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Via Láctea pode ser um estágio evolutivo entre outros tipos de galáxias

Por| Editado por Patricia Gnipper | 16 de Agosto de 2023 às 09h28

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NASA
NASA

Parece que as galáxias espirais são um estágio evolutivo entre dois tipos de galáxias lenticulares, as pobres e as ricas em poeira. Ao menos essa é a conclusão de um estudo que analisou imagens de 100 galáxias feitas pelos telescópios Hubble e Spitzer.

Há muito tempo os astrônomos classificaram as galáxias do universo de acordo com seus formatos, e muitas vezes colocam alguns tipos como uma espécie de árvore genealógica. Um deles foi Edwin Hubble, que tratou o tema em seu livro The Realm of the Nebulae, de 1936.

Hubble chamava as galáxias elípticas de tipo inicial, pois considerava que elas eram mais antigas, como se fossem um primeiro passo evolutivo. Hoje, no entanto, os astrônomos assumem que elas são fruto da fusão entre duas galáxias de massas semelhantes.

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Já as galáxias lenticulares são consideradas como algo intermediário entre uma galáxia elíptica e uma espiral. Diferente das elípticas, elas contam com bojo central e um disco ao redor do centro, mas não possuem braços espiralados. Por fim, as espirais (como a nossa Via Láctea) têm o bojo, um disco e braços espirais.

Em um novo estudo conduzido por Alister Graham, a ordem dessa “árvore genealógica” é alterada: segundo suas descobertas, as galáxias espirais deixam de ser o último estágio de evolução das galáxias e se tornam uma transição entre dois tipos de galáxias lenticulares.

Ao analisar 100 galáxias diferentes, Graham percebeu que algumas lenticulares eram pobres em poeira, enquanto outras eram bastante “empoeiradas”. Ele mostra que se as pobres em poeira acumulam gás e material, seu disco é gravitacionalmente perturbado de modo a formar um padrão espiral enquanto a formação de novas estrelas é estimulada.

Isso não é exatamente uma novidade — as lenticulares são, realmente, consideradas as “mães” das espirais. Contudo, a proposta de Graham é que a colisão entre duas galáxias espirais deve formar uma lenticular rica em poeira. “Isso redesenha nossa tão amada sequência de galáxias”, disse, “e, mais importante, agora vemos os caminhos evolutivos através de uma sequência de casamento de galáxias”.

Como exemplo, a nossa própria Via Láctea (que os astrônomos já sabem ter evoluído “devorando” suas galáxias satélites) teria sido uma galáxia lenticular pobre em poeira. Ao se fundir com outras, como Gaia Sausage-Enceladus, teria acumulado material até evoluir para o formato espiral.

O modelo de Graham também propõe que a fusão entre duas galáxias espirais deve resultar em uma galáxia lenticular rica em poeira. Novamente, podemos usar a Via Láctea como exemplo: no futuro distante, ela vai se fundir com a galáxia de Andrômeda, outra gigante espiral, e vai formar uma lenticular empoeirada.

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Por fim, a última consequência dessa série de fusões evolutivas é a colisão entre duas galáxias lenticulares empoeiradas, que, segundo o estudo, deve formar uma galáxia elíptica. Graham aponta que a fusão de duas galáxias elípticas pode explicar as galáxias mais massivas do universo hoje.

Antes de considerarmos essa proposta como algo comprovado, convém aguardar novos estudos e observações que possam sustentar essas ideias. A pesquisa de Graham foi publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (MNRAS).

Fonte: MNRAS