Sinal de rádio detectado no centro da galáxia é diferente de tudo já observado

Sinal de rádio detectado no centro da galáxia é diferente de tudo já observado

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 09 de Setembro de 2021 às 17h09
NASA's Goddard Space Flight Center

Astrônomos detectam há alguns anos uma série de emissões de rádio misteriosas, conhecidas como rajadas rápidas de rádio (FRBs, da sigla em inglês), mas o novo sinal descoberto é ainda mais estranho. Na verdade, o sinal encontrado próximo ao centro da Via Láctea é diferente de qualquer outra coisa já estudada.

Descoberta através do radiotelescópio Australian Square Kilometer Array Pathfinder (ou simplesmente ASKAP), a fonte de rádio recebeu um nome que remete ao instrumento: ASKAP J173608.2−321635. Trata-se de uma emissão brilhante que dura algumas semanas e, então, desaparece. O mais curioso é a ausência de qualquer sinal em outro comprimento de onda do espectro eletromagnético, como o infravermelho ou raio-X.

Sem nenhuma outra emissão além do rádio, os cientistas concluem que a fonte não é do mesmo tipo que emite as FRBs, já que estas costumam ser acompanhadas de um sinal de raio-X. Isso significa que essa detecção pode apontar para "uma nova classe de objetos sendo descobertos por meio de imagens de rádio", disseram os autores do novo estudo que detalha a descoberta.

Quer ficar por dentro das melhores notícias de tecnologia do dia? Acesse e se inscreva no nosso novo canal no youtube, o Canaltech News. Todos os dias um resumo das principais notícias do mundo tech para você!

Outra característica peculiar é que entre 2019 e 2020, o sinal apareceu nos dados do ASKAP 13 vezes, mas com periodicidade variável. Em outras palavras, os sinais são repetitivos, mas não é possível prever quando eles desaparecerão ou voltarão a brilhar. Isso exclui os pulsares, por exemplo, que emitem sinais de rádio que se repetem em períodos precisos, como um relógio.

Centro da Via Láctea, onde o estranho sinal de rádio surgiu (Imagem: Reprodução/NASA/ESA/SSC/CXC/STSCI)

Também é pouco provável que se trate de magnetares — os principais candidatos a fonte das FRBs —, porque esse tipo de estrela morta sempre emite rajadas de rádio junto de raios-X. Esse não é o caso do ASKAP J173608.2−321635. Resta, então, apenas um tipo de objeto que pode ser comparado ao novo sinal: algo chamado transiente de rádio do centro galáctico (GCRT).

Os GCRTs são um tipo de fonte de rádio que emite um sinal rápido e logo decai após algumas horas. Eles ficam perto do centro da Via Láctea, brilham no rádio de forma semelhante ao objeto ASKAP, e não emitem nenhum sinal em outro comprimento de onda, como raios-X. Até o momento, apenas três GCRTs foram confirmados e não se sabe exatamente o que são.

Mas há uma grande diferença entre os GCRTs e a nova fonte ASKAP, que é o tempo de duração das emissões. Enquanto os sinais de rádio dos primeiros duram poucas horas, o novo objeto brilha durante semanas, antes de desaparecer. Se a fonte ASKAP for um objeto da mesma categoria dos GCRTs, significa que eles podem ser mais estranhos e diversos do que os astrônomos pensavam.

Por enquanto, não há como deduzir o que poderia causar o novo sinal de rádio, já que não há nada já estudado que se assemelhe a este fenômeno. Portanto, a expectativa é que as próximas gerações de radiotelescópios, como o Square Kilometer Array (SKA), que será o maior do mundo, com previsão para ser concluído em 2029, consigam nos trazer uma resposta.

Fonte: Space.com

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.