Julian Assange “formalmente declina” extradição voluntária para os EUA

Por Rafael Arbulu | 02 de Maio de 2019 às 10h29
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O ativista e jornalista Julian Assange, fundador do WikiLeaks, teve nesta quinta-feira (2) seu segundo dia na corte britânica de Southwark Crown, onde lhe foi apresentada a proposta de “extradição voluntária” aos Estados Unidos. Surpreendendo um total de zero pessoas, Assange recusou a ideia, defendendo suas ações como “jornalismo multipremiado”.

“Não é meu desejo me render à extradição por ter praticado o jornalismo que foi premiado por diversas vezes e protegeu muitas pessoas”, ele disse. O juiz que presidia a sessão respondeu: “Vou entender isso como um ‘não’”.

Vale citar: os EUA ainda não abriram um pedido formal de extradição. As declarações de ambas as partes são uma mera antecipação de processos, se e quando isso acontecer.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) acusa Julian Assange de “conspiração para cometer intrusão computadorizada”. O detalhamento do inquérito refere-se a uma suposta ajuda fornecida por Assange para a ex-soldado do exército estadunidense, Chelsea Manning, no vazamento de documentos secretos relacionados à atuação militar do país no Oriente Médio. Assange, segundo o DOJ, teria crackeado uma senha de um computador específico que continha o material.

Manning forneceu ao Wikileaks cerca de 750 mil documentos confidenciais, no que ficou conhecido como “Rede Secreta de Protocolo de Internet”, além de um vídeo de 39 minutos no qual, pela perspectiva de dois helicópteros militares Apache, tropas americanas mataram mais de uma dúzia de pessoas, incluindo dois jornalistas da agência de notícias Reuters, no leste de Bagdá, Iraque. O vídeo foi intitulado “Assassinato Colateral” e foi repetido por diversos veículos jornalísticos do mundo. Chelsea está presa desde março deste ano por recusar-se a testemunhar no caso.

Chelsea Manning, presa desde março de 2019, foi a soldado do exército americano que vazou ao Wikileaks centenas de milhares de documentos confidenciais (Imagem: Getty Images)

A denúncia corria em segredo de Estado até a prisão do ativista, em 11 de abril, quando foi removido da embaixada equatoriana em Londres após o país latino revogar seu status de exilado político. Nesta quarta-feira (1º), Julian Assange foi condenado a 50 semanas de prisão por violar os termos de fiança de seu processo em 2012 — justamente a sua fuga para a embaixada, onde as autoridades britânicas não poderiam tocá-lo. Assange viveu no local por sete anos.

Mais além, tão nova quanto a informação da denúncia, é a denúncia em si, já que, na época, a administração presidencial de Barack Obama optou por não processar o Wikileaks por medo de que isso violasse a primeira emenda da constituição dos EUA (que lista o direito à liberdade de expressão). Em 2016, porém, Donald Trump foi eleito à Casa Branca e, desde então, o processo teve início.

Os dois próximos compromissos de Assange junto à corte britânica serão em 30 de maio e 12 de junho. A primeira terá um caráter procedural, ou seja, não devemos ter nenhuma novidade apresentada. Já a segunda, segundo o The Guardian, será uma ocasião “de maior substância”.

Fonte: Gizmodo

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