Tremores na Lua ajudaram a criar a paisagem lunar que conhecemos hoje

Por Daniele Cavalcante | 09 de Agosto de 2019 às 11h53
Astronomy.com/MENEZES FO

Existem terremotos na Lua — na verdade se chamam “lunamotos”, porque que “terremoto”, como a palavra já sugere, é usado para os abalos sísmicos na Terra. Isso não é uma novidade, mas um novo estudo sugere que esses tremores são responsáveis por parte da paisagem lunar que conhecemos. Mais especificamente pelas escarpas nas crateras.

Quando os astronautas do programa Apollo visitaram a Lua, eles colocaram vários sismógrafos para monitorar a geologia do satélite. Foram registrados lunamotos profundos dentro da Lua uma vez a cada 27 dias, mas também foram detectados 28 tremores rasos entre 1969 e 1977. Um deles, ocorrido em 1975, parece ter derrubado pedras pelas paredes da cratera, alterando a paisagem lunar, de acordo com o estudo realizado por uma equipe de cientistas na Índia.

"Todo mundo está curioso para saber a resposta para esta pergunta: a Lua é atualmente geologicamente ativa? Sim, é", disse P. Senthil Kumar, do Instituto Nacional de Pesquisa Geofísica CSIR em Hyderabad, na Índia, e principal autor do estudo. "O lunamoto que ocorreu na cratera Laue em 3 de janeiro de 1975 é o maior registrado (MW 4,1)", segundo ele e sua equipe, que analisou imagens de satélite de alta resolução e dados topográficos obtidos pela missão Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA.

Assim eles descobriram que um conjunto de escarpas formadas recentemente está ligada ao grande terremoto de 1975. De acordo com os pesquisadores, as “escarpas lobadas na cratera Laue são sismicamente ativas e sua atividade sísmica pode ser mais estudada durante as futuras missões de pouso".

Em outras palavras, a superfície da Lua treme com força suficiente para derrubar grandes pedras nas crateras, afetando assim sua paisagem. Os cientistas estudaram as trilhas deixadas pelos pedregulhos que caíram pelas paredes íngremes das crateras de impacto e encontraram também trilhas desbotadas, sugerindo que há um histórico de abalos na área da cratera de Lorentz. Eles acharam muitas outras pedras que parecem ter caído da mesma maneira, mas suas trilhas haviam sido apagadas com o tempo.

Imagem: Lunar Reconnaissance Orbiter Câmara Narrow Angle Camera

A ausência de uma atmosfera significa que os processos que apagam essas trilhas mais antigas são sutis. Por exemplo, os próprios lunamotos podem estar balançando e reassentando o material solto nas trilhas. E isso também pode ser um indicador de tempo, já que as trilhas levariam dezenas de milhões de anos para serem removidas.

Essas diferenças nas trilhas são sinais de pelo menos três lunamotos que derrubaram pedras nas crateras, em épocas diferentes, de acordo com o cálculo dos cientistas: o tremor recente de 1975, outro mais velho há cerca de 1,6 milhão de anos, e pelo menos mais um que ocorreu há mais de 1,6 milhão de anos.

Mas e quanto aos meteoros? Não poderiam ser eles a causa disso? Não! A equipe descartou essa hipótese ao simular uma variedade de impactos. Eles concluíram que nenhuma das crateras causadas por impacto local poderia explicar as avalanches de rochas recém-formadas, e isso reforça a ideia de que o lunamoto foi causado por uma falha na crosta da Lua.

Fonte: Phys.org

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