Sorte dupla: pesquisadores encontram 2 meteoritos em apenas 2 semanas

Por Danielle Cassita | 04 de Agosto de 2020 às 13h25
Curtin University

Uma dupla de pesquisadores da Universidade de Curtin, na Austrália, fizeram duas descobertas em um período incrivelmente curto: eles encontraram dois meteoritos em um intervalo de apenas duas semanas na Planície Nullabor, sendo que um deles tinha acabado de cair. As duas quedas foram registradas pelo sistema Desert Fireball Network (DFN), que utiliza câmeras para observar "estrelas cadentes" em todo o território australiano, e prever onde elas cairão.

O primeiro foi encontrado durante uma missão de reconhecimento perto da caverna Madura, realizada pelo Dr. Hadrien Devillepoix, astrônomo, e Anthony Lagain, geólogo planetário. Quando estavam indo embora do local da missão, eles viram algo que parecia ser um meteorito real ali, próximo da localização esperada. Devillepoix achou que fosse até uma brincadeira do colega, mas analisou a rocha mais de perto e notou que realmente era um meteorito - que, inclusive, era o que eles procuravam. "Determinamos que esse meteorito estava na órbita de Aton, o que significa que antes de cair na Terra, ele passou a maior parte do tempo entre Vênus e a Terra", explica Devillepox.

Meteorito encontrado próximo à caverna Madura (Imagem: Anthony Lagain)

Com peso de 1,1 kg, o meteorito chamou a atenção de Devillepoix pelo seu desempenho no “teste da bússola”. Como eles contêm grandes quantidades de ferro, é esperado que os meteoritos atraiam ímãs e mudem o comportamento de bússolas. Entretanto, isso não aconteceu: a agulha da bússola mal se mexeu perto do meteorito. “O próximo passo é descobrirmos o porquê de isso acontecer e o que está tornando este meteorito tão diferente dos outros que conhecemos”, comenta ele.

Duas semanas após essa ocorrência, Martin Towner, chefe de operações do DFN, liderou uma equipe para realizar uma busca local de uma queda ocorrida em novembro de 2019 a noroeste do aeroporto de Forrest; após quatro horas, eles encontraram o meteorito de 300g que o DFN havia captado, que veio de algum local no meio do principal cinturão de asteroides. 

Meteorito de Forrest (Imagem: Raiza Quintero)

Dr. Eleanor Sansom, gerente de projeto do DFN, destaca que, embora pareça que esses dois sucessos rápidos podem fazer parecer que encontrar meteoritos é algo simples, essa é uma conquista incrível: “equipes em todo o mundo vêm tentando recuperar meteoritos com suas órbitas desde 1950, mas até agora conseguiram fazer isso com apenas 40 deles, aproximadamente. Embora o DFN seja relativamente novo nisso, ele já se tornou parte significativa desse sucesso".

Fonte: Curtin

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