segurança de nossos aliados, assim como as ameaças às redes de nossos aliados têm um impacto direto na segurança de nossas redes", disse o embaixador do Departamento de Estado para comunicações cibernéticas e internacionais, Robert Strayer, durante o evento, em Barcelona. "Você quer ter um sistema potencialmente comprometido pelo governo chinês ou quer uma alternativa segura?" Strayer pergunta, argumentando ainda que a lei chinesa "exige que as empresas apoiem e ajudem o vasto aparato de segurança de Pequim".

Mas os EUA ainda não apresentaram evidências de qualquer hacking coordenado pela Huawei, e Nick Read, CEO da Vodafone - que administra a maior operadora de telefonia móvel no mundo ocidental - não está convencido, dizendo que a remoção de equipamentos Huawei seria "extremamente prejudicial" para lançamentos do 5G. "Eu preferiria, neste estágio, trabalhar com governos e títulos em nível nacional e garantir uma conversa baseada em fatos", disse ele em uma coletiva de imprensa do MWC.

Embora os EUA e a Huawei tenham se envolvido com esse tema por muitos anos, a questão ressurgiu à medida que os países começaram a construir suas redes 5G. A Huawei é, sem dúvida, um dos líderes técnicos da área e, ao lado da Nokia — principalmente na Europa, é vista como competitiva em preço.

Oos comentários de Guo, no entanto, mostram que a Huawei está adotando uma abordagem mais obstinada ao debate sobre segurança nacional e continuou atacando o governo americano. "Os ataques que estão sendo dirigidos à Huawei são o resultado direto da percepção de Washington de que os EUA ficaram para trás no desenvolvimento de uma tecnologia estrategicamente importante", afirma ele.

Vamos aguardar os próximos capítulos.

Fonte: The Verge Financial Times Spiegel

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