Estados Unidos revelam que espionaram executivos da Huawei

Por Rafael Rodrigues da Silva | 04 de Abril de 2019 às 22h20
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Nesta quinta-feira (4) a Promotoria da República dos Estados Unidos revelou que as autoridades do país espionaram executivos da Huawei com o intuito de coletar provas de que a empresa furou o bloqueio comercial que o país colocou sobre o Irã.

A revelação foi feita pelo promotor Alex Solomon durante uma audiência no Tribunal Federal do Brooklyn. Ele revelou que a evidência dessa espionagem foi conseguida através da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA), uma lei promulgada em 1978 que define procedimentos para a coleta de informações e de vigilância de agentes estrangeiros, e que por isso exigiria que o tribunal classificasse todas as provas entregues como confidenciais.

Junto com a revelação na corte, o governo dos Estados Unidos notificou a Huawei de que tinha intenção de usar essas informações obtidas através de vigilância eletrônica e em buscas físicas, mas não revelou mais detalhes sobre quando ou onde essas buscas aconteceram.

Desde o ano passado, o governo dos Estados Unidos têm pressionado seus aliados a pararem de utilizar produtos da Huawei, pois suspeitam de que a empresa tem ajudado o governo chinês a espionar as comunicações dos países do ocidente. E é justamente por isso que o país conseguiu a autorização para da FISA para espionar executivos da empresa chinesa, pois há anos havia a suspeita de que os equipamentos da empresa estavam sendo usado por um governo estrangeiro para espionar as comunicações do país.

No caso que está sendo julgado no Tribunal do Brooklyn, o governo dos Estados Unidos acusa a Huawei e a CFO da empresa, Meng Wanzhou, de conspirar para cometer fraude bancária no HSBC Holdings Plc e em outros bancos do país, além de mentir sobre o relacionamento da empresa com a Skycom Tech Co Ltd, empresa de tecnologia que pode ser uma companhia de fachada para que a Huawei faça negócios com o governo do Irã.

No mês passado, a Huawei afirmou ser inocente das 13 violações que o governo dos Estados Unidos a acusa, garantindo que a Skycom era apenas uma parceira comercial local da Huawei. Apesar disso, os promotores do caso garantem terem conseguido provas de que a empresa é uma fachada usada para esconder as negociações da companhia chinesa com o Irã.

Já a CFO da companhia, Meng Wanzhou, continua detida em uma prisão do Canadá, e está aguardando o julgamento de um processo de extradição que irá decidir se o país enviará ela para a justiça dos Estados Unidos ou permitirá que ela volte para a China.

Até o momento, a Huawei não se pronunciou sobre o fato de os promotores estadunidenses afirmarem ter provas de que a Skycom é uma empresa de fachada da companhia chinesa. A próxima data da audiência está marcada para o dia 19 de junho, quando provavelmente será revelado o quão incriminadoras realmente são as provas coletadas pelos órgãos de inteligência dos Estados Unidos.

Fonte: Reuters

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